O que Spotify, Deezer, Apple e Google têm em comum? Todas essas empresas trabalham com streaming de música, obviamente. Porém, Apple e Google controlam as principais plataformas que dão acesso a esses serviços. Quem apostou que cedo ou tarde esse privilégio todo iria gerar alguma “treta”, acertou: Spotify e Deezer recorreram à Comissão Europeia para reclamar das gigantes.

A queixa foi formalizada no último dia 4 em uma carta assinada pelos CEOs do Spotify, Deezer e outras empresas de menor porte. Embora o documento não cite diretamente a Apple e o Google, há referências a plataformas móveis, lojas de aplicativos e mecanismos de busca que claramente apontam para as duas companhias.

Foto por Maria Iglesias Barroso/Flickr

Pesa também o fato de Spotify e Apple já terem se estranhado: há quase um ano que a primeira reclamou de ter sido boicotada na App Store. Na ocasião, a Apple teria rechaçado uma atualização do aplicativo do Spotify sob o argumento de que a condição que determina que até 30% da receita obtida com pagamentos fique com a App Store não foi respeitada.

O update do app trazia um mecanismo de cobrança diferente do que é usado pela Apple, prática que é proibida na App Store. Esse modelo de negócio nunca havia causado grandes transtornos ao Spotify, porém, com a chegada do Apple Music, a empresa se viu em posição de desvantagem, afinal, a rival passou a ter receita com seu próprio serviço de streaming e com o “pedágio” de até 30%.

Sem saída, o Spotify teve que readequar o aplicativo — dado o tamanho da base de usuários do iOS, ignorar a plataforma da Apple é uma ideia impensável. Mas a companhia não o fez sem antes espalhar a sua insatisfação para diversos setores do mercado.

De certa forma, a carta enviada à Comissão Europeia dá continuidade a essa reação. A diferença é que, agora, o Spotify não está sozinho. Várias outras empresas têm queixas similares, e não apenas referentes à Apple: o Google também estaria abusando do seu poder.

No documento, as companhias dão a entender que Apple e Google (e, possivelmente, outras gigantes, como o Facebook) atuam cada vez mais como “porteiras” de suas lojas de aplicativos, dificultando a permanência ou a promoção de apps de terceiros.

Nenhuma das reclamantes estaria conseguindo ter acesso a dados completos de seus clientes nas plataformas, por exemplo, sem contar que Apple e Google estariam tratando de dar mais exposição aos seus próprios serviços.

Veja que a carta é apenas uma… carta. Não há um processo judicial em curso ou uma investigação antitruste prestes a ser iniciada. No entanto, a Comissão Europeia já deu sinais de que vê mesmo controle excessivo nas plataformas móveis e, portanto, pode estabelecer regras para trazer mais equilíbrio a esses ecossistemas. O documento seria, portanto, uma forma de “motivar” a Comissão Europeia a seguir por esse caminho.

É o momento certo para isso: a Comissão Europeia está estudando o assunto com profundidade e, eventualmente, algumas das empresas que assinaram a carta poderão ser convidadas a fornecer mais detalhes sobre o problema, aumentando as chances de regras que dão mais abertura ao mercado serem mesmo criadas.

Apple e Google ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

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Joker
É, depois ainda tem gente com coragem para dizer que a Google é maravilhosa. SQN. Apple nunca foi muito amiga dos consumidores, todos sabem disso. Mas a Google está se tornando uma Apple da vida. Lamentável.
Jonas
Estou usando pelo fato de ter ganhado os 6 meses grátis =D. Quando se acostuma com ele não o considera tão ruim, até gostei dele, pois posso escutar as músicas que tem no telefone e as músicas baixadas das playlists tudo de uma vez, coisa que no spotify eu não consigo.
Baidu feat MC Brinquedo
Isso é facilmente comprovado pelo *LINDO* design do app. O Google Play Music é sem sombra de dúvidas o app mais feio de todos os tempos.
André Macedo
Briga tanto, mas, não consegue que seu serviço seja melhor que o Play musica da Google...
JN Marcos
Não falei do Deezer porque citei somente o conjunto Spotify + Netflix. Mas Deezer + Spotify caminharia a ser um monopólio. A questão não é ter um concorrente "forte", é monopólio. O Youtube, com seu Youtube Red, não se encaixa como concorrente direto do Netflix. Youtube Red, Filmes e TV, dentre outros, tem caráter principal a venda/aluguel de filmes e série, coisa que não é proposta do Netflix (a Netflix Inc. possui um serviço de venda/aluguel também, o DVD.com, mas somente disponível nos EUA). Os concorrentes diretos da Netflix são Amazon Prime, Looke (do Brasil, que possui a função de venda/aluguel tb), Hulu, HBO Go. Nesses, assim como a Netflix, a assinatura de um serviço é feita. E a Netflix, nesse segmento é a gigante a ser batida em qualquer lugar do mundo. Quanto a propostas como Filmes e TV serem melhores, é complicado pra a maioria das pessoas (é interessante para quem é colecionador, que ainda não é meu caso), que querem somente assistir um determinado vídeo e só. Terem posse dele, temporário ou permanentemente, é o de menos. Um filme no Filmes e TV não sai por menos de R$ 6,90 (para aluguel em definição baixa), já na Netflix, por algo próximo a R$ 19,00, a pessoa na "mesma" definição, tem acesso ao catálogo em um mês.
Preto Capranne
E a qualcomm ferrando com a apple, quem diria depois da morte de Esteve era questão de tempo para isso acontecer. kkkkk
𝕵𝖆𝖈𝕶 ⚡𝖎𝖑𝖘𝖆𝖓

Deezer tem uma boa participação de mercado também. E a Netflix tem sim um concorrente forte, que não faz exatamente a mesma coisa: o YouTube. Fora as lojas de apps, que costumam vender filmes via streaming também,
https://uploads.disquscdn.c...
sem cobrar uma assinatura, permitindo que se monte uma coleção - um esquema que considero melhor que o da Netflix, já que esta o tempo todo altera seu catálogo

Jack Silsan
Deezer tem uma boa participação de mercado também. E a Netflix tem sim um concorrente forte, que não faz exatamente a mesma coisa: o YouTube. Fora as lojas de apps, que costumam vender filmes via streaming também, https://uploads.disquscdn.com/images/fa5b5073e6f1aa6d983dfbbdf4ddf13b9f46a4ef7b3309879f856f3947815150.png sem cobrar uma assinatura, permitindo que se monte uma coleção - um esquema que considero melhor que o da Netflix, já que esta o tempo todo altera seu catálogo
GH
A união dessas 'pequenas' formaria uma gigante que do mesmo trabalharia contra as pequenas. Isso é o mercado, infelizmente apenas regulação é eficaz contra isso.
marcos_5000
Recebi de 6 meses (to testando o serviço só por isso mesmo ksapksoka)
Carlin
Bom faz sentido, esperando os próximos capítulos dessa briga, tenho certeza que vem mais uma treta épica ou ao menos algumas retalhações entre as empresas.
JN Marcos
Mas no caso Spotify + Netflix, a Netflix já é o próprio monopólio. Nem se compara a participação dela com a de outros players de streaming de filmes/séries.
JN Marcos
Dessas "pequenas", que considero medianas, acho que a Uber tá trabalhando para ser uma gigante.
Theo Queiroz
Interessante para as empresas mas não tão interessante para a concorrência no mercado como um todo. Unificar significaria ter apenas uma empresa, ao invés de 2 ou 3, como é atualmente. Menos empresas significa menos concorrência e isso nunca é bom para o consumidor.
Emerson Alecrim

Provavelmente vai valer apenas para a União Europeia mesmo (se medidas forem implementadas). Mas como o Spotify nasceu na Europa, a UE pode pressionar os Estados Unidos indiretamente no intuito de proteger uma empresa da região. Aparentemente, o que eles querem é realmente fazer pressão, até porque processos vão gerar gastos enormes, só valendo a pena em último caso.

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