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A próxima grande inovação nos smartphones? O software

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11/01/2017 às 14h02
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Pense por alguns instantes nos smartphones lançados nos últimos meses. Algum deles conseguiu te empolgar de verdade? É possível que não, e a razão é simples: o hardware dos smartphones evoluiu tanto que até modelos que não custam muito conseguem fazer coisas incríveis. Se a câmera e a tela do seu aparelho te atendem bem, como a indústria te convencerá a trocar de celular? A resposta, segundo o WSJ.com, está no software.

O anúncio do primeiro iPhone acaba de completar dez anos. Esse modelo é um marco não só para a Apple, mas para toda a indústria: foi a partir dele que o mercado de smartphones que temos hoje se desenvolveu.

E se desenvolveu de maneira acirrada. Para destacar seus modelos, os fabricantes melhoraram uma série de componentes. As telas evoluíram tanto que já não conseguimos mais distinguir pixels; as câmeras traseiras ganharam sensores tão poderosos que desbancaram as câmeras digitais compactas; as câmeras frontais passaram a ter mais qualidade para corresponder à onda das selfies; o hardware básico (processador, RAM e GPU) já não deve nada aos PCs.

O primeiro iPhone

O primeiro iPhone

Esses são só exemplos. As inovações foram tão numerosas ao longo dos últimos anos que nos acostumamos a elas. A consequência disso é que os avanços mais recentes até conseguem nos convencer, mas não com a força de antes.

Os sinais dessa falta de “emoção” na indústria estão por todos os lados. No Brasil, por exemplo, o mercado de smartphones encolheu 11% em 2016. Com a crise econômica e a elevação dos preços, muita gente optou por ficar mais tempo com o aparelho que já possui, o que não é uma decisão difícil: de modo geral, dispositivos lançados há dois ou três anos ainda dão conta do recado.

Nos Estados Unidos também houve uma mudança de comportamento. Um levantamento do Citigroup aponta que, no final de 2016, o tempo que os consumidores levam para substituir um aparelho ficou em uma média de 31,2 meses. Em 2011, essa média era de 24 meses.

É verdade que, no caso dos Estados Unidos, a decisão das operadoras de telefonia de diminuir os subsídios na aquisição de aparelhos atrelados à assinatura de planos com contratos longos tem bastante peso aqui, mas, novamente, a satisfação com smartphones atuais tem feito muita gente optar por ficar mais tempo com eles.

A indústria já percebeu esse comportamento e, agora, busca formas de se adequar ao cenário. Para isso, o caminho mais óbvio parece ser o investimento em software.

Como exemplo temos, de novo, a Apple. As vendas da linha iPhone nos últimos meses não foram exatamente animadoras (embora também não tenham sido ruins), por outro lado, a companhia viu a receita com serviços como Apple Pay e App Store aumentar 24% em 2016 na comparação com o ano anterior.

Graças à inteligência artificial, o software poderá fazer muito mais. Analistas de mercado estimam que, em um futuro relativamente próximo, a compatibilidade dos smartphones com determinados serviços e a integração com assistentes como Siri, Google Assistant e Alexa (Amazon) pesarão bastante na decisão de compra, muito mais do que hoje.

O hardware continuará evoluindo, é claro, mas sem se distanciar da plataforma. Conforme frisa Raj Talluri, vice-presidente de produtos da Qualcomm, o “smartphone está se tornando um hub”, ou seja, deixando de ser um mero centralizador de aplicações pessoais para também controlar o que acontece em casa, por exemplo.

A inovação ficou invisível

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A inovação que antes era física e visível (telas multitouch, dispositivos poderosos e pequenos, etc) foi comoditizada. Está acessível, barata e nas mãos de todos os fabricantes. Daí a sensação de não há mais tanta evolução.

Agora, a verdadeira inovação só será perceptível aos olhos dos geeks. Ela será responsável por deixar os dispositivos cada vez mais inteligentes e funcionais, sem que as pessoas necessariamente saibam o que está acontecendo embaixo do capô. Será? Debatemos o assunto no Tecnocast 052. Aperte o play e confira!

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