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O fracasso do crowdfunding para smartphones com Windows

Felipe Ventura Por

O Windows era a esperança de quem desejava uma “terceira via” para quebrar o duopólio do iOS e Android em smartphones. No entanto, a Microsoft deixou de fabricar a linha Lumia e concentrou sua atenção em outros dispositivos.

Ficou a cargo de outras fabricantes preencher esse espaço. Algumas empresas pequenas — NuAns, Coship, WhartonBrooks — tentaram tirar seus projetos do chão através de crowdfunding, mas elas aprenderam que não há demanda o bastante.

Primeiro veio a japonesa NuAns com o smartphone Neo. Seu design se destaca pela traseira TwoTone, composta de dois materiais que você pode escolher — madeira, couro, camurça, entre outros.

Ele possui tela HD de 5 polegadas, processador Snapdragon 617, 2 GB de RAM e 16 GB de armazenamento com suporte a microSD. Ele roda Windows 10 Mobile e é compatível com o Continuum, o “modo PC” que roda apps do smartphone em tamanho maior.

O NuAns Neo teve um bom lançamento no Japão, no início do ano passado, e a empresa decidiu vendê-lo no restante do mundo através do Kickstarter por US$ 250. Não deu certo: eles arrecadaram apenas 20% da meta de US$ 725 mil. Como o projeto não foi financiado, a NuAns não recebeu o dinheiro e não enviou os smartphones.

Então, em novembro, a chinesa Coship tentou vender o seu próprio dispositivo com Windows 10 Mobile em outros países. Ela também adotou a rota do crowdfunding, desta vez pelo Indiegogo, com uma meta mais modesta: US$ 100 mil.

O Coship Moly X1 possui tela HD de 5,5 polegadas, processador Snapdragon 410, 2 GB de RAM e 16 GB de armazenamento expansível. Ele não tem suporte a Continuum, mas custava mais barato: só US$ 179. No entanto, só trinta pessoas manifestaram interesse, mal chegando a 3% da meta. Novamente, sem ter o projeto financiado, a fabricante não enviou os aparelhos.

Este ano, foi a vez da americana WhartonBrooks e seu smartphone chamado Cerulean Moment. Ele era vendido como um aparelho “para fãs do Windows Phone”, mas com especificações medianas: tela HD de 5 polegadas, processador Snapdragon 617, 3 GB de RAM e 32 GB de armazenamento expansível, mais suporte ao Continuum. (Ele é baseado no design do Coship Moly W5, mas tem especificações melhores.)

A WhartonBrooks recorreu ao Indiegogo para arrecadar US$ 1,1 milhão (!) em trinta dias. Esta semana, o prazo da campanha acabou, e ela atingiu só 3% da meta.

A empresa também abriu uma campanha exclusiva para o Brasil através do Kickante, e a meta é ainda mais ambiciosa: R$ 5,85 milhões (!!!). Até o momento, ela conseguiu chegar a apenas 0,005% do valor desejado.

https://twitter.com/wisedigioficial/status/751540531264626689

No Brasil, também tivemos a promessa da empresa WisePlus em lançar o Prism com Windows 10 Mobile, o que nunca aconteceu. Eles tentaram vender o smartphone WisePlus Pi, desta vez com Android, através de uma campanha no Catarse, que literalmente arrecadou zero reais.

Uma reportagem reveladora do Manual do Usuário mostrou que a empresa não tinha os documentos necessários para importar o aparelho; tratava-se de uma versão “rebranded” (com a marca da WisePlus) de uma fabricante chinesa.

Em parte, essa sucessão de fracassos é culpa de depender do crowdfunding. Por exemplo, a NuAns lançou um smartphone com Android no Indiegogo, mas o Neo Reloaded ainda não chegou a 3% da meta. É que as pessoas querem ver e experimentar o smartphone antes de adquiri-lo. Um aparelho comprado em campanhas como essa é muito arriscado: como ficam o suporte e as atualizações?

O outro motivo, é claro, está no Windows 10 Mobile. Vários apps estão saindo da plataforma, e ela vem recebendo cada vez menos atenção da Microsoft. A empresa está mirando nos “cellular PCs”, tablets pequenos com 4G que rodam uma versão completa do Windows.

Ainda assim, há quem queira se agarrar aos últimos suspiros do Windows 10 Mobile — não o bastante para financiar uma campanha de crowdfunding, pelo visto.

Comentários

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Andriw
Quem seria o louco de se arriscar num sistema prestes a dizer tchau?
Meganegão
So tem uma coisa mais triste que o fracasso do windows phone, eu com dor de barriga na rodoviária, literalmente cago no pau.
Pablo Teixeira
O Paulo era ceo da wise, caiu fora e junto com WhartonBrooks
Don Ramón
Voltei pro Android há dois meses, mais ou menos. Windows "Phone 10 Mobile" nunca mais, nem de presente! E a culpa é toda da Microsoft, e de mais ninguém!
jairo
Resumindo , W10M morreu e não passa bem
Flávio Coutinho
Crowdfunding é uma filosofia: você financia projetos que acredita que irão fazer a diferença, contudo, o investimento é insuficiente para levar adiante. Sendo assim, quem vai financiar um projeto ligado a uma empresa que vale bilhões de dólares e que poderia desenvolver esse projeto ela mesma?
Olegario Souza
A campanha Cerulean Moment Global foi de 46 dias. Mostrava 30 dias restantes não sei o porquê Outra treta é gente querendo pegar a grana, comprar produto falido chinês, colocar um rótulo, e encher o bolsa de grana de inocentes.
CtbaBr
Poderia ser ótimo, mas...
Thiago Rodrigo
Para mim só presta IOS e Windows. E esta jogada da microsoft de juntar tudo vai trazer apps UWP para todas as plataformas, Spotfy encerrou o suporte para Windows Phone mas para Windows 10 ate participou da build 2017, Slack ta com um app muito fluido e whatsapp ja apareceu na loja. Para mim que estou iniciando no desenvolvimento de apps vejo mercado apenas nas duas plataforma, android é certeza de pirataria para tudo que é desenvolvido. Espero que tudo de certo porque ate agora estou gostando das notícias sobre Windows. Quanto a OEM nao ter atingido a meta, sem duvida tudo contribuiu para a infelicidade deles, desde nao terem o aparelho em estoque, até mesmo a insegurança das pessoas em adquirir um produto de uma empresa desconhecida
Felipe Fernandes
Acho que além do desenvolvimento, eles não queriam abandonar os usuários e acabar de cagar com a imagem deles, como fizeram com o pessoal do WP7.x. Lançaram o 10 Mobile pra tentar segurar os derradeiros usuários, testar integração de apps universais e desenvolver o Windows com suporte a ARM.
Eliézer José Lonczynski
Não é falta de interesse das pessoas no sistema, apenas falta de confiança de ficar sem suporte, atualizações.
Mas vc diz isso pq a propria MS nao quis mais.. Eu digo que poderia ser algo muito bom.
CtbaBr
Cara eu tenho um, vai por mim, você não quer...
Wellington Gabriel de Borba
Nunca entendi porque o Windows 10 tinha uma versão Mobile. Para mim fazia sentido ter uma versão para plataforma ARM e todas elas com reconhecimento nativo a redes móveis. Sendo assim, quem fizesse um app para computador W10 já saberia que ele funcionaria também em telefones.
ludiaz
Sobre esse aparelho da WhartonBrooks, conforme foi dito no texto, a própria emprega criou um hype muito grande, dizendo que seria algo "revolucionário". No final, apresentou mais do mesmo. Eu sai de um Nexus 4 pra um Lumia 930, tenho tablet Android, agora estou com um 950XL e sistema por sistema, eu prefiro o Windows. Não me arrependi da troca. Agora, fazer um campanha online e com prazo de entrega lá na frente (setembro!) é uma derrocada anunciada. Ninguém conhece a OEM, como empatar a grana assim por tanto tempo? Se o aparelho estivesse em pronta entrega, o resultado poderia ter sido bem diferente. Pra completar, a falta de informações da MSFT sobre o futuro da plataforma é uma coisa que não anima ninguém a investir nisso. As builds Mobile x Desktop estão em numerações diferentes. O branch de desenvolvimento mobile foi separado do desktop e está só recebendo correções de bugs conhecidos, nada de novo. O recomendado é esperar mesmo pra ver os rumos que a MSFT vai dar ao Windows em telefones. E é certo, eu sou usuário, gosto, mas não recomendo pra ninguém comprar smartphone com Windows (mesmo se já vier com o 10 embarcado). Lumia feito pela Nokia então, é jogar dinheiro fora, mesmo que tenha atualizações suportadas oficialmente.
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