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IA do Google vence melhor jogador de Go do mundo

AlphaGo ganha a primeira de três partidas contra Ke Jie, jogador chinês profissional de Go

Paulo Higa Por

O AlphaGo, computador do Google que vem derrotando jogadores experientes de Go, conseguiu mostrar seu poder mais uma vez nesta terça-feira (23): ele venceu a primeira partida contra Ke Jie, chinês de 19 anos que é nada menos que o atual jogador número um do mundo.

Ke Jie demonstrou ter estudado o comportamento da inteligência artificial do Google, desafiando o AlphaGo logo no começo da partida e jogando onde o computador gosta. Por isso, a margem foi bem apertada: depois de 289 movimentos, a máquina venceu o humano por apenas 0,5 ponto, a menor diferença possível.

Serão três partidas no total: a próxima será na quinta-feira (25), enquanto a final será no sábado (27). Todas acontecerão na China, onde o Google está promovendo um evento sobre Go e inteligência artificial. Por lá, o jogo é tão importante que os feitos do AlphaGo seriam transmitidos pela TV — no entanto, o governo chinês mandou censurar de última hora as transmissões na emissora estatal e em todos os sites chineses.

Como já explicamos, o Go é um jogo difícil para computadores, porque se baseia em um tabuleiro de 19x19 quadrados com cerca de 10171 posições possíveis (o xadrez tem 1050) e 200 opções de jogadas por vez (contra 20 no xadrez). Isso torna quase impossível, com o poder computacional de hoje, criar um algoritmo eficiente do jeito tradicional, que analise todas as movimentações possíveis.

Por isso, o AlphaGo utiliza redes neurais artificiais para que o computador possa fazer “intuições”, como os jogadores humanos de Go. Ele toma decisões com base em processos já feitos, e aprende sozinho com novas partidas. No final das contas, é uma demonstração de como a inteligência artificial pode ser extremamente poderosa para resolver problemas relacionados ao clima ou doenças — não só para jogar Go.

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Rodrigo Brim
Exatamente. No caso da IBM era apenas poder de processamento bruto. As possibilidades que esse algoritmo que o Google apresenta tem potencial para ser o marco de um demarcador de era. Assim como tivemos as eras prós bronze, pós ferro, pós industrial, pós internet, teremos a pós IA. É tipo o que o Flyn vislumbrava no filme Tron, manja?
Trovalds
Pelo menos o Google deu chance pros adversários descansarem. Quando o Kasparov enfrentou o Deep Blue (IBM), foram partidas todos os dias. E é interessante ver que o Google está um passo além na questão da IA. No modelo do xadrez da IBM tudo era praticamente computação pura e simples: se analisava todas as jogadas possíveis.