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Kaby Lake: o que você precisa saber sobre os processadores Intel Core de 7ª geração

Os novos chips são versões melhoradas da atual geração. Será que emplacam?

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2 anos atrás

Os processadores Core de sétima geração chegarão ao mercado até o final do ano. Foi o que a Intel disse em maio. Para quem temia que a promessa não fosse cumprida, eis uma boa notícia: as primeiras unidades dos chips Kaby Lake, como são chamados internamente, já estão sendo enviadas a alguns fabricantes. Mas o que há de interessante nesses novos modelos?

O tick-tock morreu

A família Kaby Lake será a primeira a interromper o ciclo de atualizações “tick-tock” que a Intel adotava há tanto tempo. Funcionava assim: a companhia lançava uma geração de processadores com uma nova tecnologia de miniaturização, representando a fase tick. Na geração seguinte, essa tecnologia de miniaturização era mantida, porém, os chips recebiam uma nova e otimizada arquitetura, caracterizando a fase tock.

Se essa lógica fosse preservada, as unidades Kaby Lake deveriam ter processo de fabricação de 10 nanômetros, pois os processadores Broadwell (tick), lançados em 2014, e os atuais chips Skylake (tock) têm tecnologia de miniaturização de 14 nanômetros. Mas a Intel avisou faz tempo: a sétima geração continuará tendo 14 nanômetros.

Intel tick-tock já era

Ainda que a Intel mantenha discrição sobre o assunto, a mudança no ciclo de atualizações sinaliza para o fim do que conhecemos como Lei de Moore. Se a companhia já havia enfrentado mais dificuldades do que o esperado para dar forma aos chips de 14 nanômetros, imagine quão desafiador está sendo trabalhar nas unidades com 10 nanômetros — elas virão, mas somente na geração seguinte (Cannonlake).

Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum

Isso significa que os processadores Kaby Lake serão mesmo parecidos com os chips Skylake que temos hoje? E como significa! Não haverá grandes mudanças na arquitetura, mas uma otimização, tal como prometido.

Desse modo, o socket LGA 1151 da atual geração será mantido nos chips Kaby Lake, assim como o suporte a dois tipos de memória: haverá compatibilidade tanto com módulos DDR4 (pelo menos nas versões com mais poder de fogo) quanto com DDR3 / DDR3L.

É a tal da otimização que fará diferença, portanto. No quesito eficiência energética, por exemplo, a companhia afirma que os chips Kaby Lake terão performance até dez vezes mais elevada que os processadores Core de primeira geração. Nos chips Skylake, a performance consegue ser até oito vezes maior.

Intel Core - eficiência energética

No processamento em si, o desempenho depende de uma série de fatores, você sabe, mas a Intel aponta um ganho de performance que pode chegar a 19% na comparação da sétima com a sexta geração, embora a média deva ficar na casa dos 10%.

4K, foca no 4K

Muito provavelmente, você não irá notar diferença de performance nas aplicações cotidianas (em relação à atual sexta geração), por isso, a Intel faz questão de ressaltar o quão focados em mídia os chips Kaby Lake serão. O suporte ao streaming em 4K será nativo, por exemplo, incluindo aí compatibilidade com transmissões em 360 graus nessa resolução, além de HDR.

Para tanto, os novos chips terão plena compatibilidade com o codec VP9 (do YouTube) e com o HEVC 10-bit, características não existentes nos processadores de sexta geração.

Intel Core - 4K

É como se fosse um esforço para tornar o 4K mais presente. O suporte aos novos codecs deve trazer compressão que viabiliza o streaming até em conexões mais lentas. E o que talvez seja mais importante: não haverá mais exigência de energia para isso, detalhe que é especialmente relevante para quem usa laptops.

Para exemplificar, a Intel afirma que, quando comparado a um PC fabricado há cinco anos (com chip Sandy Bridge), os novos processadores podem codificar vídeo em 360 graus e 4K com HEVC de modo até 8,6 vezes mais rápido.

O que mais?

Além do foco em 4K, a Intel destaca a compatibilidade com as especificações do Thunderbolt 3 (o que implica em suporte ao USB-C) e integração com o Windows Hello, aquele recurso que permite que você faça login no Windows 10 ou em serviços web compatíveis usando autenticação biométrica.

Para a maioria dos consumidores, provavelmente esses recursos não são muito relevantes, mas fazem sentindo se analisarmos a estratégia da Intel. Como a companhia falhou miseravelmente no mercado de smartphones, os chips Kaby Lake carregarão (ainda mais) a missão de marcar presença em uma grande variedade de dispositivos: laptops ultrafinos, Chromebooks (estão vendendo muito nos Estados Unidos), PC gamers, mini-PCs, tablets, aplicações de realidade virtual e por aí vai. Se esse é objetivo, quanto mais compatibilidade, melhor.

Intel Core - sétima geração

Em relação aos games, bom, a arquitetura gráfica é a mesma da geração anterior (Intel Gen9), com a diferença de ter sofrido alguns ajustes. Esse aspecto deve favorecer não só o consumo de conteúdo em 4K, como melhorar a renderização de gráficos nos games. Segundo a Intel, o processamento de gráficos 3D deverá ser até 3,5 vezes mais rápido, embora, novamente, na comparação com um PC de cinco anos.

Outras características incluem Turbo Boost 2.0, Speed Shift, HDMI 2.0, HDCP 2.2, chipset da série 200 (mas deve haver compatibilidade com a série 100) e modelos com TDP de até 95 W.

Quando chega?

A Intel fez hoje (30) um anúncio meramente preliminar dos processadores Kaby Lake, portanto, muitas informações ainda estão faltando. Mas a gente já sabe que a sétima geração de chips Core será lançada em fases — é um costume da empresa.

Os primeiros equipamentos com os novos chips devem ser anunciados já em setembro (possivelmente, veremos alguns deles na IFA, que começa nesta semana). Eles serão equipados com chips Kaby Lake de baixo consumo, voltados para dispositivos portáteis. Processadores com mais desempenho deverão aparecer só no final do ano ou no começo de 2017.

Intel Core Kaby Lake UIntel Core Kaby Lake Y

Se valerá a pena? A não ser que você esteja realmente interessado em extrair o máximo de desempenho em 4K, um chip Core da geração atual continuará sendo… atual. Não é que os avanços da linha Kaby Lake não sejam relevantes. São. Mas não há nada realmente novo.

De todo modo, o que a Intel prometeu foi uma otimização na nova geração e, pelo visto, isso será feito, embora a gente ainda dependa de resultados de testes para termos certeza.

Apesar disso, dá para notar alguma preocupação com a reação do mercado. Achei curioso o quanto a Intel fez questão de comparar as novidades com PCs fabricados há cinco anos. Provavelmente, não é mero acaso: a companhia sabe que não serão muitos os usuários da sexta geração (ou mesmo da quinta) que verão motivos para fazer a troca. Mas os consumidores que têm máquinas mais antigas talvez fiquem mais tentados. Assim, é conveniente dizer nas entrelinhas que este é um bom momento para isso.