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Uma olhada de perto no Moto Z e seus módulos

Extremamente fino, o Moto Z tem boa pegada e módulos feitos do jeito certo. Será que vinga?

Paulo Higa Por
3 anos atrás

A Lenovo apresentou no Brasil nesta terça-feira (19) o Moto Z e seus módulos Moto Snaps. O aparelho deve chegar às lojas apenas em setembro e ainda não tem preço definido, mas já tivemos uma prévia do que vem por aí: um smartphone absurdamente fino, com um calombo absurdamente grande na câmera, que promete atender bem a diversos nichos de mercado com as opções intermináveis de módulos.

Assim como os últimos topos de linha da Lenovo, a versão brasileira do Moto Z terá suporte a dois SIM cards. O esquema é o mesmo do Moto X Force: você pode inserir um chip e um microSD ou dois chips e nenhum microSD. Quem usa duas linhas deve se atentar a esse detalhe, ainda que os 64 GB de armazenamento sejam suficientes para quase todo mundo.

Outra peculiaridade é que o processador, embora continue sendo o Snapdragon 820, tem frequência máxima de 1,8 GHz. O modelo norte-americano chega a 2,15 GHz, devido a uma diferença de rede da operadora Verizon, que venderá o Moto Z Droid Edition com exclusividade por lá. A Lenovo diz que a mudança "não deve ser considerada um downgrade, uma vez que a velocidade do processador é um valor máximo que os núcleos podem rodar, e que somente é utilizado em situações específicas e de uso intenso".

Em vídeo

O que tem de bom?

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Tirando as diferenças brasileiras, este é o Moto Z que você conhece: um smartphone com corpo de alumínio, 5,2 mm de espessura e uma saliência na região da câmera que parece tão estranha quanto nas fotos de divulgação. Mas o bacana é que, ao vivo, ele tem boa pegada: além de ser muito leve, o aparelho encaixa bem na mão, mesmo sendo tão fino. Não passa a sensação de que vai entortar no bolso ou cair das mãos.

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Ainda assim, parece que o Moto Z foi feito para você, obrigatoriamente, comprar um módulo ou pelo menos uma capinha: o aro metálico da câmera não parece que vai aguentar mais do que alguns dias brilhando se você arrastá-lo sobre uma superfície a todo instante. Seria bacana se a Lenovo já incluísse uma capinha na caixa para “resolver” essa inconveniência no design.

Os módulos do Moto Z são bacanas porque não trazem os problemas do G5. Eles são basicamente o que a LG tentou fazer, só que do jeito certo.

Tem caixinha de som

Tem caixinha de som

Que serve até como apoio

Que serve até como apoio

Primeiro, os Moto Snaps têm garantia de compatibilidade com futuras gerações do Moto Z, o que significa que você não vai gastar centenas ou milhares de reais numa peça de hardware com prazo de validade. Embora a Lenovo tenha uma política de preços mais agressiva, é certo que os módulos vão custar mais do que a maioria das pessoas está disposta a pagar — afinal, eles são acessórios de nicho. É bom que durem.

Segundo, eles são extremamente práticos: basta encostar um deles na traseira do Moto Z e os pinos e ímãs fazem o resto. Não é necessário passar pela inconveniência de reiniciar o aparelho quando você quiser trocar ou conectar um módulo. Os Moto Snaps parecem bem integrados via software, e mostram seus níveis de bateria na interface do sistema. No caso das baterias, há um modo "eficiente", que mantém a carga do aparelho em 80% (em vez de 100%), o que ajuda a bateria externa a durar mais.

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E por fim, o plano da Lenovo parece mais bem definido. Os chineses estão incentivando fortemente a criação de módulos por terceiros. O kit de desenvolvimento já traz várias possibilidades de componentes, como telas e-ink, câmeras secundárias (com infravermelho, por exemplo) ou mesmo monitores de pressão sanguínea. Como “plataforma”, o Moto Z se parece bastante com o Ara — com a diferença de que a Lenovo vai premiar o criador do melhor módulo com US$ 1 milhão e que, bem, o Moto Z é voltado para pessoas mais normais.

A Lenovo não comentou nada sobre a chegada do Moto Z Force, que parece ser uma opção interessante para um público que deseja um smartphone melhor (e está disposto a pagar mais por isso). Além de ser resistente a quedas, a variante do Moto Z traz bateria maior (de 3.500 mAh, contra 2.600 mAh do modelo tradicional) e uma câmera de 21 megapixels — que, segundo dizem por aí, é uma das melhores do mercado, atrás do HTC 10 e Galaxy S7 Edge.

A câmera de 13 megapixels do Moto Z agrada, pelos testes rápidos que fiz. Com lente de abertura f/1,8, o aparelho não tem dificuldade para focar nos objetos e tirar fotos com nível de ruído baixo, mesmo em locais com iluminação ruim. Por exemplo, estas fotos foram tiradas com o Moto Z no escritório da Motorola em São Paulo, que estava relativamente escuro, contando apenas com lâmpadas pouco potentes:

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E estas passaram pelo Galaxy S7 Edge, que possui uma câmera reconhecidamente boa. Em comparação com o topo de linha da Samsung, o Moto Z entrega cores mais quentes e uma definição ligeiramente menor. O resultado é bastante satisfatório.

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As últimas câmeras dos topos de linha da família Moto não têm decepcionado, fugindo totalmente da antiga ideia “se você não se importa muito com fotografia, pode comprar um Motorola”. O Moto Z parece continuar com a boa fase, mesmo tendo uma câmera teoricamente inferior a do Moto Z Force.

Por dentro, o Moto Z não apresenta nenhuma grande novidade. Para quem já teve contato com os últimos smartphones da linha Moto, o software permanece o mesmo: o Android é praticamente puro, sem modificações na interface, adicionando somente funções como os comandos de voz em standby e a tela sempre ativa, que mostra prévias de notificações para que você não precise apertar o botão liga/desliga a todo momento.

Ainda vai demorar dois meses até que o Moto Z seja lançado no Brasil e tenha o preço revelado. As primeiras impressões são bastante positivas. Mas a Lenovo sabe que terá um grande desafio pela frente no segmento de topos de linha — as concorrentes estão cada vez mais fortes.

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