Google zoom e enhance

Sabe aqueles filmes em que o policial amplia a foto de um suspeito no computador para deixá-la mais nítida? Chega a ser divertido. E em cada ampliação, o computador ainda faz um “bip”. Mas esse truque tão comum na ficção está prestes a virar realidade: o Google está trabalhando em um algoritmo que cria imagens detalhadas a partir de originais com resolução muito, mas muito baixa.

Trata-se de mais uma obra do Google Brain, uma das divisões da companhia que cuidam de projetos de inteligência artificial, segundo o Ars Technica. O que os pesquisadores fizeram, basicamente, foi unir dois algoritmos de redes neurais.

O primeiro algoritmo é uma “rede de condicionamento”, que compara uma imagem com poucos pixels com outras de maior resolução para encontrar um padrão, ou seja, características que a tornem semelhantes.

Tome, como exemplo, uma foto de 8×8 pixels. O algoritmo pega imagens com maior resolução e as redimensiona para também deixá-las com 8×8 pixels. Depois, essas imagens são comparadas com a foto que já tinha essa resolução. Dessa forma, é possível encontrar correspondências, ou seja, imagens com características similares à foto original.

Google zoom e enhance

Já o segundo algoritmo, uma “rede prévia”, tem como base uma implementação do software de geração de imagens PixelCNN. Aqui, a foto original é escalonada e comparada com imagens com resolução maior até que a sua categoria seja identificada. Quando essa etapa é concluída, o algoritmo adiciona detalhes na imagem, tendo como referência outras imagens da mesma categoria.

Por exemplo, um pixel avermelhado é identificado na parte inferior da foto original. Nas outras imagens, essa mesma posição se relaciona com um grupo de pixels com cor semelhante que, por sua vez, corresponde a lábios. A imagem original então é ampliada e preenchida com pixels parecidos que extraídos de outras fotos.

É um exemplo bem simples, mas que mostra como a imagem é construída. O resultado final não é, de fato, uma imagem ampliada, mas uma “suposição” de como aquela foto seria se tivesse mais pixels.

Para o Google, uma tecnologia como essa pode ajudar a melhorar a qualidade das imagens armazenadas no Google Fotos, por exemplo. Quando estiver mais evoluída, talvez a tecnologia até possa ajudar a polícia a identificar suspeitos em uma imagem de baixa resolução. Se isso acontecer, só vai ficar faltando o “bip” do computador para a realidade suplantar de vez a ficção.

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Danillo Nunes

ENHANCE!

Danillo Nunes
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robsonc

O argumento não é usar como prova. Assim como um retrato falado não é prova de nada (e também pode apontar pra muitas pessoas, mas ao mesmo tempo tira várias outras de foco). A questão é que pode ajudar a encontrar a pessoa. Ou seja, ajudar nas investigações.

robsonc
O argumento não é usar como prova. Assim como um retrato falado não é prova de nada (e também pode apontar pra muitas pessoas, mas ao mesmo tempo tira várias outras de foco). A questão é que pode ajudar a encontrar a pessoa. Ou seja, ajudar nas investigações.
MJuliani

"... pode gerar uma "pessoa" com características semelhantes ao suspeito ..."
A questão é justamente essa, se você usar essa imagem pode vir a incriminar um inocente, 'com características parecidas'. E creio que qualquer advogado invalidaria essa prova.

MJuliani
"... pode gerar uma "pessoa" com características semelhantes ao suspeito ..." A questão é justamente essa, se você usar essa imagem pode vir a incriminar um inocente, 'com características parecidas'. E creio que qualquer advogado invalidaria essa prova.
robsonc

Mas se você pensar que o algoritmo criando uma imagem de suposição (a partir de uma colagem de outras pessoas) pode gerer uma "pessoa" com características semelhantes ao suspeito, isso obviamente iria ajudar. Já talvez fosse muito melhor que um retrato falado por exemplo.

Fiquei imaginando uma cena de CSI com um "Enhance", e de repente a imagem vira o "Greedy 1.77" da imagem da matéria.

robsonc
Mas se você pensar que o algoritmo criando uma imagem de suposição (a partir de uma colagem de outras pessoas) pode gerer uma "pessoa" com características semelhantes ao suspeito, isso obviamente iria ajudar. Já talvez fosse muito melhor que um retrato falado por exemplo. Fiquei imaginando uma cena de CSI com um "Enhance", e de repente a imagem vira o "Greedy 1.77" da imagem da matéria.
MJuliani

"Quando estiver mais evoluída, talvez a tecnologia até possa ajudar a polícia a identificar suspeitos em uma imagem de baixa resolução. Se isso acontecer, só vai ficar faltando o “bip” do computador para a realidade suplantar de vez a ficção."
Isso nunca vai acontecer, por que o algoritmo "cria" pixels, gerando uma nova imagem, e não a mesma ampliada.
Devem haver algumas aplicações legitimas para essa tecnologia, mas essa não é uma delas.

MJuliani
"Quando estiver mais evoluída, talvez a tecnologia até possa ajudar a polícia a identificar suspeitos em uma imagem de baixa resolução. Se isso acontecer, só vai ficar faltando o “bip” do computador para a realidade suplantar de vez a ficção." Isso nunca vai acontecer, por que o algoritmo "cria" pixels, gerando uma nova imagem, e não a mesma ampliada. Devem haver algumas aplicações legitimas para essa tecnologia, mas essa não é uma delas.