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Russo é condenado por jogar Pokémon Go em igreja

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41 semanas atrás
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Um tribunal de Ecaterimburgo, na Rússia, condenou o youtuber Ruslan Sokolovsky a três anos e meio de prisão por incitação ao ódio e ofensas aos sentimentos dos religiosos. O que o rapaz de 22 anos fez? Jogou Pokémon Go dentro da Igreja de Todos os Santos, localizada na mesma região.

O que era para ser uma transgressão leve se transformou em um espetáculo midiático. Sokolovsky foi preso pela polícia russa em setembro de 2016 depois de o vídeo em que aparece jogando Pokémon Go na igreja ter ganhado milhares de visualizações. Desde então, a imprensa, principalmente a russa, vem acompanhando o caso de perto.

Ruslan Sokolovsky

No início do polêmico vídeo, Sokolovsky explica que a sua intenção é comprovar as informações dadas pelos meios de comunicação de que haveria punição para quem fosse flagrado jogando Pokémon Go em igrejas — o game sequer chegou a ser lançado oficialmente na Rússia porque as autoridades locais o classificaram como “satânico”.

Bom, Sokolovsky entrou na igreja e até se deparou com uma PokéStop. Provocativo, em dado momento ele chega a dizer até que só não conseguiu pegar o Pokémon mais raro que seria possível encontrar ali: Jesus.

Algum tempo depois, o youtuber descobriu que as ameaças são sérias — pelo menos para quem registra o ato em vídeo e consegue milhares de visualizações. Não foi só o vídeo do jogo que serviu para sustentar a sua prisão. Outros feitos por ele também, pois desrespeitam crenças religiosas de diversas formas, no entendimento das autoridades.

Porém, a Anistia Internacional Russa acredita que, apesar de Sokolovsky ter mesmo feito declarações que podem soar depreciativas a algumas pessoas, elas não são suficientes para o youtuber ser tratado como um criminoso. Para Sergei Nikitin, diretor da entidade, o jovem foi detido por ter chamado atenção para os exageros da legislação do país a respeito de questões religiosas.

O principal alvo de críticas é o artigo 148 do código penal russo, mais conhecido como “lei da blasfêmia”. Esse é o artigo que determina punições para ofensas a sentimentos religiosos, mas que é visto por várias instituições como uma forma legal de coibir a liberdade de expressão.

Os questionamentos sobre liberdade de expressão ganharam força em 2012, quando integrantes da banda russa Pussy Riot foram presas depois de fazerem um protesto em frente a uma catedral. As leis que serviram de base para a prisão delas foram as mesmas que levaram Sokolovsky à condenação.

Ruslan Sokolovsky - imagem: RTE

Durante o julgamento, o youtuber admitiu as afirmações feitas nos vídeos, mas declarou inocência, no sentido de que não quis ofender religiosos. “Posso ser um idiota, mas não sou um extremista”, disse.

Mas, apesar de ter sido considerado culpado, Sokolovsky não vai para a cadeia: ele foi condenado a três anos e meio de prisão, mas com pena suspensa. Isso significa que o rapaz só irá para um presídio se cometer algum delito durante o período de duração da pena. Ele chegou a ficar dois meses detido enquanto aguardava o julgamento, no entanto.

Com informações: Mashable, Telegraph

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