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Chefe da Samsung é preso na Coreia do Sul em investigação de corrupção

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17/02/2017 às 10h58
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O chefe da Samsung, Lee Jae-yong, foi preso nesta sexta-feira (17) por estar supostamente envolvido no escândalo de corrupção da Coreia do Sul. Ele é acusado de ter pago 43 bilhões de wons, o equivalente a R$ 116,5 milhões, para uma informante da presidente afastada sul-coreana Park Geun-hye em troca de favores políticos.

Segundo os promotores, a Samsung subornou Choi Soon-sil, amiga de longa data da presidente da Coreia da Sul, para assegurar que o governo aprovasse uma fusão entre duas unidades da empresa em 2015. O plano era juntar a Samsung C&T, focada em engenharia e construção, e a Cheil Industries, que produz materiais químicos e têxteis, aumentando o controle da família de Lee Jae-yong sobre a Samsung Group.

Lee Jae-yong é vice-chairman e lidera a Samsung desde 2014, quando seu pai teve um ataque cardíaco. Ele também é acusado de desvio de fundos, transferência ilegal de bens e por cometer crime de falso testemunho durante uma audiência parlamentar. A decisão de prendê-lo foi tomada pela justiça com o receio de que Lee poderia fugir ou destruir provas.

O executivo, que permanece preso em um centro de detenção em Seul, negou o envolvimento com o escândalo de corrupção. À Bloomberg, a Samsung emitiu um comunicado declarando que “não pagou subornos nem fez pedidos impróprios à presidente em troca de favores”. A investigação ainda pode se estender pelos próximos 18 meses.

Nem precisa explicar muito sobre a importância da empresa na Coreia do Sul — nós conhecemos a Samsung como a maior fabricante de smartphones do mundo, mas a companhia atua em diversos setores, como construção, finanças, medicina e navios. A Samsung é a maior empresa sul-coreana, e seu valor de mercado é equivalente a um quarto de todas as companhias listadas no país.

Depois de passar pelo fracasso do Galaxy Note 7 explosivo, que custou a liderança da Samsung nas vendas de smartphones no último trimestre de 2016, além de ter uma fábrica de baterias envolvida em um incêndio, a Samsung deve enfrentar mais alguns desafios nos próximos meses.

Para entender o escândalo de corrupção na Coreia do Sul

Quase não se fala da política da Coreia do Sul na imprensa brasileira, mas a situação anda bem complicada por lá.

Em novembro de 2016, Choi Soon-sil, amiga de longa data de Park Geun-hye, primeira presidente mulher da Coreia do Sul, foi acusada de corrupção e tráfico de influência. Ela teria aproveitado sua conexão com a presidente para extorquir dinheiro de empresas familiares sul-coreanas, como a Samsung. O dinheiro era transferido por meio de doações para duas fundações sem fins lucrativos controladas por Choi.

Acredita-se que Choi criou um grupo secreto de conselheiros presidenciais chamado “as oito fadas” para atender a interesses privados. Reconhecendo o escândalo, Park Geun-hye pediu desculpas em um pronunciamento oficial na TV. A presidente chegou a trocar o ministro das Finanças, dispensar secretários e demitir seu primeiro-ministro.

Mas as ações da presidente não surtiram efeito na população, que foi às ruas protestar a favor do impeachment. A maior manifestação colocou 2 milhões de pessoas nas ruas (em um país de 50 milhões de habitantes), segundo os organizadores. A taxa de aprovação de Park Geun-hye era de 4%, a menor da história para um presidente da Coreia do Sul, enquanto a rejeição chegou a 93%.

Em 9 de dezembro de 2016, Park Geun-hye sofreu impeachment e seus direitos presidenciais foram suspensos. O primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn é o atual presidente em exercício da Coreia do Sul.