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iBot é uma cadeira de rodas que sobe até escadas

Equipamento foi descontinuado em 2009, mas será relançado com a ajuda da Toyota

Emerson Alecrim Por

iBot

Uma cadeira de rodas inteligente que, além de encarar aclives com facilidade, pode subir ou descer escadas e até elevar o assento, deixando o usuário na mesma altura das pessoas que estão em pé ao seu redor. Essa é a proposta da iBot, cadeira de rodas motorizada que será lançada pela Toyota. Ou melhor: relançada.

Não se preocupe se você teve sensação de "déjà vu" lendo a chamada ou vendo a foto do equipamento. A iBot é um projeto relativamente antigo: a primeira versão da cadeira foi apresentada publicamente em 1999.

Por trás da invenção está ninguém menos que Dean Kamen, hoje mais conhecido por ser o criador do Segway. Embora não tenha se tornado um fenômeno de vendas, esse veículo leve de duas rodas atrai olhares até hoje por promover uma forma de transporte individual inusitada: o usuário fica em pé e controla o veículo a partir do seu equilíbrio.

Em parte, o Segway tem como base as tecnologias que Kamen desenvolveu ao criar a iBot. Foram anos de trabalho até a primeira versão usável ser apresentada: a cadeira de rodas começou a ser projetada por volta de 1990, depois que Kamen se deparou com um homem em uma cadeira de rodas tendo dificuldades para transitar em uma área elevada.

Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, conferindo a iBot em 2000

Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, conferindo a iBot em 2000 ao lado de Kamen

A versão apresentada em 1999 passou por aperfeiçoamentos ao longo dos anos seguintes, mas a ideia principal praticamente não mudou: a cadeira é composta por quatros rodas principais e, para apoio, duas menores. Um par das rodas principais pode rolar sobre a outra, como se fosse uma engrenagem. Esse mecanismo é que permite à cadeira passar por degraus, ainda que, eventualmente, o usuário precise se apoiar em corrimãos ou contar com auxílio de outra pessoa para subir ou descer escadas.

Esse modo de funcionamento também permite que a cadeira seja elevada, de maneira que o usuário possa olhar as pessoas que estão ao seu redor na altura dos olhos, assim como se locomover quase como se estivesse em pé.

Os movimentos são controlados por um computador que recebe coordenadas do iBalance, sistema (também presente no Segway) que combina software e giroscópios. Quando identifica movimentos, mesmo os mais sutis, o iBalance passa a respectiva informação ao computador para que este oriente as rodas. A ideia aqui é possibilitar ao usuário se locomover com agilidade e estabilidade.

A versão mais atual da iBotA versão mais atual da iBotA versão mais atual da iBot

A versão mais atual da iBot

Diante de tanta sofisticação, a Deka, companhia fundada por Kamen, conseguiu uma parceria com a Johnson & Johnson para tornar a iBot um produto comercial. Mas o acordo durou apenas alguns anos. Em 2009, o equipamento parou de ser disponibilizado. Além disso, o suporte às unidades comercializadas foi encerrado no final de 2013. O motivo foi o preço elevado: a iBot chegou a custar US$ 25 mil.

É neste ponto que a Toyota entra em campo: a companhia anunciou um acordo de licenciamento de tecnologia com a Deka para trazer a iBot de volta. Mas essa não é meramente uma parceria comercial: ambas as companhias trabalharão juntas na próxima geração da cadeira.

Não está claro quais inovações a nova versão terá, mas não são aguardadas grandes mudanças. Desde o início, o projeto da iBot foi muito bem executado, o que fez a cadeira parecer um equipamento à frente do seu tempo. Por conta disso, a iBot deve receber, basicamente, ajustes ergonômicos e melhorias nos mecanismos das rodas. Suas tecnologias também poderão ser empregadas em outros produtos.

Nenhuma das partes deu estimativas sobre data de lançamento e preços, mas é de se esperar que a parceria com a Toyota faça a iBot custar menos que os US$ 25 mil que a tiraram do mercado. Isso porque a companhia japonesa tem uma divisão de robótica bem avançada que, como tal, pode ajudar a diminuir os custos de produção.

Com informações: TechCrunch