Início » Negócios Web » Vai ter mais produções brasileiras na Netflix, sim!

Vai ter mais produções brasileiras na Netflix, sim!

Quem promete é ninguém menos que Reed Hastings. O CEO e cofundador da Netflix está de passagem pelo Brasil.

Por
07/02/2017 às 20h48

Até que 3% conseguiu boa receptividade aqui, mas destaque mesmo a série encontrou na Europa e nos Estados Unidos. E esse é só o começo. Nesta terça-feira (7), a Netflix confirmou que outras produções originais brasileiras estão a caminho, incluindo a segunda temporada de 3% e uma série chamada Samantha. Palavras vindas de ninguém menos que Reed Hastings.

Sim, o cofundador e CEO da Netflix está de passagem pelo Brasil. Em evento realizado na manhã de hoje em São Paulo (SP), ele falou um pouco sobre os planos da companhia em relação ao país. Planos que podem colocar mais produções brasileiras em evidência no serviço.

Do Brasil para o mundo

Falando assim, dá a impressão de que a Netflix tem uma estratégia específica para o Brasil, inerente a todas as particularidades do país, mas não é bem assim. O que é mandatório é tornar a Netflix cada vez mais global, logo, o que Hastings veio fazer aqui é explicar como o Brasil fará parte disso.

Hoje, o serviço está disponível em mais de 190 países. Até certo ponto, a experiência de implantação da Netflix no Brasil contribuiu para tamanha expansão. Como o próprio Hastings frisou, o país foi o primeiro mercado da empresa fora da América do Norte.

No início, talvez você se lembre, o acervo não era lá grande coisa, havia muitas falhas em legendas, alguns usuários tinham problemas com pagamentos, enfim. Mas, entre erros e acertos, as coisas foram sendo ajustadas. A Netflix de agora evoluiu bastante em relação àquela que estreou aqui em 2011.

Reed Hastings

Reed Hastings

Durante o evento, pude perceber que a companhia encara os problemas como parte inevitável do negócio. Parece uma frase de livro de autoajuda, eu sei, mas Hastings falou com tranquilidade e segurança das adversidades, como se estivesse dizendo nas entrelinhas “bom, reclamar pode até ajudar, mas não resolver, bora achar um jeito”.

Para exemplificar, ele citou a questão da velocidade de acesso à internet. Ele disse que não são só os brasileiros que reclamam de conexões lentas. Norte-americanos e alemães também, assim como cidadãos de vários outros países. A empresa reagiu a esse problema otimizando o streaming de uma forma que impressiona — já assisti a vídeos da Netflix em conexões com menos de 2 Mb/s numa boa (em SD, mas deu pra curtir).

É lógico que nem tudo depende da companhia. Quando questionado sobre o plano das operadoras de estabelecer franquias na banda larga fixa no Brasil, Hastings disse que essa ideia ganhou força em outros países, mas que em muitos lugares os usuários conseguiram manifestar sua insatisfação e, assim, puderam derrubar os limites.

Apesar disso, o chefão da Netflix não atacou as operadoras. Mesmo com as corriqueiras queixas de lentidão, ele afirmou que as companhias de telecomunicações estão investindo em internet, inclusive no Brasil. “Tem melhorado muito de uns tempos para cá”.

Samantha

Atualmente, a Netflix está fortemente centrada em produções originais. Só para 2017, serão pelo menos mil horas de conteúdo exclusivo. Talvez você já saiba o motivo, mas não custa ressaltar: o avanço da Netflix vem fazendo a concorrência se mexer, o que tem dificultado o licenciamento de produções da TV e do cinema. Com conteúdo original, a empresa consegue ocupar o espaço vazio.

Além disso, produções próprias ou exclusivas ajudam a Netflix a diminuir as diferenças nos acervos do serviço em cada país e, claro, a atrair usuários: séries como House of Cards, Black Mirror e Stranger Things são excelentes chamarizes.

Para dar conta de tanto conteúdo original, a Netflix está apostando em produção local. Essa abordagem é positiva de diversas maneiras. Para começar, permite que a empresa respeite as exigências de produção nacional existentes em alguns países. Além disso, abre portas para conteúdo feito fora dos Estados Unidos e Reino Unido.

3%

3%

Outro detalhe importante: a Netflix está dando chance a projetos que dificilmente seriam aceitos pelos meios tradicionais. 3% é um exemplo: com um roteiro incomum às produções brasileiras, a série não encontrou espaço nas redes de TV do país.

A aposta no projeto foi tão certeira que a Netflix quer levar mais conteúdo brasileiro para o mundo. Teremos até uma série sobre a Operação Lava-Jato. Mas pouco se falou sobre ela. Além da segunda temporada de 3%, Hastings se limitou a anunciar a série Samantha, uma comédia que está a cargo da Losbragas, produtora criada pela atriz Alice Braga.

Com previsão de lançamento para 2018, o seriado mostrará a história de uma celebridade-mirim dos anos 1980 que tenta ser relevante novamente. Ao mesmo tempo, ela terá que lidar com o retorno do marido, um famoso ex-jogador de futebol que passou mais de dez anos na cadeia.

Soa promissor. Mas será que vinga? Ninguém sabe, mas as expectativas são positivas, afinal, meio que já nos acostumamos a esperar coisa boa vinda dali.

  • Marcus Araújo

    Que venha mais séries brasileiras! Esperava mais de 3% por causa daquele piloto antigo do YouTube, mas não achei a série ruim; pelo contrário, aguardo a segunda temporada ansioso!

    Sobre a série de comédia, quem sabe seja divertida, mas pelo menos pra nós, brasileiros, talvez soe como mais do mesmo. Nosso cinema e nossas séries de TV são em maioria voltadas ao humor (mas em tese pode agradar justamente o público que as acompanha na TV aberta, e a Netflix pode atingir esse público com esse lançamento).

    • Wellington Gabriel de Borba

      Tem séries de comédia boa no Multishow.

      • Jefferson Rodrigues

        Na MTV, também tinha. Pena que ela morreu!

        • Leonardo Marques

          Hermes e Renato… Bossa

  • Diego Neves

    Aí eu vi vantagem!

  • Miguel Martins

    eu consigo ver Netflix em 1080p pelo Edge com minha internet de 2 Mega. nem o YouTube consegue entregar essa qualidade. parece mágica a compressão da Netflix.

    • emersonalecrim

      Boa! Vou tentar o Edge na próxima vez que eu pegar uma conexão lenta.

      • Miguel Martins

        vale a pena, visse? eu usava o Chrome antes, mas, além dele não atingir 1080p, parece que recebe outro tipo de arquivo que o Edge. sempre achei mais quadriculado o stream do Chrome comparando com o Edge.

    • Thiago Lopes

      Safari, idem.

    • Italo F.

      Pelo app do Netflix pra Windows 10 também consigo ver em 1080p com uma velocidade similar de internet.

      • Miguel Martins

        curto por conta da possibilidade de áudio 5.1 no Windows. acho que pelo navegador não tem como fazer o pass through.

    • CtbaBr

      KKKKKKK… Realmente esse seu caso parece magica!
      Eu tenho 50Mb da “ex-GVT”, começo a ver um filme no Netflix em 1080p, em seguida da uma travadinha e cai para 720p, depois mais uma travadinha e… 480p, no final sempre termina oscilando entre 480p e 240p.

      • Miguel Martins

        isso tá com cara de traffic shaping, cara.

        • CtbaBr

          Tenho quase certeza disso!
          Há alguns anos atras, com 10Mb eu assistia Netflix em 1080p, detalhe, ainda era GVT, e o modem era mais antigo, não tinha como eles controlarem! Se na época eu soubesse disso, teria ficado com os 10Mb.

          • Miguel Martins

            triste a pessoa ficar à mercê desses serviços. cada dia mais difícil encontrar pessoas/empresas/instituições comprometidas com o bem estar geral. todo mundo só atrás de garantir o seu a qualquer custo.

        • Djow

          pode tentar testar se tá rolando traffi shaping por aqui http://broadband.mpi-sws.org/transparency/bttest-mlab.php esse link foi postado aqui no Tecnoblog a um tempo atrás e salvei nos favoritos

  • Krosna Terrestre

    Podiam fazer uma segunda temporada para “descolados” 🙂

    • GuilhermeSMello

      Lembrei de Descolados quando lançaram 3%, por ser uma das poucas boas series brasileiras e acima de tudo, que não foi feita pela Globo. Mas Descolados já estreou a mais de 10 anos, seria complicado fazer uma continuação.

      • Thiago Mocci

        Eu adorava Descolados. E ok, não precisa vir uma segunda temporada, mas um spin-off anos depois, que quem não conhece a original nem precisaria ver pra entender.

  • LuizF

    Assisto netflix com 1MB de boa no smartphone

  • Wellington Gabriel de Borba

    Netflix além de popularizar o entretenimento vai dar um gás também nas produtoras independentes, historicamente sem espaço nas emissoras de TV que só empurram lixo na gente.

  • “Teremos até uma série sobre a Operação Lava-Jato. Mas pouco se falou sobre ela.”
    E que continue se falando menos, menos, menos… Até ser esquecida, igual a operação foi. Amém.

    • Jefferson Rodrigues

      Quem lhe disse que a operação foi esquecida? Ela está em pleno vapor!

  • Kodos Otro

    A série 3% pecou em tanta coisa, mas o que mais me incomodou foram as atuações sofríveis.
    Vou tentar ver dublado pois disseram que disfarça um pouco.

    • Lucas

      Achei o roteiro batido, mas não é culpa deles. A série foi pensada antes dos blockbusters de futuros distópicos com jovens lutando pela vida, só que demorou pra sair do papel.

      Sobre a atuação, o Brasil tem tanto artista bom, parece que escolheram os piores. E até quem é bom acaba parecendo ruim.

    • GuilhermeSMello

      As atuações dos personagens principais não são ruins, especialmente da Bianca Comparato e do João Miguel. Agora, os coadjuvantes tem atuação bem ruim sim, poderiam melhorar isso na segunda temporada.

  • Lucas

    Assisto Netflix numa conexão via-rádio de 3MB/s em HD na smart TV. Além de carregar bem rápido, nunca travou. Enquanto isso, no Facebook eu desisto de assistir qualquer vídeo.

  • Já basta terem estragado a TV, agora vão estragar a Netflix tbm??

    • CtbaBr

      Quem sabe um dia esses caras nos surpreendam, afinal para produzir algo sem apadrinhamento do governo, eles vão ter que fazer algo bom, senão…

    • Djow

      Como se estraga algo que é extremamente opcional? se não gosta da série ela vira só mais uma em meio a um mar de conteúdo…

  • Alecsandro Milani

    E lá vem os Brasil HUEEEEEEE cagar no NETFLIX, não quero pagar pra ver seriado de futebol favela, ou de Baile funk, ou material cheio de viés ideológico (feminista, gayzista, vitimista, marxista, ou politicamente correto…) ou de qualquer outra merda que já somos obrigados a ver na vida real ou na tv aberta todo dia. Brasileiro sempre caga em tudo que é bom, simplesmente pq tem mal gosto pra quase tudo!!! Até pra votar votaram em 4 mandatos do PT e olha como o pais esta hj! https://uploads.disquscdn.com/images/20b37ff2a2c0d6997cb72ffaf158944a9d7f8b0c0267a69cfecbcb10bfab538a.png

    • emersonalecrim

      Não sei se você sabe, mas na Netflix você pode escolher o que assistir. Eles não te obrigam a nada lá. Se você não gosta de conteúdo brasileiro, é só não assistir.

      • CtbaBr

        Exato! E é por isso que nós brasileiros gostamos tanto do Netflix!
        Eu assistirei com muito orgulho um filme ou seriado brasileiro, quando eles tiverem uma historia positiva e envolvente, que não mostre somente o lado podre do Brasil, afinal esse lado nós vivenciamos todo dia, é rotineiro, encheu!

        • emersonalecrim

          Faça um filme sobre a sua vida, então 🙂

          • CtbaBr

            KKKKKKK… Boa… Mas, sem chance!
            A ficção é mais interessante que a realidade, a realidade é muito chata!

          • Leonardo Marques

            Exato! E é por isso que nós brasileiros gostamos tanto do Netflix! Boa..rs

    • Thiago Mocci

      A parte que você reclama do “material cheio de viés ideológico, feminista, gayzista, vitimista, marxista, ou politicamente correto” me intrigou. Já viu House of Cards? É bem de esquerda, apoia o movimento gay, critica o conservadorismo… E não é brasileiro.

      Eu sou mais a direita que a esquerda. Bem mais, tô sendo educado me posicionando apenas um pouco mais a direita. Mas a parte ideológica de cada conteúdo eu ignoro ou apenas reflito em cima e descarto depois se achar ruim. Toda produção é parcial e ambos os lados, situação e oposição, já deveriam ter sacado isso e aprendido a conviver.

  • Bruno Rocha Pessoa

    nao gosto de conteudo brasileiro. sempre seguem a mesma temática de coitadismo. mas num sistema que assisto somente se quiser eu apoio. boa sorte, quem sabe eu não seja surpreendido com algo novo.

    • Henrique Queirós

      3% não segue muito. Aliás, muitos filmes brasileiros abordam ótimos temas. Sugiro que dê uma pesquisada.

  • Marcello Levy

    Quando os produtores prestigiarão autores brasileiros modernos como o André Vianco? É vampirismo que estrangeiros compram? Uai? Então produzam sobre, com o fundo Brasil para inovar!