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É o fim do DMOZ

Você ainda se lembra dele, certo?

Por
23 semanas atrás
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Se você começou a acessar a web por volta do ano 2000 (ou até mais tarde), talvez conheça o DMOZ — ou pelo menos tenha a sensação de que o nome não é estranho. Trata-se do maior e mais importante diretório de sites do mundo. Ter um site listado ali é obrigatório para um bom posicionamento no Google. Melhor, era: o DMOZ perdeu relevância e, por isso, encerrará suas atividades no próximo dia 14.

O DMOZ nasceu em junho de 1998. Na época, os serviços de busca estavam longe de ter a sofisticação de hoje — o Google só viria a surgir oficialmente três meses depois. Diretórios de links eram bastante importantes se você quisesse encontrar sites especializados em determinados assuntos, portanto.

DMOZ

A criação do serviço se deu pelas mãos de Rich Skrenta e Bob Truel, na ocasião, dois engenheiros da Sun Microsystems. Originalmente, o site se chamava GnuHoo, mas teve que mudar para NewHoo por conta do protesto de membros da comunidade de software livre que alegavam que o projeto não tinha relação com o GNU.

Só o que o novo nome também não serviu: o Yahoo achou o sufixo “Hoo” muito familiar e também reclamou. O “novo novo nome” iria ser ZURL, mas, antes da mudança, a Netscape comprou o serviço e o batizou de Open Directory Project. Em 1999, depois de a Aol ter comprado a Netscape, a denominação passou a ser usada junto com DMOZ, uma referência ao nome Directory Mozilla.

Naquela época, o DMOZ já era bastante relevante. Graças ao trabalho de milhares de voluntários em várias partes do mundo, o serviço já tinha mais de um milhão de sites classificados, em diversos idiomas (incluindo português). Isso tudo apenas um ano após o seu surgimento.

Como esse trabalho era bastante preciso e cobria um volume expressivo de sites, o DMOZ passou a servir de referência para os buscadores. Se você quisesse fazer um site ser bem posicionado nas buscas do Google, tinha, quase como obrigação, que submetê-lo ao DMOZ e torcer para ele ser listado por lá.

O DMOZ permaneceu relevante por muito tempo, mas, nos últimos anos, entrou em uma espiral de esquecimento: quem é que continua acessando diretórios de links? O DMOZ só vinha servindo para estratégias de SEO (Search Engine Optimization), basicamente. Mas Google e outros buscadores otimizaram seus sistemas de indexação de tal forma que, hoje, nem para SEO o DMOZ serve mais.

DMOZ

É compreensível que os buscadores tenham diminuído a importância dos diretórios de links. A web cresceu tanto que, mesmo tendo um número gigantesco de colaboradores — mais de 90 mil pessoas já ajudaram a classificar links no DMOZ —, é praticamente impossível ao serviço não deixar algum site legítimo de fora ou, por falha, incluir endereços ruins (que fazem spam, por exemplo).

Em fóruns especializados, fala-se até em editores do DMOZ que dificultavam a inclusão de determinados sites para atender a interesses pessoais, como evitar que sites concorrentes aos seus fossem listados.

Em 2014, o Yahoo Directory — outro diretório muito importante — foi fechado por razões semelhantes. Era só questão de tempo para o DMOZ seguir pelo mesmo caminho. O serviço deixará de existir em 14 de março, mas pelo menos sairá de cena em grande estilo: foram quase 4 milhões de sites classificados, cerca de 90 idiomas considerados e mais de um milhão de categorias criadas.

Mais sobre:
  • J. Craig

    Tem coisas que começam e acabam e a gente nunca ouviu falar. Eu, pelo menos.

    • Anthony Fernando

      2.

  • Comecei a mexer na internet ali por 95 e nunca tinha visto esse site.

    • Nunca ouvi falar também

    • DumbSloth87

      A gente que é hueBR usava o Cadê? e era feliz.

      • sim. cade a altavista 4ever.

    • Arthur Dubeux

      Igualmente

    • Tiago Celestino

      Eu comecei antes e também nunca vi esse negócio. Usava bastante o Cadê e depois o Y! Diretórios (comparam o Cadê)

  • Ricardo – Vaz Lobo

    Longe de mim querer pautar o TB, mas gostaria de sugerir um necrológico de que foi muito da hora na pré história da web e foi morrendo pelo caminho.

    • Ramon Gonzalez

      Uma linha do tempo da mortalidade de serviços da internet. interessante…

      • Frank Vinnicyus

        Metade da lista vai ser ocupada por serviços do Google :v

        • Ramon Gonzalez

          hahaha! #fato

    • emersonalecrim

      Sugestões são sempre bem-vindas por aqui. Valeu a dica o/

    • o podcast 99vidas falou disso recentemente. confira lá.

      • Ricardo – Vaz Lobo

        Valeu, obrigado.

  • Ramon Gonzalez

    Estou online desde meados dos anos 90 e nunca tinha nem ouvido falar. R.I.P.

  • Definitivamente nunca ouvi falar de nenhum desses nomes, nem o primeiro, nem o último que o site teve, sendo que eu uso internet desde 1997. Mesmo porque nessa época muitos buscadores da internet eram buscadores dos seus próprios diretórios, como Cadê e Yahoo! (os que eu usava na época para Brasil e mundo, respectivamente).
    Agora, quando o TUCOWS morrer de verdade verdadeira (e não só de morte aparente, já que ele ainda existe), aí sim ficarei assustado, porque a relevância dele era imensa na época da internet à vapor, internet-arte, internet de várzea, internet zip-em-4-disquetes.

    • Acabei de descobrir que o superdownloads ainda existe.

  • André G

    Diretórios ainda existem e são necessários na deep web

  • Saudades do cadê. (na verdade não)

    Cheguei mesmo a ter um e-mail @cade.com.br, num curto período em que o site oferecia o serviço. Eu acho.

  • Marcus Araújo

    Acessava a internet até antes, em meados/final da década de 90, e nunca ouvi falar.

    Até lembro de sites da época com a mesma proposta, mas nem imaginava que ainda hoje houvesse sites desse tipo.

    Dito isso, vai fazer falta? Talvez aos outros, mas não para mim.