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Facebook proíbe desenvolvedores de usar rede social para vigilância

Anúncio oficial aconteceu depois do Facebook ser pressionado por organizações civis

Jean Prado Por

Depois de ser pressionado por organizações civis, o Facebook reforçou nesta segunda-feira (14) que os desenvolvedores estão proibidos de usar dados obtidos por meio da rede social para monitorar indivíduos. Dessa forma, dados de localização, por exemplo, não podem ser oferecidos com o único propósito de vigiar os usuários.

A rede social anunciou essas medidas depois de ser pressionada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês). A organização revelou no ano passado que o Facebook, Instagram e até o Twitter estavam sendo usados pela polícia americana para espionar manifestantes e ativistas, em cidades americanas como Oakland, Denver, Seattle e Baltimore.

Em outubro, membros da ACLU conseguiram acesso a uma série de e-mails e documentos públicos que demonstravam interesse da polícia em ferramentas de monitoramento de redes sociais, como a Geofeedia. Nos e-mails, um representante da ferramenta se vangloriava que eles conseguiam oferecer informações mais completas de usuários, principalmente no Facebook e Instagram, por conta de parcerias feitas com as redes sociais.

Como explica a Associated Press, a Geofeedia tinha acesso a uma API concedida pelo Facebook que inicialmente seria para anunciantes, mas que foi explorada para listar publicações na rede social que mencionavam um certo assunto, lugar ou evento. Com essas informações a polícia americana monitorava hashtags que eram usadas por ativistas para prever possíveis manifestações ou atos públicos.

No Instagram, o acesso a outra API também permitia que as autoridades monitorassem o fluxo de fotos e vídeos que eram publicadas com uma certa localização. No caso do Twitter, a polícia conseguia informações indiretamente, por meio de uma ferramenta chamada Twitter Firehose, que tinha poucas restrições na API da rede social.

Vale frisar que todas as atividades citadas eram monitoradas caso fossem públicas ― posts para amigos de amigos, por exemplo, não aparecem na listagem. Quando o relatório da ACLU foi publicado, as redes citadas acima já haviam restringindo o acesso das autoridades a esse tipo de informação. No entanto, até agora, não havia um posicionamento oficial do Facebook sobre o assunto, especificamente proibindo essa prática.

Finalmente, à Reuters, Rob Sherman, diretor de privacidade no Facebook, disse que o objetivo da rede social com o anúncio foi tornar esta política antivigilância explícita. De acordo com a rede social, os desenvolvedores devem proteger as informações que recebem do Facebook contra acesso não-autorizado, como o das autoridades, que passou meses sem ser divulgado ao público.

Apesar da resposta, o Facebook foi criticado pela demora e pela falta de transparência inicial. “Não deveria precisar de uma solicitação de registros públicos para essas empresas ficarem cientes do que seus desenvolvedores estão fazendo”, disse Nicole Ozer, diretora de políticas públicas na ACLU, à Reuters.

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Adriano
Amigo... Meu argumento não foi no sentido de provar que não somos monitorados, não sou ingênuo a esse ponto. É evidente que somos, até mais do que eu gostaria no entanto, não é de forma alguma, independente da nossa vontade. O problema está no fato de que as pessoas não tem a mínima vontade de lutar contra isso. Elas simplesmente ignoram, por profundo desconhecimento de causa e por absoluta incapacidade de dimensionar as consequências futuras resultantes. Quanto ao seu argumento, aquele de que é preciso estar off line para ter privacidade. Essa é uma crença sua, não uma realidade imutável. Te convenceram disso. Por esse e outros motivos, continuo afirmando: "Você está errado." Só existe esse monitoramento ostensivo e abusivo, por que as pessoas já aceitam isso como normal, já não se importam mais. Como você! Você já demonstra absoluta passividade diante do fato de não haver mais privacidade. Em pouco tempo, você também aceitará como normal e necessário, a falta de privacidade off line, dentro da sua casa, andando na rua, no seu trabalho... À partir do momento em que a sociedade como um todo, não mais tolerar o abuso que vem sendo praticado, o cenário passará a ser outro. Será a solução definitiva para esse problema? É evidente que não e seria muita ingenuidade pensar o contrário no entanto, ter-se-á dado, os primeiros passos no sentido de coibir este estado policialesco que se instalou. Enquanto não há uma solução, existem inúmeras maneiras de se minimizar esse problema, basta você se informar um pouquinho, o problema é que, as únicas informações que chegam nas massas, são justamente aquelas que reafirmam essa crença de que, a falta de privacidade na internet é um fenômeno ou uma consequência sem retorno, que não tem mais solução. Essa ideia já está tão impregnada no inconsciente coletivo dos indivíduos, que as pessoas já estão fazendo questão de comprar tudo aquilo que permite que essa realidade se torne cada vez mais consistente e cada vez mais presente em suas vidas, tais como; geladeira, smart Tv, pulseiras, relógios, tênis, etc. Percebe? As pessoas não foram obrigadas a nada disso, e sim, convencidas de que isso não é um problema, pelo contrário, de que é algo necessário. Coloque um sapo em uma panela com água fervendo e ele pulará pra fora da panela. Todo sapecado é verdade, mas não ficará na panela entretanto, se você aquecer a água lentamente...
Trovalds
Seus hábitos de navegação são MONITORADOS independente de você permitir ou não. Ou você acha que os banners direcionados aparecem por que eles tem tecnologias telepáticas? A única forma de você não ser monitorado é usando alguma extensão de navegador e olhe lá. De cara seu argumento já cai por terra.
Adriano
Errado amigo. Está se tornando consenso de que, na internet, a palavra "privacidade" deixou de ter significado e isso é um erro por que, não é pelo fato de você estar online, que perde esse que é um direito fundamental e inalienável do ser, que pode e deve ser garantido, dentro e fora da rede, por mecanismos de controles externos. O seu pensamento, é justamente aquilo que querem que todos aceitem, sem contestação, como se fosse algo normal, o que de fato não é. Perceba... ...á partir do momento em que você aceita que dentro da internet, a palavra privacidade deixa de ter sentido, para que você aceite isso fora da internet também, é questão de tempo. Isso na prática significa o início de um processo de cercear de forma total e absoluta, os direitos mais fundamentais do ser e o que é pior, incutir no inconsciente coletivo, de que não tem nada de errado nisso.
Adriano
O sujo apontando o dedo pro encardido. Fala sério.
Marcus Araújo
O Zuck é o dono da bola e decidiu que só ele pode jogar com ela.
Trovalds
Mimimi proteger informações mimimi. A única forma de não ser espionado online é não estando online. Privacidade na era digital... só em sonho mesmo.
Seraph

Isso nã impede muita coisa não, visto que o FB está cada vez mais invasivo

Henrique Seraph
Isso nã impede muita coisa não, visto que o FB está cada vez mais invasivo