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Operadoras questionam estudo sobre baixa disponibilidade do 4G no Brasil

Para o sindicato das operadoras, a metodologia usada pela OpenSignal tem falhas

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3 anos atrás

O relatório que a OpenSignal liberou na quarta-feira (18) que aponta o que está bom e o que está ruim nas redes 4G no Brasil foi questionado. Por quem? Sem surpresa nenhuma, pelo SindiTelebrasil, sindicato que representa as operadoras de telefonia fixa e móvel no Brasil. A entidade não concorda com as avaliações negativas a respeito da disponibilidade dos serviços.

No levantamento, a OpenSignal afirma que a velocidade do 4G no Brasil melhorou bastante. No período de medição, entre setembro e novembro de 2016, o país obteve média de velocidade de download de 19,7 Mb/s (megabits por segundo) enquanto a média global foi de 17,7 Mb/s. A Claro foi a operadora que apresentou a melhor média: 27,45 Mb/s.

Por outro lado, a pesquisa aponta que a disponibilidade ainda tem que melhorar. Nesse quesito, a operadora que obteve o melhor resultado foi a TIM, com disponibilidade de serviço de 59,21%. A pior foi a Oi, com 43,35%. Para o SindiTelebrasil, essas avaliações têm falhas.

A OpenSignal ressalta em seu relatório que adotou uma metodologia diferente nesse levantamento: em vez de mensurar a cobertura geográfica de cada operadora, a empresa rastreou as porcentagens de tempo que os usuários de seu aplicativo de medição tiveram no acesso às redes 4G.

Eis o ponto falho, na visão do sindicato: “tal premissa [medições via aplicativo] indica a possibilidade de medições em áreas onde não há obrigação de atendimento ou mesmo a oferta comercial do serviço em 4G”, diz um trecho da nota divulgada pela entidade.

OpenSignal - ranking 4G, janeiro de 2017

Como o próprio SindiTelebrasil lembrou, a Anatel exige atualmente que a disponibilidade de serviços 4G seja garantida em pelo menos 80% do território das localidades atendidas. As operadoras afirmam que estão respeitando essa norma.

Para reforçar a contestação à medição da OpenSignal, o SindiTelebrasil destacou ainda que “a tecnologia de quarta geração no Brasil está presente em 1.158 municípios, nos quais vivem 66,4% da população brasileira. Essa cobertura atual supera em quatro vezes a obrigação estabelecida pelo edital do 4G da Anatel, que é de 288 municípios até o fim de 2016”.

É por usar apps que podem ser baixados por usuários em todo o território nacional, inclusive em áreas não atendidas por redes 4G, que a metodologia da OpenSignal está sendo contestada, portanto.

De todo modo, é possível que a empresa já estivesse esperando esse tipo de questionamento, pois a OpenSignal frisou, no relatório mesmo, que tomou o cuidado de evitar que localidades sem oferta de 4G fossem consideradas para a análise da disponibilidade:

“Analisamos todas os dados no nível do dispositivo e calculamos apenas a disponibilidade em determinado aparelho depois de termos verificado que ele consegue se conectar com sucesso a uma rede LTE ao menos uma vez. Isso garante que a nossa métrica de disponibilidade só leve em conta dispositivos com LTE que tenham um plano compatível com 4G”.