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30 dias de meditação: como o Headspace me ajudou a me sentir melhor

Estou mais calmo, menos ansioso, menos estressado, mais focado no que tenho que fazer e... no geral, mais feliz

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1 ano atrás

Faz pouco mais de 30 dias que comecei a meditar todos os dias, dez minutos por dia. No geral, estou mais calmo, menos ansioso, menos estressado, mais focado no que tenho que fazer e… mais feliz. Quem é próximo de mim já acha que eu sou o louco da meditação: volta e meia, sugiro para amigos testarem por uns dias e falo como essa prática fez diferença para mim ao longo desse pequeno período de tempo.

Confesso que, a primeira vez que me sugeriram meditar, achei que era só colocar algum álbum de meditação no Spotify, fechar os olhos e ouvir até me sentir melhor. Eu fazia assim antes, aliás (e até dava certo no curtíssimo prazo). Até estranhei quando comecei a usar o Headspace e era só um cara falando comigo, sem qualquer música de fundo. Mas continuei mesmo assim.

Concentrando mais de US$ 30 milhões em investimentos, incluindo fundos diretamente dos atores Jared LetoJessica Alba e recomendações de personalidades como Emma WatsonArianna Huffington e Tom Daley, percebi que havia um mundo interessante a ser explorado.

Logo antes de terminar o conteúdo gratuito, acabei assinando o Headspace. Sim, paguei R$ 253,15 em um aplicativo de meditação.

Como o Headspace funciona?

Antes de fundar o Headspace, Andy Puddicombe entrou em uma fase difícil na vida, por volta dos 20 anos. Logo depois, ele decidiu largar tudo, se tornar um monge budista ― ele viajou aos Himalaias, onde teve dez anos de treinamento. O Andy é a voz britânica que fica na sua cabeça, te ensinando a aplicar técnicas de meditação para você conseguir acalmar a mente e repetir a prática ao longo dos dias.

O primeiro pacote, grátis para todo mundo, é o Take 10. Nele, você passa 10 dias meditando, ocupando apenas 10 minutos do seu dia. Parece simples, né? Não custa tentar: eu não sabia quase nada sobre meditação. Decidi dar uma chance, e logo antes do pack terminar já tinha certeza que queria seguir com o treinamento.

Mas o que é, afinal, meditação? Deixo este artigo do Headspace, que usa uma técnica específica, explicar:

Meditação é um exercício simples de se familiarizar com o seu estado mental. É uma forma de proporcionar boas condições para treinar a mente a ser mais calma, mais clara e mais generosa. Assim como fazer exercícios físicos regularmente e ajuda a ficar em forma e a se sentir melhor, a prática regular da meditação pode transformar sua mente e o bem-estar.

Pelo contexto, traduzi mindfulness como “estado da mente”, por não ter uma tradução exata. Esse termo, no entanto, tem origem budista e é classificado como um tipo de meditação. É o de atenção plena, como chamam aqui no Brasil, em que você está presente no momento, prestando atenção em você e no que está ao seu redor, sem se prender a um pensamento específico.

Mas calma: não se ignora tudo o que está acontecendo, pelo contrário. Esses minutos servem para deixar seus pensamentos fluirem e “checar” com o seu corpo se está tudo bem. Estas duas ilustrações explicam bem:

(Aqui, um parêntese: o Headspace e seu conteúdo estão disponíveis apenas em inglês. A compreensão, no entanto, não é muito difícil e as animações que incorporo no post são visualmente explicativas. Mas, infelizmente, sem o básico de inglês não dá para entender muita coisa.)

Entendeu? Com o Take 10, você aprende a usar esses 10 minutos do dia para prestar atenção em como a sua mente está, alcançando o céu azul da primeira animação ou aprendendo a apenas observar os carros na estrada da segunda animação. Você fica ciente de tudo que está passando na sua cabeça, mas não necessariamente julga ou tenta mudar cada pensamento ou sentimento.

Em uma palestra no TED (esta, sim, legendada em português), Andy fala sobre encontrar o equilíbrio entre uma mente agitada e outra totalmente entediada. “[A meditação] me ensinou a apreciar o presente momento. Não necessariamente sobre se perder nos pensamentos, sobre se distrair ou ficar sobrecarregado com emoções difíceis, mas sim aprender a estar [presente] aqui e agora”, diz ele.

Depois do Take 10, na seção paga do Headspace, ainda há dois pacotes de aprendizado, com mais dez dias cada. No total, você aprende a meditar melhor com 30 dias de conteúdo e no mesmo esquema: 10 minutos por dia. Eu sei, pode parecer repetitivo ou chato, mas eu ― uma pessoa bem ansiosa e querendo ter resultados imediatos ― acabei me acostumando muito bem.

Logo depois, é possível entrar em algum pacote específico. E são vários, com 10 a 30 dias cada: ansiedade, stress, auto-estima, ajuda para dormir, depressão, gravidez, paciência, generosidade, relacionamentos, aceitação, criatividade, foco, felicidade, enfim. Tem até áudios únicos, como de SOS para momentos super estressantes ou de crise de ansiedade (já usei), para medo de voar (!), andar, cozinhar, comer, dormir… O que não falta é o Andy falando.

Mas esse negócio funciona mesmo?

Por mim, posso dizer que sim. Mais pra frente, explico melhor por que eu gosto especificamente do Headspace. A meditação, no entanto, é praticada por várias culturas há séculos. Recentemente, a técnica vem se popularizando por meio de aplicativos e sites específicos para isso ― entre eles, Calm, Zen, Smiling Mind e o próprio Headspace.

No site deles, é possível encontrar a listagem de estudos feitos com o próprio aplicativo, que listam vários benefícios ao analisar a prática da meditação pelo smartphone. Os resultados são bem positivos, com as tradicionais eficácias da meditação atreladas ao uso flexível do app que o smartphone proporciona.

Comigo, os resultados são parecidos, como eu disse no começo do post. Esta página do Headspace dá mais detalhes científicos de como a meditação pode ajudar no stress, ansiedade, qualidade do sono, relações amorosas, cognição, etc. Vai de pessoa para pessoa, mas eu realmente senti que estava prestando mais atenção em mim mesmo e no que se passa dentro da minha cabeça.

Por que eu gosto do Headspace em específico

Essa variedade de lições, tanto em pacote quanto em áudios únicos, me agrada bastante. Quando você já aprende a meditar e lembra dos preceitos da meditação no dia a dia, fica bem mais tangível aplicar essas técnicas em coisas que você sente. Por exemplo, estou quase na metade do pacote de meditação para ansiedade. Antes eu conseguia ficar um pouco atento quando um pensamento ansioso passava pela minha cabeça. Agora, fico mais atento ainda ― inclusive em áreas que eu não o percebia antes.

Quando você aprende a meditar, fica fácil aplicar as técnicas ao longo do dia

Parece bobo, mas ter um professor de meditação, no lugar dos sons do álbum mencionado no começo do post, me deixa muito mais seguro a acreditar no que estou fazendo. E, claro, você pode ouvir o Andy em qualquer lugar, já que ele está no seu celular ou fones de ouvido. Bem mais cômodo que precisar ir fisicamente até algum lugar (o que, de certa forma, pode ser bem proveitoso também).

Com o Andy eu aprendi, por exemplo, que a meditação não era apenas para motivos tristes ou estressantes. Sem contar, é claro, que agora eu sei como praticar a meditação de atenção plena: a checar com o meu corpo como ele está e deixar os pensamentos se acalmarem normalmente. Não é algo que se limita aos 10 minutos do meu dia: pelo contrário, aplico o que aprendi mais no resto do tempo que na hora da meditação.

Por exemplo, tem dias que estou em um ritmo muito acelerado e não consigo fazer nada direito, com a cabeça a mil. Agora, consigo diminuir essa sensação, botando a cabeça em ordem durante alguns minutos. Fico mais consciente do que está acontecendo em um momento de stress ou ansiedade, e aplico os conceitos aprendidos para controlar a situação.

o que me conquistou foi o desafio de meditar todos os dias

O que me conquistou, no entanto, foi essa proposta de praticar a meditação por 10 minutos ao dia, o que dá uma baita ideia de progresso ― você sente que vai aprendendo e aprimorando seu conhecimento. Aprendi a ter disciplina com esse estímulo de praticar todos os dias e não perco um dia da meditação. Tem gente, inclusive, que está a 730 dias seguidos no Headspace. E eu aqui feliz com meus 28.

Ao TechCrunch, o CEO do Headspace, Sean Brecker, descreveu os dois tipos de usuário do aplicativo. “Tem gente que usa o Headspace apenas quando está estressada ou com problemas de relacionamento”, é o primeiro, mais ocasional. Eu me encaixo no segundo: “Outros, usam o Headspace no cotidiano, de quatro a cinco vezes por semana. É tipo a rotina que constroem ao ir na academia”.

Sabe as fotos do cérebro levantando o peso que apareceram ao longo do post? Vejo o Headspace exatamente dessa forma. Você exercita a mente, trabalha melhor o pensamento e o autoconhecimento. E, se você parar pra pensar, qualquer coisa é prática: com o treino, você acaba desenvolvendo uma certa habilidade ― com o Headspace não é diferente.