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Notebook gamer: pense bem antes de comprar um

Fabricantes como Acer, Dell e HP apostam cada vez mais nos laptops para jogos. Mas vale a pena ter um?

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2 anos atrás

O mercado de desktops e laptops encolheu por conta do avanço dos dispositivos móveis. A situação só não ficou pior por conta do público gamer que mantém a predileção por PCs. Mas um ponto chama atenção nessa história: muitos jogadores ainda preferem os tradicionais desktops, mas a oferta de notebooks voltados aos gamers não para de crescer. Será que essa categoria vinga?

Vida longa ao PC

Fabricantes tradicionais, como Dell, HP e Lenovo, tiveram que reestruturar suas operações por conta do encolhimento do mercado de PCs. O impacto foi tão grande que muita gente deu o PC como morto. É óbvio que não é assim. Pode ser que isso aconteça em um futuro distante, mas até lá o PC segue tendo utilidade: você não vai fazer o seu TCC da faculdade ou desenvolver um software inteiro no smartphone. Pelo menos por ora, é impraticável.

Você sabe, certamente, que o apelo da mobilidade é um dos fatores que fazem smartphones e tablets serem tão requisitados. Esse mesmo aspecto também ajudou a transformar o mercado de PCs: hoje, a oferta de laptops é significativamente maior que a de desktops.

Desktop Dell

Até pouco tempo atrás era fácil encontrar lojas de informática especializadas em desktops. Você ia lá e o vendedor te apresentava algumas configurações pré-prontas, mas sempre havia a possibilidade de customizar o hardware. Negócio fechado, era só esperar alguns dias para a loja montar a máquina e entregá-la.

Lojas desse tipo ainda existem, mas são muito menos numerosas. A razão é simples: o consumidor comum — aquele que não quer se preocupar em configurar item por item de um computador — vai em um varejista e escolhe um notebook. É mais prático: além de já estar pronto, o laptop ocupa muito menos espaço e pode ser levado rapidamente para qualquer canto da casa. Vai viajar? Sem problemas, é só colocá-lo na mochila.

Questão de praticidade

Ainda há quem faça questão de ter um desktop. Este que vos escreve é um exemplo. Sei que sou uma espécie em extinção, mas eu ainda aprecio a possibilidade de customizar todo o meu computador para deixá-lo totalmente condizente às minhas necessidades. Se algum componente estiver deixando a desejar ou apresentar defeito, consigo trocar rapidamente.

Para muitos jogadores, porém, o que eu vejo como conveniência ou hobby tem ares de necessidade. Personalizar o PC é essencial, principalmente para definir a configuração mais apropriada para a jogatina dentro do que o orçamento permite.

Via de regra, ao jogador convém ter uma identidade (no sentido de transmitir uma imagem que o identifique como tal) e, nesse ponto, a customização também ajuda, afinal, aquele PC é único — é como se fosse uma assinatura. É por isso que os casemods fazem (ou fizeram) tanto sucesso.

Com base nesse aspecto, um notebook gamer (ou gaming laptop, se você preferir) parece não fazer muito sentido. Se é assim, por que a indústria aposta cada vez mais nesses equipamentos?

Quando um notebook gamer faz sentido

A indústria dos games é gigantesca e, como tal, comporta uma ampla variedade de tipos de jogadores. Um deles é o PC gamer clássico, por assim dizer: ele faz questão de uma máquina parruda, adequadamente refrigerada e não poupa esforços para deixá-la bem apresentável visualmente.

No meio dessa turma estão aqueles que levam a jogatina ao nível profissional. Eles formam times de eSports, são patrocinados por fabricantes ou lojas de hardware, comparecem a eventos e dão consultoria, por exemplo.

Jogatina profissa

Jogatina profissa

Ainda que a quantidade de jogadores que se enquadra nessa categoria não seja pequena, há outra que se sobressai numericamente: a de gamers que levam a jogatina bem a sério, mas não ao ponto de tratar o assunto com a seriedade de uma profissão ou negócio.

Esse público é o que mais interessa aos fabricantes. Os jogadores dessa categoria fazem questão de um bom hardware — mas não necessariamente de uma configuração topo de linha —, mas muitas vezes não querem ter o trabalho de montar um PC ou simplesmente não têm espaço em casa para colocar um desktop. Para esses casos, um notebook gamer passa a ser uma opção inegavelmente interessante.

Aqui, o apelo da mobilidade também se manifesta, é lógico: poder levar o equipamento com relativa facilidade para qualquer lugar (relativa porque modelos para jogos normalmente são pesados), por si só, já é razão para muita gente prestar atenção em um notebook gamer.

Fácil de transportar (ou quase)

Fácil de transportar (ou quase)

Por muito tempo, os notebooks foram vistos como péssimos para jogos. Teclado desconfortável (para a dinâmica de um game), tela pequena ou com baixa taxa de atualização e hardware geralmente fraco (para economizar energia e reduzir custos) são apenas algumas das razões para essa impressão.

Nos laptops desenvolvidos especialmente para jogos, porém, esses problemas não costumam estar presentes. Fabricantes como Dell, HP, Acer e Asus oferecem opções com teclado próprio para a jogatina (com retroiluminação LED, mais resistência e teclas de atalho), tela com qualidade que se aproxima de TVs (em alguns casos, pelo menos), hardware mais avançado (especialmente no quesito gráfico) e, claro, design externo com traços bem ousados — novamente, pela questão da “identidade gamer”.

Os problemas dos notebooks gamers

Apesar de muito bem-vindos, nem todos os detalhes apontados acima são imprescindíveis. Você pode ligar o notebook a um conjunto de teclado e mouse se quiser mais conforto ou à TV 4K da sua sala se a ordem do dia for imagens com excelente qualidade.

No final das contas, a configuração básica (processador, RAM, chip gráfico e HD / SSD) acaba sendo mais importante. Como nos laptops não é tão fácil trocar esses componentes como em um desktop, você precisa prestar bastante atenção para escolher o melhor conjunto para as suas expectativas. Na minha visão de “micreiro desde criancinha”, as limitações no upgrade ou na troca de hardware são justamente as principais desvantagens de um laptop gamer.

Predator 17 - teclado

Teclas de atalho do Predator 17, da Acer

Mas não é só isso: a combinação de hardware parrudo com jogos exigentes frequentemente leva ao problema do aquecimento excessivo. No desktop, não é difícil resolver esse problema. Você coloca um cooler mais poderoso, instala um sistema de refrigeração sofisticado, deixa o gabinete aberto se a situação apertar, enfim, dá um jeito.

No laptop a situação é mais complicada: o corpo compacto do equipamento, sozinho, é suficiente para levar o aquecimento a patamares infernais. A boa notícia é que, pelo menos nos modelos mais atuais, esse problema tem sido bem remediado.

Predator 17, da Acer: módulo adicional com cooler

O Predator 17 tem módulo adicional com cooler

A Acer, por exemplo, tem na linha Predator uma tecnologia que impede o acúmulo excessivo de poeira nas saídas de ar. Além disso, a empresa oferece um módulo com cooler adicional que pode ser colocado no lugar do drive de DVD. Nos modelos da Alienware, a temperatura também é bem controlada.

De todo modo, pesquisar sobre o risco de aquecimento é mandatório antes da compra, principalmente se você mora no Brasil: no país, os serviços de assistência técnica costumam ser deficientes. Por conta disso, também convém torcer para o seu laptop não dar defeito.

Linha HP Omen

Linha HP Omen

O Problema mor: preço

Para quem não faz questão de montar um PC gamer ou acredita que não precisará de um upgrade tão cedo, um gaming laptop não soa como má ideia. O impedimento acaba sendo mesmo o preço.

Não que alguém espere pagar pouco por equipamentos do tipo. Um notebook gamer precisa de bom hardware e, obviamente, componentes mais poderosos levam a um aumento de custos. Colocar esses itens dentro de um aparelho compacto também: é necessário um excelente trabalho de engenharia para que uma GPU GeForce GTX 980M, por exemplo, trabalhe a todo vapor dentro de um laptop sem jogar a toalha.

Asus ROG G752

Asus ROG G752

Só que, além dos custos atrelados a projeto, componentes, materiais e design, os fabricantes cobram ingresso: você tem que pagar pelo ar de exclusividade que rodeiam notebooks que ostentam marcas como Alienware, Predator e Razer (desktops também, mas esse fenômeno é mais intenso com os laptops). Se você vive no Brasil, essa suposta exclusividade é ainda mais cara: a linha Predator, lançada recentemente por aqui, começa em R$ 16.899. A Alienware não está muito atrás. Aí fica difícil, né?

Difícil não só porque o bolsa não aguenta, mas também porque a percepção de valor dessas marcas não corresponde ao que é cobrado. O pensamento predominante acaba sendo este: “essas máquinas são bem legais, mas é melhor deixá-las lá na prateleira mesmo”.

Ao menos essa situação indica que estamos diante de um nicho com muito a ser explorado. Pode ser só o otimismo falando mais alto, mas talvez o segmento amadureça a partir dessa constatação, fazendo a oferta de opções mais focadas no custo-benefício aumentar. Não custa torcer.