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Novo vazamento da Wikileaks mostra o enorme poder de espionagem da CIA

Quase 9 mil documentos foram liberados e é só o começo: o projeto Vault 7 prevê mais vazamentos ao longo do ano

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1 ano atrás
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A Wikileaks continua fazendo aquilo que é a razão da sua existência: vazar documentos sigilosos. Mas, desta vez, o trabalho atingiu um recorde, digamos assim. Quase 9 mil documentos ligados a programas de espionagem de serviços de inteligência dos Estados Unidos, com destaque para a CIA, agora podem ser acessados por qualquer pessoa. O vazamento ganhou até um nome pomposo: Vault 7.

Para ser preciso, são 8.761 documentos que fazem parte apenas da primeira leva, chamada de Year Zero. A Wikileaks pretende fazer outros sete grandes vazamentos ao longo do ano. Todos os dados se referem a registros de atividades de espionagem digital realizadas entre 2013 e 2016.

CIA

Essa primeira leva, Year Zero, conta com documentos oriundos de uma rede isolada e altamente protegida de um centro da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) em Virgínia.

Bom, altamente protegida na teoria. Segundo a Wikileaks, os documentos foram obtidos por uma pessoa que aproveitou o fato de a CIA ter perdido o controle sobre as ferramentas usadas para espionagem. A agência utiliza vírus, cavalos de troia, softwares que exploram vulnerabilidades e recursos semelhantes para esse fim.

Quem tem acesso a esse “arsenal” consegue “enxergar com os olhos da CIA”, por assim dizer. Foi assim que o invasor, obviamente não identificado, teve acesso aos registros da agência.

As constatações iniciais obtidas a partir daí são perturbadoras, embora nem um pouco surpreendentes. Os documentos indicam que a CIA tem ferramentas para entrar em sistemas de operadoras de telefonia ou fazer espionagem a partir da invasão de equipamentos com Android, iOS e Windows, por exemplo — tudo na surdina, é claro.

Bandeira - Estados Unidos

Até smart TVs da Samsung podem ser usadas como recurso de escuta, inclusive quando desligadas. E nem pense que a criptografia do WhatsApp ou do Telegram consegue parar a CIA: a agência explora outros meios para acessar os dados quando encontra esse tipo de barreira.

O objetivo da Wikileaks com o Year Zero é mostrar justamente a capacidade que CIA e outras entidades do governo dos Estados Unidos têm de se infiltrar em sistemas dos mais diversos tipos. O alcance é praticamente global: além do centro de inteligência em Virgínia, a CIA usa o consulado dos Estados Unidos em Frankfurt para orquestrar ataques em regiões da Europa, Oriente Médio e África.

Como os dados foram divulgados nesta terça-feira (7), ainda não houve tempo para verificação da veracidade dos documentos. Mas um ex-agente da CIA fez uma análise rápida das informações e, ao New York Times, sinalizou que é bastante provável que os documentos sejam mesmo legítimos.

Há um grande cuidado da Wikileaks para não revelar quem é a pessoa que teve acesso a esse volume de informações. E não é só com isso que a organização está se mostrando cautelosa: nomes de agentes da CIA e de outras pessoas envolvidas com as atividades foram ocultados para evitar que elas sejam prejudicadas.

É uma atitude compreensível. Em vazamentos anteriores, a Wikileaks foi acusada de vazar documentos sem esse tipo de cuidado e, assim, colocar em evidência pessoas que não tinham grande relevância para as ações executadas.

Julian Assange

Julian Assange

Os cuidados também dizem respeito à decisão sobre o que não divulgar. A Wikileaks poderia ter liberado os códigos-fonte das ferramentas usadas pela CIA, mas preferiu não fazê-lo, pelo menos até que fique claro como essa tarefa pode ser executada sem gerar outros problemas de segurança.

Naturalmente, toda a operação de vazamento do Vault 7 está sendo coordenada por Julian Assange que, pelo temor de ser extraditado, está desde junho de 2012 vivendo na embaixada do Equador em Londres. O próprio fez questão de ressaltar que estamos diante do maior vazamento da história relacionado à CIA.

Até o momento, a agência não se pronunciou sobre o assunto.