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Qualcomm revida e leva Apple aos tribunais

A Apple processou a Qualcomm. Agora a Qualcomm processa a Apple. E tudo indica que a briga está longe do fim.

Emerson Alecrim Por

O processo judicial que a Apple abriu em janeiro acusando a Qualcomm de cobrar valores abusivos por royalties já indicava que as duas companhias passariam os meses seguintes “saindo no tapa”. E assim está sendo: agora, a Qualcomm acusa a Apple de capar propositalmente os chips destinados ao iPhone 7 para favorecer a Intel.

Qualcomm

O primeiro ataque

A história começou quando a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), órgão que regula práticas comerciais nos Estados Unidos, acusou a Qualcomm de não licenciar a concorrentes patentes consideradas essenciais ao segmento de dispositivos móveis.

No entendimento da FTC, esse esquema funcionava assim: o fabricante fechava um acordo para usar chips e tecnologias da Qualcomm; se esse mesmo fabricante quisesse adicionar componentes de outras companhias em seus smartphones, teria que pagar royalties adicionais à Qualcomm por isso.

Para não ter que pagar esse “pedágio”, muitas companhias teriam fechado acordos de exclusividade com a Qualcomm. A Apple seria uma delas, o que a teria permitido reduzir consideravelmente as suas despesas com licenciamento, segundo o processo da FTC.

Mas, para a Apple, não é bem assim. Dias depois da ação da FTC, a companhia também decidiu processar a Qualcomm, dando a entender que passou os últimos anos contra a parede: era aceitar os contratos ou enfrentar complicações.

E mesmo assim teria havido algumas. A Apple afirma que a Qualcomm lhe deve cerca de US$ 1 bilhão. O valor teria relação com contratos supostamente abusivos fechados em 2007, 2011 e 2013 — o próprio Tim Cook disse que a Qualcomm cobrava até por recursos que não tinham nenhuma relação com a empresa, como tecnologias de câmera ou do Touch ID.

Tim Cook

Tim Cook

A reação

Desde o início a Qualcomm rebate as acusações. Mas agora a empresa decidiu deixar de só se defender para também atacar. E esse ataque envolve a Intel por uma única razão: esta passou a fornecer chips LTE à Apple para uso no iPhone 7 em 2016.

Na primeira olhada, essa informação é importante porque pode provar que a Qualcomm não detém o monopólio do segmento. Mas vai além disso: em um documento de 139 páginas (PDF) apresentado a um tribunal da Califórnia na segunda-feira (10), a companhia não só se defende das alegações anteriores como faz uma série de acusações contra a Apple que tem como base a parceria com a Intel.

Para começar, a Qualcomm afirma que, nas unidades do iPhone 7 equipadas com seus chips, a Apple não aproveitou todos os recursos disponíveis para que esses componentes não fossem superiores aos da Intel.

De modo complementar, a Apple teria evitado revelar aos seus clientes que os chips da Qualcomm têm desempenho superior aos da Intel. A Qualcomm também teria sido impedida com ameaças jurídicas de fazer comparações que mostrassem que os iPhones com a sua tecnologia ganham no desempenho.

Chip Qualcomm

Tem mais: o documento também acusa a Apple de ter violado ou interpretado indevidamente certos acordos, de ter interferido em negociações com outras companhias e ter feito ataques em vários mercados (o do Reino Unido, por exemplo) com informações imprecisas a respeito da Qualcomm.

Briga feia, né? A Qualcomm demorou para partir para o ataque, mas, quando o fez, usou uma metralhadora.

E agora?

A Qualcomm destacou que as suas tecnologias foram essenciais para a Apple fazer do iPhone um produto de grande sucesso. Isso só teria sido possível porque mais de US$ 40 bilhões de dólares foram investidos em pesquisa e desenvolvimento ao longo dos últimos 30 anos.

Por isso, a Qualcomm pede no processo que a Apple pague por todas as declarações e decisões que a teriam prejudicado. O valor total pretendido não foi revelado, mas pode ser certeza que não é pouca coisa: disputas com essa sempre envolvem quantias gigantes.

A Apple ainda não se pronunciou sobre o assunto. Mas uma coisa é certa: as acusações de ambos os lados são graves e envolvem duas das mais importantes companhias de tecnologia da atualidade, por isso, essa briga ainda deve render longos capítulos.

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ochateador
tsmc.
Marsupial radical
E lá vamos nós... https://uploads.disquscdn.com/images/dde4c7fd6379e1a8be80ec462a5b5b5419b4b3c609f06f09fae487a41dd64f5c.jpg
victorhugopc
Se você usar recursos exclusivos de um chip... Você fica dependente deste chip... Porque se o recurso for exclusivo, ele é o único fornecedor... Por isso existem padrões. Se há uma vantagem técnica, obviamente isso também tem um preço. E se você ficar dependente desta vantagem, ela vira rapidamente uma desvantagem... Nem no tempo da hegemonia wintel, o windows usava todos os recursos dos intel... Alguns vingaram outros ficaram sem ser utilizados...
Panino, o Moço

O caso só model Intel é besteira, o seu produto tem que seguir um padrão consistente e uniforme de qualidade, você não pode vender um produto que um aparelho funciona de um jeito e outro aparelho funciona a de outro jeito.
É igual ao caso dos SOCs fabricados pela TSMC e Samsung, não faz diferença quem fabricou, os dois funcionam de modo equiparável.

Panino, o Manino
O caso só model Intel é besteira, o seu produto tem que seguir um padrão consistente e uniforme de qualidade, você não pode vender um produto que um aparelho funciona de um jeito e outro aparelho funciona a de outro jeito. É igual ao caso dos SOCs fabricados pela TSMC e Samsung, não faz diferença quem fabricou, os dois funcionam de modo equiparável.
Jonas S. Marques
Todo esse relato da Qualcomm parece mais verídico, ao menos pra mim. É só lembrar de 2015, quando o processador da própria Apple produzido pela Samsung e o produzido por uma outra empresa que nem lembro o nome tinham diferenças. Basicamente a companhia tenta limitar por baixo pra dar uma experiência de uso similar pra todo mundo e, se isso for provado, bom, vai ser feio, bem feio.
Henrique Queirós
As acusações da Apple parecem mais realistas, porém, as da QUALCOMM foram bem mais graves
Henrique Queirós
Já comprei minha pipoca