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Por dentro do Buzzers, um Uber de professores de idiomas

Aplicativo conecta professores a alunos interessados em aprender novas línguas

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3 anos atrás

buzzers

Quer aprender algum idioma mas os cursos estão caros e você não encontra nenhum professor independente? Esse problema aconteceu com Marcio Vieira, que teve a ideia de criar o Buzzers, um aplicativo que conecta professores de idiomas a alunos.

Para os alunos que fazem o cadastro no Buzzers são mostrados os professores disponíveis, quais idiomas eles ensinam e quanto eles cobram para dar aula. O preço é definido pelo próprio professor, que também pode cadastrar a sua agenda para informar quais horários da sua agenda estão disponíveis. “Pro aluno é complicado [achar professor] porque você não sabe onde procurar, não é algo que você vai no MercadoLivre ou OLX”, diz Marcio, em entrevista ao Tecnoblog.

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Logo na hora do cadastro, os professores escolhem os idiomas que ensinam, o valor por aula, dão um resumo sobre eles e escrevem seus diferenciais. Ao receber uma solicitação de um aluno, ele pode trocar mensagens, explicar sua metodologia e combinar um encontro com o aluno. O pagamento é feito diretamente ao professor, sem intermédio do Buzzers, assim como o encontro.

Marcio explica que eles preferiram “reduzir o escopo” do aplicativo e lançar com o mínimo de funções possível, para fomentar a base de usuários do aplicativo. Segundo ele, um sistema de pagamentos está em desenvolvimento, mas ainda não há previsão de lançamento. Com apenas 20 alunos e cerca de 40 professores, eles ainda não ganham nada com o aplicativo nem obrigam um processo de seleção para professores.

Como Marcio queria tirar alguma possível barreira que impedisse a base de usuários de crescer, ele achou melhor não rejeitar nenhum professor, mas acredita que o sistema de avaliações implementado irá fazer um bom trabalho. “Nós queremos pré-selecionar os professores, mas por ora acreditamos que o sistema de avaliação vai dar destaque aos melhores professores e tirar os que são ruins”, disse.

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A avaliação é feita pelo aluno no final da aula, mas os desenvolvedores também querem implementar o contrário: um sistema em que o professor avalia o aluno. Essa diferença de recursos acontece porque as duas versões do Buzzers são desenvolvidas separadamente, já que as funções são diferentes. Mas a plataforma é integrada, tanto que professores de alunos podem conversar entre si.

Ainda que o aplicativo tenha poucos usuários, Marcio garante que houve boas interações entre professores e alunos. Para garantir o nível da plataforma, ele quer colocar um filtro no chat para palavras de baixo calão, além de um robô que conversa com o professor ou aluno e pergunta como está sendo o contato e a experiência com o aplicativo.

A ideia do Buzzers, como mencionei no começo, partiu de Marcio há cerca de dois anos. Ele me conta que falava inglês de nível técnico e conseguia usá-lo para o trabalho na área de tecnologia. Então, por indicação de um amigo, ele recebeu uma proposta de emprego na Irlanda. Marcio conseguiu passar na prova de múltipla escolha, mas se enrolou na entrevista e precisou usar até o Google Tradutor para entender o que a outra pessoa estava falando.

“Não sei como, mas passei”, disse ele. Depois, antes de avançar para a próxima fase, ele pediu três meses para a empresa esperar que ele aprenda inglês. No Brasil, foi atrás de muitos cursos e com dificuldade achou um que atendia às suas necessidades. Depois de dois meses, Marcio havia treinado a gramática, mas queria melhorar a conversação.

Então ele continuou procurando por professores, mas era muito difícil achar um que só oferecia conversação ou corrigia suas redações, coisa que o curso não fazia. Durante essa epopeia, ele pensou que seria ótimo se tivesse um aplicativo para ajudar alunos e professores em todo esse processo. No final, ele teve de recusar a vaga por motivos pessoais e voltou ao Brasil para planejar a plataforma, o que durou cerca de um mês.

O dono do Buzzers e mais alguns amigos são donos da empresa Embers, baseada no Rio de Janeiro, que presta consultoria de software focada em mobile, mas decidiram colocar todo o seu foco no Buzzers, por acreditar que ele vai dar mais retorno. Marcio conta que começou a fazer propaganda do aplicativo no Facebook focado no Rio, mas começaram a aparecer usuários de São Paulo e Curitiba.

Por enquanto, o Buzzers só está disponível para Android, nas versões de Aluno e Professor. No entanto, o Marcio já encomendou ao designer projetos para a versão Aluno para iOS. Esta, vai “começar a ser desenvolvida mais devagar que a versão para Android”, segundo ele. O foco no Android se deu por conta da especialidade da equipe na plataforma.

Visando um maior alcance, durante essa semana, a equipe do Buzzers fará propaganda offline em cursos de inglês e faculdades para promover o app e captar mais professores e alunos. Os anúncios no Facebook (e agora também no Google) serão focados para os estados em que o Buzzers já tem professores, como Paraná, São Paulo e Rio. O aplicativo visa abranger o âmbito nacional e, em um futuro mais distante, pegar a América Latina inteira, por conta da “deficiência do inglês” que acontece por aqui.

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