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A fabricante da Vespa criou um robô que não te deixa carregar peso

Emerson Alecrim Por
3 anos atrás

Em vez de sair do mercado carregando um monte de sacolas ou colocar tudo no bagageiro do carro, simplesmente saia de casa levando o Gita. Ele é um robô que te segue para (quase) todos os lados para te livrar da tarefa de carregar peso. Mais uma invenção de uma startup buscando financiamento via crowdfunding, só que não: por trás do Gita está uma companhia que tem décadas de mercado.

Estou falando da italiana Piaggio — mais precisamente, da nova divisão Piaggio Fast Forward. Talvez você não conheça o nome, mas certamente já viu produtos da empresa por aí: a companhia é a fabricante das mundialmente famosas motocicletas Vespa, que começaram a ser vendidas na década de 1940.

As icônicas Vespas

As icônicas Vespas

Pelo menos na Europa, a linha Vespa foi por muito tempo símbolo de status ou estilo, tamanho o seu sucesso. Apesar disso e te der outras linhas de motos, a Piaggio entende que para sobreviver precisa de outro produto inovador, que tenha mais intimidade com os valores atuais referentes à mobilidade urbana.

É aqui que o Gita aparece. À primeira vista, você pensa que ele é qualquer coisa, menos um robô. A invenção não tem formato humanoide ou braços mecânicos. Trata-se, basicamente, de uma caixa arredondada. Mas aí você o vê andando — se locomovendo com duas rodas que o envolvem, na verdade — e percebe que ele é muito mais do que uma esfera esquisita.

Gita

Na parte superior do robô há uma tampa que, quando aberta, revela um compartimento com espaço suficiente para compras rápidas feitas no mercado ou uma coleção mediana de livros, por exemplo. No total, o Gita pode transportar 18 quilos de material.

Tudo pronto? É só fechar a tampa. O robô te seguirá mantendo uma pequena distância. E você pode apertar o passo, pois ele tem velocidade máxima de 35 km/h. A autonomia com uma recarga completa da bateria é de oito horas, aproximadamente. Um visor acima da tampa mostra o status da bateria e outras notificações.

O Gita conta com o auxílio de sensores, câmeras e GPS para se locomover. Graças a esses recursos, ele também pode seguir de um ponto a outro sozinho — para fazer uma entrega, por exemplo. Para tanto, basta que o caminho seja previamente mapeado.

Há algumas limitações. O Gita não pode subir escadas e, certamente, terá problemas para se movimentar em terrenos acidentados, por exemplo. A Piaggio ressalta que ele pode rodar em qualquer lugar que tenha sido devidamente preparado para a circulação de pessoas em cadeira de rodas.

Isso significa que, aqui no Brasil, o robô só conseguiria ser útil em poucos lugares. Mas, em países que levam a acessibilidade a sério, ele pode ser bem recebido.

Gita

Bom, pelo menos é o que a Piaggio espera. No contexto da mobilidade urbana, o Gita é uma aposta arriscada, mas que tem lógica se pensarmos que, por questões ambientais e de saúde, a locomoção não motorizada (por parte das pessoas) é cada vez mais incentivada — o robô pode te seguir tanto se você estiver caminhando quanto pedalando.

Mas a Piaggio não vê o Gita apenas como um assistente pessoal. Para a companhia, o robô também pode ser ajustado para atuar em entregas de correspondências, transportar ferramentas em obras ou levar refeições em quartos de hotéis, só para citar alguns exemplos.

No fundo, a Piaggio está se esforçando para se tornar tecnologicamente relevante. A empresa nasceu em 1884 (inicialmente, fabricando equipamentos ferroviários) e, por ser centenária, sabe que precisa percorrer caminhos ainda não trilhados se quiser chegar ao fim de mais um século.

Mesmo assim, a empresa não larga a sua zona de segurança: a linha Vespa (e tantas outras) continua em produção, apesar de já não ser tão relevante.

O preço do Gita possivelmente será revelado nesta quinta-feira (2), data do anúncio oficial do robô.

Com informações: designboom, WSJ.com

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