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Baliza é moleza para os carros que estacionam sozinhos

Enquanto os carros autônomos não chegam, a indústria aposta em tecnologias que estacionam o veículo para você

Emerson Alecrim Por

Carros totalmente autônomos serão mais comuns nas ruas do que grupos de família no WhatsApp. Mas esse dia vai demorar para chegar. Enquanto isso, a indústria automotiva tenta facilitar a vida dos motoristas. Uma tecnologia que vem ganhando força é a que faz o carro estacionar sozinho, um alívio para quem tem pavor de baliza.

Um conhecido meu, motorista experiente que é, certa vez disse que quem não sabe fazer baliza não deveria ter CNH. Foi um discurso um tanto agressivo, mas, de fato, a premissa básica de um documento como esse é atestar que a pessoa tem as habilidades necessárias para controlar um carro, ao menos nas situações corriqueiras.

Mas não é só questão de saber ou não saber. Conheço gente que dirige há tempos, mas odeia estacionar o carro quando o espaço para manobra é muito reduzido ou quando a vaga fica em um aclive: é necessário considerar o tamanho do automóvel, as distâncias entre os demais veículos, a aproximação de pedestres, os pontos cegos e por aí vai.

Em resumo, estacionar é um procedimento difícil para uns e simplesmente irritante para outros. Se de um lado há gente que não se importa com isso, de outro, existe uma legião de pessoas que vê aí o principal problema de assumir a direção de um carro.

Estacionando

Olha, mãe, sem as mãos!

A indústria automotiva sabe disso. Sabe tão bem que alguns fabricantes decidiram explorar o assunto. As soluções mais simples consistem em sensores e câmeras traseiras que ajudam o condutor a estacionar o veículo. As mais avançadas assumem todo o trabalho de estacionar — ou quase todo.

Um exemplo vem da Ford. Na semana passada, a companhia anunciou uma nova versão de seu sistema avançado de assistência à direção (ADAS, na sigla em inglês). A tecnologia tem entre suas funções um mecanismo de alerta para prevenção de colisões, um monitor de pontos cegos e um assistente de estacionamento (Active Park Assist).

Active Park Assist da Ford

Essa tecnologia existe há alguns anos, estando disponível em vários países para modelos como Ford Focus e Ford Edge. O que o sistema faz, basicamente, é utilizar sensores para medir a vaga e, assim, determinar se o carro cabe ali. Se positivo, a tecnologia assume o volante e realiza as manobras, cabendo ao motorista controlar os pedais e acionar a ré quando necessário.

Para iniciar o procedimento, tudo o que o condutor precisa fazer é parar o carro em um ponto paralelo à vaga, mas um pouco à frente, e apertar um botão. O sistema começará a fazer a manobra. Na versão mais recente da tecnologia, não é necessário controlar os pedais: o computador também assume essa tarefa.

Sair também é uma missão que cabe ao Active Park Assist da Ford, com um diferencial: sabe quando você está saindo de ré da vaga de estacionamento e uma pessoa ou um veículo passa atrás bem nesse momento? Pois então, os sensores também são capazes de detectar obstáculos móveis e paralisar a manobra para evitar atropelamentos ou colisões.

De acordo com a Ford, a tecnologia funciona tão bem que, se todos os carros a tivessem, haveria mais vagas para estacionamento nas ruas: como os cálculos são precisos, os veículos poderiam ficar mais próximos uns dos outros e, mesmo assim, serem manobrados automaticamente com segurança.

Use o smartphone para estacionar

É claro que a Ford não é a única a apostar em tecnologias de estacionamento automático. Companhias como Volvo, Volkswagen e BMW também têm sistemas do tipo, só para dar alguns exemplos. Todos funcionam de maneira parecida: sensores e câmeras ajudam um computador de bordo a analisar o espaço e realizar a manobra mais adequada para o estacionamento.

No ano passado, uma tecnologia da Mercedes-Benz roubou a cena por apresentar um diferencial inusitado: a possibilidade de ordenar que o carro estacione em uma vaga ou saia dela a partir do smartphone.

A ideia é que você fique perto do carro, abra o aplicativo correspondente e, via Bluetooth, faça sincronização com o computador do veículo. Depois disso, você pode dar comandos a partir de toques na tela para o automóvel ir para frente ou para trás e, claro, manobrar.

Coisa de filme, né? Parece o tipo de ideia que serve apenas para impressionar. Mas a Mercedes afirma que há aplicação prática aqui, sim: ao usar o smartphone, você pode manobrar visualizando diretamente todo o espaço disponível e os obstáculos, afinal, você está fora do carro. Segundo a companhia, esse recurso é especialmente útil para estacionar automóveis grandes, como é o caso do Classe E.

As ideias não acabam aí. A Volkswagen, por meio da Audi, estuda há algum tempo uma tecnologia que vai ainda mais longe: um carro que procura uma vaga sozinho, estaciona nela e, a partir de um comando enviado via smartphone, sai dali para ir até você.

Por ora, essa tecnologia não passa de um conceito, mas seria ótimo descer do carro na porta do estacionamento (de um shopping, por exemplo) e deixar que o veículo se encarregue de achar uma vaga, não? É claro que há alguns riscos, como o de o sistema ser hackeado ou o carro tentar entrar em uma vaga que já estava sendo cogitada por outra pessoa, mas são aspectos que podem ser trabalhados.

Não precisa ser para todo mundo

Em 2011, a Ford realizou uma pesquisa na Europa para saber se tecnologias de estacionamento automático são mesmo relevantes. De cada três motoristas entrevistados, um admitiu ter que tentar mais de uma vez quando precisa estacionar o carro em fila. O levantamento também apontou que o problema causa mais estresse entre jovens, afinal, eles são menos experientes na direção.

Esses dados indicam que, sim, tecnologias do tipo fazem diferença para muita gente, podendo até pesar na decisão de compra do veículo. Mas elas não servem para todo mundo.

Há relatos de motoristas que compraram carros com Active Park Assist que estão tão habituados a estacionar o veículo que simplesmente esquecem de acionar a tecnologia. Alguns até se lembram que o recurso está lá, mas preferem fazer o procedimento manualmente por acharem que são mais rápidos.

Active Park Assist da Ford

Também há algumas limitações: dependendo do fabricante ou do carro, a tecnologia pode requerer um espaço maior que o disponível para a realização da manobra. Nessas circunstâncias, se você tem certeza que o carro cabe ali, terá que estacioná-lo por conta própria. Leve em conta também que a tecnologia não é à prova de falhas.

Mas, de modo geral, esse tipo de sistema mais ajuda do que atrapalha. Isso é importante para o setor: assim como o câmbio automático, tecnologias de estacionamento podem atrair compradores que têm pouca familiaridade com carros.

Para a indústria automotiva, o importante é vender, não importa se para motoristas experientes ou novatos. Por conta disso, dá para esperar que o Active Park Assist e sistemas similares sejam comuns nos próximos anos, inclusive em carros mais acessíveis.

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Trovalds
- Olha, mamãe! Um troll! - Não alimente os trolls, meu filho!
Lobo Solitário
Quantos machões inseguros de sua masculinidade que precisam reforçar atrás do volante, ui ui
Lobo Solitário
Look out, we have a badass here!! ui ui
Gertrudes, a Lhama
Então, eu argumentei de diversas formas que uma coisa não tem a ver com a outra.
David Diniz
Não é uma questão de ser o "Macho alfa bola azul" a questão é que se a pessoa tem preguiça de fazer uma simples baliza imagina o tanto de caca que ela faz enquanto está dirigindo.
David Diniz
Concordo plenamente. Se a pessoa tem PREGUIÇA de fazer uma simples baliza o lugar é no passageiro e não no motorista.
David Diniz
É interessante para idosos e preguiçosos esse recurso, mas eu ainda prefiro eu mesmo dirigir e efetuar baliza.
Trovalds
Isso explica muito... :(
Jambeiro
Sabe o que é curioso? Aqui no DF o exame de direção não exige baliza.
Arley Martins
Evito ao máximo baliza. É chato de fazer e requer muita atenção. So faço baliza quando não tem vaga nem mesmo longe. Se tivesse jeito de instalar no meu carro eu colocaria pra ele fazer por mim.
ochateador
Só obrigar/mandar refazer o exame teórico e prático a cada 5 anos e reduzimos o número de "motoristas" no Brasil em 10~50%. Apesar de ter menos que de 3 anos de CNH, o que já peguei de vaga maldita para estacionar não é brincadeira, mas sempre encaro como um desafio para melhorar minhas habilidades de baliza (que é a coisa mais fácil de fazer com um carro e leva menos de 1 minuto).
Jorge Luis
eu sei fazer baliza com muita facilidade e mesmo assim não gosto. se o carro fizesse para mim seria melhor. não é uma atividade que eu curto. Por isso não vejo problema da tecnologia fazer isso por mim.
Daniel Lucena
Mas ninguém falou que não sabe, mas é chato pra caramba mesmo... Eu não curto, sempre evito baliza etc etc...
Stark
É uma tecnologia interessante, certamente eu usaria se meu carro tivesse. Gosto de dirigir, mas uma das partes mais chatas é estacionar. Tem lugar que é tão crítico que, antes de sair de casa, a pessoa fica pensando no quão longe vai ter que estacionar, se é que vai ter vaga. Beleza, você conseguiu estacionar e pá, fez o que tinha de fazer e quando volta para o carro, lá está ele todo espremido no meio de dois carros, e haja manobra pra frente e pra trás. Se não tiver sensor de ré, a tarefa é mais trabalhosa ainda. Também deve-se considerar que o grau de dificuldade varia de acordo com o carro. Tem uns que são moleza de estacionar: compactos, retrovisor de tamanho razoável, boa área envidraçada e bom diâmetro de giro. Este último é a distância necessária para fazer um retorno entre guias, sem engatar a ré. Pego como exemplo o Nissan March, que tem diâmetro de giro de 9 metros, e o Palio Fire, com 9,8 metros de diâmetro de giro. Os dois carros tem o mesmo comprimento, enquanto o Nissan é um pouco mais largo e tem distância entre-eixos maior. Numa rua de 9,1 metros de largura, o March consegue fazer o retorno de uma vez só, enquanto o Palio vai exigir manobra adicional. Esse dado também pode ser encontrado como raio de giro, logicamente, a metade do diâmetro de giro. No que isso se traduz? Numa vaga de shopping, o March requer menos espaço para entrar e sair da vaga, não precisando abrir tanto a manobra, pois o ângulo necessário é menor. Numa baliza, isso também fica evidente: o March terá mais facilidade para entrar na mesma vaga que o Palio. A visibilidade interna também conta. Muitos fabricantes acabam sacrificando a visibilidade em troca do design, ao elevar a linha de cintura, diminuir a área envidraçada e colocar alguns vincos acentuados na carroceria. Para completar, retrovisores pequenos, para uma melhor aerodinâmica. Com isso, quero dizer que a dificuldade em manobrar o carro não decorre apenas do tamanho dele. Há vários fatores em jogo. Porém, caso tivesse grana para encarar um hatch médio, não escolheria o Focus apenas por esse recurso de estacionamento automático. Se por acaso ele for pior em outros pontos importantes, até ficaria com um concorrente sem a função. Resumindo: um recurso bacana, mas não essencial. Por um valor aceitável, valeria pagar por ele. Com o aumento do número de carros na rua e as vagas que não acompanham esse crescimento, é uma tecnologia que deve se popularizar, resta saber em quanto tempo. Acredito que seja apenas uma fração do que está por vir, pois em algumas décadas, poderemos ser meros passageiros do carro, por meio da condução autônoma. Tal cenário, digno do filme "Eu, robô", ainda é distante, mas não impossível. Ps.: Importante ressaltar, ainda, que a tecnologia de estacionamento automático pode ter funcionamento diferente até dentro da mesma marca. Salvo engano, as primeiras gerações só estacionavam em vaga paralela (baliza), enquanto alguns mais recentes passaram a incluir vagas perpendiculares (vaga de shopping).
Gertrudes, a Lhama
Em momento algum afirmei que são habilidades menos exigentes, nem refutei seus argumentos de que boa parte dos motoristas não consegue ter o mínimo de precaução no trânsito. Apenas afirmei que são habilidades diferentes e que uma não tem total relação com a outra. Como você mesmo disse, não saber fazer baliza (quase)não oferece riscos, enquanto não saber se comportar em movimento sim. Se eu quando precisar não conseguir fazer a baliza, sei que não vou estar pondo em risco a vida de ninguém. Quando eu estava aprendendo a dirigir e não tinha confiança, evitava avenidas movimentadas justamente pra minimizar esse risco. Concordo com você que o treinamento dado antes de conseguir a habilitação é precário, eu mesmo quando a consegui não me sentia preparado pra enfrentar o trânsito louco da cidade. Como disse meu instrutor: "A função da auto escola é te ensinar a passar pela prova, não a dirigir na cidade". E hoje, bom seria se quando você buzinasse ou oferecesse ajuda as pessoas apenas recusassem ou fossem embora como você disse, pois já teve vários casos aqui na cidade onde uma simples buzinada gerou tiroteio.
Trovalds
Você, com sua experiência de passageiro de transporte coletivo, no máximo carona em um carro, querendo afirmar que "outras habilidades" são menos exigentes que baliza e garagem. Meus parabéns! Baliza e garagem são habilidades em que não existe risco nenhum para o condutor ou para terceiros, exceto se for um pedestre sem noção e olhe lá. Já trânsito é MOVIMENTO. Um veículo acima de 35km/h já provém risco de acidente com lesão pro motorista. Se você leu meu texto inteiro viu que eu critiquei a forma em que são formados condutores no BR. Totalmente falho já que OBRIGATORIAMENTE pra se conseguir a habilitação você tem que passar no teste de baliza e de garagem. Tanto que eu mesmo AFIRMEI que tive dificuldade no começo. A diferença é que eu tive a humildade de aceitar que eu era deficiente na manobra e aceitei ajuda de um estranho. Agora vai tentar ajudar uma pessoa na rua pra ver o que acontece. No mínimo vai ser um "não, obrigado" e a pessoa desistindo da vaga porque não sabe fazer uma manobra simples.
Gertrudes, a Lhama
A questão é que fazer uma baliza ou estacionar de ré exigem habilidades diferentes do que simplesmente andar pela rua, parar nas sinaleiras, ligar o pisca, etc. Ser ruim em uma coisa não te torna ruim na outra. Eu não tenho carro próprio ainda, então minha experiência na direção é basicamente sair de casa e ir pra faculdade com o carro do meu pai. Depois que saí da auto escola, nunca precisei fazer uma baliza. Obviamente eu não vou ser muito bom nisso pois não tenho prática alguma, mas isso não quer dizer que não sei andar na rua. O foda é que quando fala de carro mexe com a testosterona dos machos, que ficam desesperados precisando reafirmar sua masculinidade dizendo que quem não sabe não merece dirigir, que eles são os maiorais e etc. No caso, não estou falando de você.
Trovalds
Se a pessoa não sabe fazer uma baliza ou estacionar em uma garagem de ré, então a pessoa tem é que ser passageiro e não motorista. Não é o fim do mundo aprender essas duas manobras básicas. Eu mesmo sofria no começo pra fazer baliza perto do trabalho até que um Policial Militar me ensinou uns macetes simples pra fazer a manobra sem stress. Garagem de ré prefiro nem comentar, isso é mais fácil que uma baliza. "Ah, mas a pessoa fica nervosa, mimimi..." então volto ao meu primeiro parágrafo: "a pessoa tem que ser passageiro e não motorista". Aliás hoje em dia o que mais te tem no trânsito é pessoa despreparada pra dirigir. O problema nessas pessoas é que elas podem causar prejuízo a outrem. Se o prejuízo fosse só delas, eu não tava nem aí. Mas com a nossa legislação de trânsito falha acaba que gente despreparada causa é prejuízo pros outros arcarem. Já tive mais de uma colisão de trânsito em que EU acabei sendo culpado por manobra imprudente de terceiro. Não adianta nada assistentes pra manobras enquanto a pessoa for um péssimo motorista. Pro resto do tempo faz-se o que? Fica sentado dentro do carro esperando que todos os motoristas sejam um pouco menos despreparados? Ou torna a legislação pra tirar/renovar a habilitação mais rígida e exigindo mais dos candidatos a motorista ou já habilitados? #justmy2cents