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A realidade virtual pode te ajudar a ter sonhos lúcidos

Imagine controlar os sonhos como em um jogo. Estudos sugerem que dá para treinar o cérebro para isso.

Emerson Alecrim Por

Eu não sei te dizer qual o meu filme preferido. Depende do momento. Mas Inception é sempre um forte candidato: a temática dos sonhos me fascina. Apesar de ser uma obra de ficção, o filme expõe conceitos que têm algum fundo de verdade. É o caso da manipulação dos sonhos, uma arte possível, mas cercada de limitações. É por isso que vários mecanismos vêm sendo estudados para esse fim. Um deles é a realidade virtual.

Um soldado soviético! Ah, é só o cachorro

Quando eu jogava GoldenEye 007 no Nintendo 64, frequentemente terminava as fases com batimentos cardíacos acelerados. Às vezes eu até suava. Cada soldado que aparecia na minha frente era um susto. Toda vez que o Rumble Pak funcionava — o acessório que fazia o joystick vibrar — era uma aflição: significava que eu estava levando tiros.

Logo após a jogatina, se eu fosse imediatamente ao banheiro ou à cozinha, por exemplo, chegava lá tendo a ligeira impressão de que algum soldado soviético estava esperando ali com uma arma em mãos. Coisa do meu estado de vigília no jogo, que precisava de alguns minutos para ser desligado.

É claro que eu sabia que aquilo não passava de uma brincadeira. Mas a parte irracional do cérebro não é muito boa em distinguir uma simulação da realidade: se você estiver imerso em um jogo, aquilo será real para você nos momentos de execução.

GoldenEye 007

Basta terminar o game ou alguém te interromper que a “realidade real” volta, mas alguns resquícios do que você encontrou no mundo virtual podem permanecer por alguns instantes ou, dependendo da frequência com que você joga, surgir mais tarde a partir de algum estímulo. Essa estranha ocorrência tem até nome: Fenômeno de Transferência de Jogo (GTP, na sigla em inglês) — ou efeito Tetris.

O cérebro é uma máquina de simulações

De certa forma, os sonhos também são simulações. O cérebro é muito bom em criá-las. Só que, por padrão, você não exerce nenhum controle consciente sobre o que acontece ali. Na verdade, você nem sabe que está sonhando. Você só percebe que aquilo não é real quando desperta.

A exceção fica para os sonhos lúcidos, aqueles em que você nota que está sonhando. Em um sonho “normal”, você acorda se notar que está sonhando. É como se você tivesse estragado a brincadeira (seja ela assustadora ou não). Mas, se você permanece lá, está tendo um sonho lúcido.

Provavelmente, você já teve algum sonho desse tipo. Vez ou outra eu tenho um e acho fascinante: como eu sei que estou sonhando, posso fazer coisas que no mundo real me deixariam em apuros, como pular de um penhasco (e chegar ao chão fazendo pose de Jaspion) ou dizer que o Windows Phone é uma merda lá no Tecnogrupo (calma, brincadeirinha).

Sonho

Se repararmos bem, sonhos lúcidos têm algumas semelhanças com os games. Se algo der errado — tipo, você morreu —, você simplesmente volta para a vida real. Se você se cansar, também. Além disso, você tem controle sobre as decisões, ainda que as suas opções de ação sejam limitadas.

Há mais uma coisa que liga jogos aos sonhos: o tal do efeito Tetris também pode se manifestar quando você estiver sonhando. A psicóloga Angelica B. Ortiz de Gortari, da Universidade de Liège, é uma grande estudiosa do GTP. Em experimentos com voluntários, ela descobriu que muitos jogadores visualizam cenas de games nos sonhos ou realizam movimentos com os dedos associados ao uso do joystick.

Não é mera coincidência. Jayne Gackenbach, psicóloga da Universidade MacEwan, descobriu com jogadores frequentes que o mundo fictício e controlável dos games pode fazer uma pessoa encarar sonhos sob a mesma óptica das jogatinas. Essa percepção dá a entender que, para o cérebro, sonhos e ambientes virtuais são a mesma coisa do ponto de vista prático.

Vida real + realidade virtual

O sonho é meu e eu faço o que quiser — ou quase

Isso significa que um jogador regular pode ter sonhos lúcidos com muito mais frequência que uma pessoa que não joga. É como se os games treinassem o cérebro para assumir o controle da realidade. Se em um jogo você consegue controlar o que faz, o cérebro entende que dá para fazer o mesmo nos sonhos.

Como um sistema de realidade virtual consegue criar ambientes bastante imersivos, Gackenbach acredita que dispositivos como o Oculus Rift podem ser mais eficientes na tarefa de aumentar a lucidez dos sonhos. De fato, voluntários que participaram de experimentos conduzidos pela psicóloga usando Oculus Rift relataram uma frequência maior de sonhos lúcidos, tal como os jogadores.

Oculus Rift

Se a realidade virtual pode levar ao surgimento de sonhos lúcidos, será que também consegue induzir o contexto deles? Bom, esse é um dos vários pontos sobre o assunto que ainda são alvo de estudos. Mas dá para presumir que sim. Segundo Gackenbach, quanto mais você acha que está em uma realidade, mais a sua memória em relação a outros ambientes vivenciados é estimulada. Assim, o que você faz em um mundo virtual poderia mesmo servir de treinamento para o controle de um sonho.

As pesquisas sobre o assunto continuam. Não para chegar a algo perto do que é retratado em Inception, mas para ajudar na compreensão do que acontece dentro das nossas cabeças. Talvez, no final das contas, os estudos também apontem com precisão quais as implicações negativas dessa invasão de mundos virtuais.

Partindo para uma visão otimista, eventualmente, as conclusões tiradas daí poderão abrir caminho para a criação de programas que tratam traumas psicológicos ou problemas mentais com mais eficácia, afinal, várias nuances dos sonhos ainda são misteriosas, mas sabemos há tempos que eles dizem muito sobre o que se passa na vida de cada indivíduo.

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Caleb Enyawbruce

valeu pelas informacoes e melhoras

Ramon Gonzalez
valeu pelas informacoes e melhoras
Eddy

Sim, é um do conjunto de sintomas da Síndrome do Pânico. Mas o assunto, pelas pesquisas que fiz, é bem complexo nas subdivisões existentes.
Quando alguém possui SP, os acontecimentos são mais frequentes além da ansiedade sente-se muito medo, de lugares, pessoas, etc e muitas vezes os sentimentos saem do controle causando um ataque de pânico.
Desrealização também causa um pouco de medo, mas não sabe-se do quê, as vezes medo de morrer também, claro que todos temos, mas durante a "recaída" fica meio claro que de um instante pro outro você pode simplesmente adormecer e não voltar mais. Além de se parecer distante do que tudo, fora de si, sem sentimentos ou emoções (além de medo e ansiedade). Também pode aparecer a Despersonalização, onde a pessoa estranha a seu próprio corpo, como não fosse ela mesma, mas não passei exatamente por isso.
Mas ainda é possível se controlar externamente e não aparentar algo de errado, creio que com a SP não seja tão fácil.
Única coisa que tranquiliza é saber que um dia vai passar.
Na 1a vez, com 16 anos, duro e cerca de 3 semanas. Meses atrás, com 28, durou umas 2 semanas mas não todos os dias. Foi mais fraco por eu ter conhecimento do assunto e maior controle da situação.
É extremamente ruim e espero não acontecer novamente. Descobri também que não é algo tão incomum quanto pensava.

_KJ
Sim, é um do conjunto de sintomas da Síndrome do Pânico. Mas o assunto, pelas pesquisas que fiz, é bem complexo nas subdivisões existentes. Quando alguém possui SP, os acontecimentos são mais frequentes além da ansiedade sente-se muito medo, de lugares, pessoas, etc e muitas vezes os sentimentos saem do controle causando um ataque de pânico. Desrealização também causa um pouco de medo, mas não sabe-se do quê, as vezes medo de morrer também, claro que todos temos, mas durante a "recaída" fica meio claro que de um instante pro outro você pode simplesmente adormecer e não voltar mais. Além de se parecer distante do que tudo, fora de si, sem sentimentos ou emoções (além de medo e ansiedade). Também pode aparecer a Despersonalização, onde a pessoa estranha a seu próprio corpo, como não fosse ela mesma, mas não passei exatamente por isso. Mas ainda é possível se controlar externamente e não aparentar algo de errado, creio que com a SP não seja tão fácil. Única coisa que tranquiliza é saber que um dia vai passar. Na 1a vez, com 16 anos, duro e cerca de 3 semanas. Meses atrás, com 28, durou umas 2 semanas mas não todos os dias. Foi mais fraco por eu ter conhecimento do assunto e maior controle da situação. É extremamente ruim e espero não acontecer novamente. Descobri também que não é algo tão incomum quanto pensava.
Caleb Enyawbruce

Isso nao tem a ver com sindrome do panico? Pelas informações que você disse, parece ter alguma relação. Realmente deve ser terrível.

Quanto ao filme, vou adicionar na minha lista.

Ramon Gonzalez
Isso nao tem a ver com sindrome do panico? Pelas informações que você disse, parece ter alguma relação. Realmente deve ser terrível. Quanto ao filme, vou adicionar na minha lista.
Caleb Enyawbruce

Materia muito boa (texto / tema...). Eu costumo ter bastante sonhos desse tipo que você chamou de "sonhos lúcidos". Mas não lembro se consigo fazer taaantas coisas incríveis assim neles. Geralmente minha tendência quando descubro que é sonho é tentar acordar o mais rápido possível, mesmo quando são sonhos bons ou simples.

Agora, eu tenho com uma frequencia consideravel um tipo contário: eu acho que acordei, mas na verdade ainda estou sonhando. Esses são terríveis. São literalmente sonhos dentro de sonhos, ou inceptions, não absurdos como no filme (e só aconteceu uma "camada" até agora). Geralmente ocorre quando eu sonho que estou dormindo, e nesse sono dentro do sonho, eu tenho outro sonho (um "sub-sonho" ou algo do tipo). Quando isso acontece, eu "acordo" do "segundo sonho" e acho que acordei de verdade, então fico mais um tempo no "primeiro sonho" (sem perceber que é sonho) e depois acabo acordando por algum motivo e me surpreendendo realmente (já que achava que já tinha acordado hahaha!). Não deve ser algo tão incomum, já que eu já comentei sobre isso com algumas pessoas que relataram ter a mesma experiencia.

"É claro que eu sabia que aquilo não passava de uma brincadeira. Mas a parte irracional do cérebro não é muito boa em distinguir uma simulação da realidade: se você estiver imerso em um jogo, aquilo será real para você nos momentos de execução. Basta terminar o game ou alguém te interromper que a “realidade real” volta, mas alguns resquícios do que você encontrou no mundo virtual podem permanecer por alguns instantes ou, dependendo da frequência com que você joga, surgir mais tarde a partir de algum estímulo. Essa estranha ocorrência tem até nome: Fenômeno de Transferência de Jogo (GTP, na sigla em inglês) — ou efeito Tetris."

Interessante você ter citado isso. Vejo muita gente revoltada quando algumas pessoas dizem acreditar que determinados tipos de games ou RPGs podem influenciar comportamentos nas pessoas, mas se nosso cérebro tem essa real dificuldade em alguns momentos de definir ou separar o que é real do que é ficção/fantasia/simulação/sonho, somado a essas outras informações que você citou, essa influencia é uma possibilidade, não? Lógico que ela sozinha não faria uma pessoa sã cometer um ato completamente fora de sua realidade, mas somada a outras práticas e ideias com influências psicológicas/comportamentais...

"ou dizer que o Windows Phone é uma merda lá no Tecnogrupo"
Huahhuahuauha!! :P

Ramon Gonzalez
Materia muito boa (texto / tema...). Eu costumo ter bastante sonhos desse tipo que você chamou de "sonhos lúcidos". Mas não lembro se consigo fazer taaantas coisas incríveis assim neles. Geralmente minha tendência quando descubro que é sonho é tentar acordar o mais rápido possível, mesmo quando são sonhos bons ou simples. Agora, eu tenho com uma frequencia consideravel um tipo contário: eu acho que acordei, mas na verdade ainda estou sonhando. Esses são terríveis. São literalmente sonhos dentro de sonhos, ou inceptions, não absurdos como no filme (e só aconteceu uma "camada" até agora). Geralmente ocorre quando eu sonho que estou dormindo, e nesse sono dentro do sonho, eu tenho outro sonho (um "sub-sonho" ou algo do tipo). Quando isso acontece, eu "acordo" do "segundo sonho" e acho que acordei de verdade, então fico mais um tempo no "primeiro sonho" (sem perceber que é sonho) e depois acabo acordando por algum motivo e me surpreendendo realmente (já que achava que já tinha acordado hahaha!). Não deve ser algo tão incomum, já que eu já comentei sobre isso com algumas pessoas que relataram ter a mesma experiencia. "É claro que eu sabia que aquilo não passava de uma brincadeira. Mas a parte irracional do cérebro não é muito boa em distinguir uma simulação da realidade: se você estiver imerso em um jogo, aquilo será real para você nos momentos de execução. Basta terminar o game ou alguém te interromper que a “realidade real” volta, mas alguns resquícios do que você encontrou no mundo virtual podem permanecer por alguns instantes ou, dependendo da frequência com que você joga, surgir mais tarde a partir de algum estímulo. Essa estranha ocorrência tem até nome: Fenômeno de Transferência de Jogo (GTP, na sigla em inglês) — ou efeito Tetris." Interessante você ter citado isso. Vejo muita gente revoltada quando algumas pessoas dizem acreditar que determinados tipos de games ou RPGs podem influenciar comportamentos nas pessoas, mas se nosso cérebro tem essa real dificuldade em alguns momentos de definir ou separar o que é real do que é ficção/fantasia/simulação/sonho, somado a essas outras informações que você citou, essa influencia é uma possibilidade, não? Lógico que ela sozinha não faria uma pessoa sã cometer um ato completamente fora de sua realidade, mas somada a outras práticas e ideias com influências psicológicas/comportamentais... "ou dizer que o Windows Phone é uma merda lá no Tecnogrupo" Huahhuahuauha!! :P
Eddy

Ainda não assisti, mas com certeza não é terror. Trata do assunto que citei, que é um problema dissociativo provocado pela extrema ansiedade sem motivo, onde o principal é horrível sintoma é a sensação de estar num sonho, sensação de não ter controles das próprias ações ou tudo estar acontecendo automaticamente, além da estranheza do ambiente ao redor, pessoas, lugares, etc.
Existem depoimentos no YT de pessoas que passaram/passam por isso constantemente.
Passei 2x na minha vida e é uma sensação horrível!

_KJ
Ainda não assisti, mas com certeza não é terror. Trata do assunto que citei, que é um problema dissociativo provocado pela extrema ansiedade sem motivo, onde o principal é horrível sintoma é a sensação de estar num sonho, sensação de não ter controles das próprias ações ou tudo estar acontecendo automaticamente, além da estranheza do ambiente ao redor, pessoas, lugares, etc. Existem depoimentos no YT de pessoas que passaram/passam por isso constantemente. Passei 2x na minha vida e é uma sensação horrível!
Caleb Enyawbruce

Qual o genero do filme? No IMDB está como "Mystery / Thriller". É terror?

Ramon Gonzalez
Qual o genero do filme? No IMDB está como "Mystery / Thriller". É terror?
Eddy

Alguém já ouviu falar em Desrealização?

Existe um filme que retrata o assunto (e a despersonalização que geralmente acompanha), mas ainda não assisti: Numb (com Matthew Perry, sim o Chandler).

_KJ
Alguém já ouviu falar em Desrealização? Existe um filme que retrata o assunto (e a despersonalização que geralmente acompanha), mas ainda não assisti: Numb (com Matthew Perry, sim o Chandler).
Eddy

Sou mais um.
Na verdade acho que nem sonho, ou simplesmente não lembro/sei que sonhei.
Se eu acordar e voltar a dormir, aí tenho algum sonho, mas completamente sem sentido e rapidamente saio dele.

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