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Onde houver fogo haverá realidade aumentada e drones ajudando os bombeiros

A Boeing é uma das organizações que estão investindo na combinação das duas tecnologias para combater incêndios

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3 anos atrás

Onde há fumaça, há fogo. Onde há fogo, pode haver bombeiros lutando bravamente para combater as chamas e salvar vidas. Mas mesmo as mais bem treinadas equipes têm dificuldades para lidar com determinados tipos de incêndios. É por isso que toda nova tecnologia no combate ao fogo faz diferença. As propostas mais recentes incluem uso de drones e realidade aumentada. Eu mostro algumas delas a seguir.

Um pequeno grande aliado

Combater o fogo em casas e prédios é difícil, mas quem quer entender o que é desafio extremo precisa enfrentar incêndios florestais. Neles, as chamas se espalham muito rapidamente, a fumaça pode desorientar, o acesso difícil obriga o uso de helicópteros ou aviões especiais e uma simples mudança na direção do vento é capaz de transformar em caos o que, minutos antes, parecia estar sob controle.

São tantas as variáveis que o melhor jeito de cobrir todas as possibilidades é apostar em um conjunto de ideias, e não apenas direcionar esforços em busca de uma solução única. Uma companhia que está seguindo essa abordagem à risca é a Boeing.

O nome imediatamente nos faz pensar em um gigantesco avião da empresa transportando trocentos litros de água (ou outro material de combate às chamas), como o Boeing 747-400 Supertanker, capaz de carregar até 75 mil litros. Mas, atualmente, a fabricante está focada em tipo muito menor de aeronave: sim, drones.

747-400 da Global SuperTanker

É que as finalidades são diferentes. Enquanto o Boeing Supertanker (ou outra aeronave de grande porte) libera água ou outro material sobre uma área engolida pelo fogo, o drone cumpre o papel de encontrar focos de incêndios ou, se for o caso, monitorar o avanço das chamas.

Não parece, mas essa tarefa é importantíssima. O fogo pode se alastrar por dezenas ou centenas de hectares e, ao mesmo tempo, os recursos de combate às chamas são limitados. Prever para onde o fogo avança e identificar as condições da área (umidade, tipo de vegetação, velocidade do vento, entre outros) são, portanto, ações que aumentam as chances de grandes estragos ou desperdício de recursos serem evitados.

Para tanto, os drones da Boeing contam com câmeras e sensores que permitem à equipe de monitoramento ter acesso a todos os dados em tempo real. Para facilitar o trabalho, as informações são exibidas em um mapa 3D que, além de mostrar onde estão os focos de incêndio, dá noções precisas sobre as características dos lugares atingidos, assim como da gravidade do problema. Basta que a equipe use algum dispositivo de realidade aumentada, como o Microsoft HoloLens.

Preparar, apontar, fogo!

Legal o projeto dos drones, não? E olha que essa não é a única ideia da Boeing. Outra proposta da empresa é o uso de uma arma capaz de reduzir ou, pelo menos, retardar o avanço de incêndios florestais.

Quando digo arma, é arma mesmo: a invenção consiste em uma espécie de canhão que dispara um projétil que, na primeira olhada, se passaria por um armamento de guerra. Mas, em vez de explosivos, o projétil contém um material que retarda chamas.

Já sacou a ideia, né? Fazer o projétil ser disparado sobre uma área de incêndio para conter o avanço do fogo. Segundo a Boeing, um “bombardeio” de seis horas com projéteis de 11,5 litros conseguiria dispersar mais de 800 mil litros de retardante de chamas. Um helicóptero atuando na mesma área poderia levar o dobro de tempo para liberar a mesma quantidade de material.

Boeing - patente

Será? Bom, é uma estimativa. Por ora, a ideia não passa de uma… ideia. A Boeing patenteou a proposta, mas não deixou claro se efetivamente está desenvolvendo o projétil. De todo modo, se a ideia for levada adiante, o objetivo não será o de substituir os equipamentos de combate a incêndios disponíveis atualmente, mas complementá-los.

Nesse sentido, dá até para imaginar o projétil sendo disparado por aviões, helicópteros ou mesmo um drone grande. Já pensou?

Mais realidade virtual

Ao contrário do que muita gente pensa, queimaduras e elevação da temperatura não são as únicas causas de óbitos em incêndios. A inalação de gases tóxicos gerados pelas chamas também pode causar a morte de uma pessoa. Por isso, mesmo que a vítima esteja longe o suficiente para não ser atingida pelo fogo, deve ser retirada do local o quanto antes.

Só que, não raramente, a fumaça resultante do incêndio é tão escura ou espessa que a pessoa simplesmente não consegue encontrar rotas de saída, mesmo quando ela conhece bem o prédio. Pelo mesmo motivo, os bombeiros podem acabar tendo dificuldades para localizar a pessoa ou, ainda, o local exato de determinado foco de incêndio.

Realidade aumentada com a Vizir

Realidade aumentada com a Vizir

Aqui, novamente, a realidade aumentada pode ser uma aliada dos bombeiros. Pesquisadores da Escola Federal Politécnica de Lausanne (EPFL), na Suíça, estão desenvolvendo uma viseira que, a partir de uma câmera térmica fixada no capacete, permite ao bombeiro identificar pessoas ou obstáculos mais facilmente no meio da fumaça: a Vizir.

Câmeras térmicas não são novidade para os bombeiros (ou não deveriam ser). Mas os dispositivos do tipo disponíveis atualmente, via de regra, devem ser levados na mão ou ocupam muito espaço.

A proposta da Vizir não é apenas deixar o bombeiro com as mãos livres (afinal, a câmera, de dimensões pequenas, é acoplada ao capacete), mas facilitar o trabalho dele ao exibir as imagens capturadas em um visor fixado à máscara de oxigênio ou em óculos.

Dessa forma, o bombeiro tem acesso a duas camadas de imagens: a que seus olhos naturalmente enxergam e a que é enviada pela câmera. Pode-se, portanto, alternar entre os dois tipos rapidamente, conforme a necessidade. Em uma fase posterior, um mecanismo de inteligência artificial poderá interpretar as informações da câmera para exibir informações mais precisas no visor.

Me alegra saber que os drones da Boeing e a Vizir são apenas alguns exemplos. Há muito mais sendo feito para ajudar os bombeiros a nos ajudarem quando a situação esquentar. É verdade que os custos poderão dificultar a adoção dessas tecnologias, mas aqui também há uma boa notícia: a maioria dos projetos está sendo desenvolvida desde o início para ter custo baixo de aquisição ou manutenção.

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