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Operação Lava-Jato revela truques tecnológicos usados em esquema de corrupção

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30 semanas atrás
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O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) é acusado de comandar um esquema de propina no Rio de Janeiro, e documentos da Operação Lava-Jato mostram como os envolvidos usavam diversas ferramentas tecnológicas para se comunicar, incluindo mensagens criptografadas através do finado MSN.

O ex-governador Sérgio Cabral (foto por Pedro França/Minc. Brasil)

O doleiro Marcelo Chebar conta em delação premiada que enviava dinheiro para o exterior por orientação de Cabral, mas os valores aumentaram muito depois de 2007 – quando ele foi eleito governador do RJ. Por isso, foi preciso terceirizar o serviço para outro doleiro, Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala”.

Chebar se comunicava com “Juca” pelo MSN, mas não usando o cliente oficial da Microsoft, e sim uma alternativa chamada Pidgin. O motivo: dessa forma, era possível criptografar as mensagens.

Para tanto, o remetente e o destinatário precisam instalar o plugin de um protocolo chamado OTR (Off-the-Record Messaging). Feito isso, ninguém mais sabe do que se trata a conversa. Para quem está de fora, ela aparece assim:

Segundo Chebar, foi o próprio “Juca” que sugeriu usar o Pidgin devido ao recurso de criptografia. O doleiro recebia reais enviados por Cabral e entrava em contato com “Juca” pelo MSN (através do Pidgin) para fechar a taxa de câmbio. Uma vez definidos os valores, uma equipe ia ao escritório de Chebar no Rio para realizar a operação.

O controle de pagamentos e recebimentos era feito por meio de planilhas de Excel, que eram sempre armazenadas em um pendrive criptografado com o Steganos Safe. Este programa protege seus arquivos com senha, e também permite criar uma partição escondida. Após o uso, os pendrives eram destruídos.

Isso não deve ser usado como um argumento contra a criptografia. É insensato propor brechas propositais em algoritmos de encriptação, já que isso deixaria todo mundo menos seguro – não existem backdoors “do bem” – e porque é possível realizar investigações de outra forma, incluindo metadados (registros de comunicação sem o conteúdo das mensagens em si).

E, no caso do esquema de Cabral, eles nem sempre dependiam de criptografia. O outro truque na manga era usar um e-mail que servia como depósito de arquivos, e que nunca enviava mensagens – dessa forma, elas não poderiam ser interceptadas. Carlos Miranda, apontado como responsável por recolher propinas de Cabral, criou a conta cazaalta@gmail.com que recebia arquivos na pasta de rascunhos.

Chebar tinha a senha, assim como Miranda, e ambos trocavam ordens de transferência de dinheiro e até mesmo boletos para pagamento. Em um dos casos, o dinheiro de propina custeou despesas do filho mais velho de Miranda em um curso realizado na New York Film Academy.

Esses detalhes vieram à tona graças à Operação Eficiência, deflagrada em janeiro. Segundo o jornal O Globo, Chebar revelou contas de propina onde estavam escondidos US$ 101 milhões (cerca de R$ 340 milhões); e, desse valor, R$ 250 milhões foram repatriados e servirão para pagar o décimo terceiro atrasado de aposentados e pensionistas no RJ.

Com informações: MPF (1), (2).

  • CtbaBr

    Esse é o único tipo de tecnologia que politico gosta!
    Alias, também gostam das mídias sociais… Onde a vassalagem costuma vomitar suas doutrinas esclerosadas, tão ultrapassadas que só deveriam ser divulgadas em telégrafos!

  • Incrível como os caras se preocupavam com isso naquela época, onde criptografia não era algo tão comentado como hoje em dia.

    • Ricardo – Vaz Lobo

      Claro que não foi a ORCRIM que inventou isso: o know-how veio de algum lugar.

      • Ed. Blake

        Dinheiro no cofre pra contratar consultoria especializada em segurança da informação não faltou.

  • Henrique Queirós

    Nossa… Foram bem longe. quem se importa com criptografia quando se tem meios alternativos tão seguros? Como eu disse, a galera quer é desculpa para retirar a criptografia (Mesma coisa o Reino Unido querendo retirar a criptografia usando os terroristas como desculpa, como se os mesmos não tivessem outros meios de comunicação)

  • bwoooruuuummmm™

    Um esquema de paranóia de fazer inveja a Elliot Alderson e mesmo assim os caras rodam.

    • Henrique Queirós

      Nenhum sistema é totalmente seguro.
      Mas convenhamos… eles usaram e abusaram da criatividade.

    • Alberto Prado

      Mas acredito que rodaram mais por motivos alheios do que uma falha nesse esquema de segurança todo adotado por eles.

  • Adriano

    Para quem gosta e precisa de criptografia segura…

    http://www.datasoft-cds.com/

    • Esse daí tem o mesmo propósito do VeraCrypt?

      • Adriano

        Não, não é um encriptador de partições, é uma suite de criptografia.

        • Vou dar uma olhada, só pra testar mesmo, não tenho documentos que precisem dessas tecnologias.

  • O verso do inverso

    Isso me espanta de menos. O que realmente me espanta, é com tantas provas de crimes, existem pessoas que negam o ocorrido; ou outros que protegem essas pessoas, mesmo com essas provas.

    • Bruno Ribeiro da Silva

      Bons advogados conseguem tudo… Essa é a Lei do Direito.

      • CtbaBr

        Esse “Direito” me parece “Torto”!

        • Bruno Ribeiro da Silva

          Mas é torto e bem torto!
          É o Direito que não é ensinado na Faculdade, mas na profissão conforme o cara desdenha suas experiências baseado no lucro muito acima da Ordem à qual ele estudou e passou.
          “Paga-se bem, livra-se qualquer um…”

      • O verso do inverso

        Sobre as pessoas que os protegem, estava me referindo as organizações criminosas, mais conhecidas como centrais sindicais (CUT e afins…)

  • Truculento

    Em um dos casos, o dinheiro de propina custeou despesas do filho mais velho de Miranda em um curso realizado na New York Film Academy.

    Playbozin safado

  • Samuel Cesar

    E ainda não acharam alguns bitcoins?