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Google anuncia medidas contra vídeos extremistas no YouTube

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19/06/2017 às 11h50
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O boicote que o Google vem sofrendo por supostamente ter exibido anúncios publicitários em vídeos extremistas no YouTube parece ter surtido efeito. Em carta publicada no final de semana, a companhia se comprometeu a adotar quatro grandes medidas para evitar que esse tipo de conteúdo seja publicado e compartilhado em seu serviço de vídeos.

Kent Walker, conselheiro geral do Google, é quem assina o documento. O texto foi publicado no blog oficial da companhia, mas apareceu primeiro no Financial Times. Publicar a carta em um grande veículo de comunicação é, provavelmente, uma forma que o Google encontrou para dizer que as medidas recém-anunciadas não são promessas vazias.

Foto por Rego Korosi/Flickr

Quais são elas? A primeira é o uso mais intenso da tecnologia. A partir de modelos de análises de vídeo e aprendizagem de máquina, o sistema de moderação deverá diferenciar conteúdo que mostra ações violentas como parte de uma reportagem de TV (vídeo legítimo, portanto), por exemplo, daquele que efetivamente promove terrorismo, ódio e por aí vai.

Mas a tecnologia não acerta em 100% das vezes. Na verdade, as análises que farão o sistema ficar mais preciso podem levar bastante tempo. É por isso que a segunda medida anunciada é uma solução de carne e osso: as equipes de revisores de conteúdo ligadas ao programa Trusted Flagger do YouTube vão ser ampliadas.

Esse programa surgiu em 2012 depois que o Google percebeu que muitas pessoas faziam denúncias sobre conteúdo ilegal ativamente e com alta taxa de precisão. Se é assim, por que não trabalhar com elas? Atualmente, o índice de acertos (ou seja, a quantidade de vídeos marcados como inadequados que realmente o são) dessas equipes é superior a 90%. Para expandir o Trusted Flagger, o Google vai adicionar 50 ONGs às 63 que já participam do programa.

Google

A terceira medida é a limitação de conteúdo duvidoso. Quando um vídeo não viola claramente as políticas do YouTube, mas tem algum nível de nocividade, por assim dizer (vídeo religioso em tom de supremacia, por exemplo), o usuário responsável deixará de ser remunerado. Além disso, os comentários e os recursos de compartilhamento do vídeo serão desativados. A ideia é limitar o alcance desse tipo de conteúdo.

Na quarta medida, o Google dará mais força ao Creators for Change. O plano aqui é utilizar o potencial da publicidade online para identificar usuários que chegam a filmagens de conteúdo extremista e redirecioná-los a vídeos contra o ódio e a radicalização. Dessa forma, a companhia espera dificultar o trabalho de recrutamento feito por grupos terroristas.

Como coibir o extremismo na internet é uma tarefa bastante complicada, o Google também anunciou a decisão de trabalhar em conjunto com outras gigantes do setor — incluindo Facebook, Microsoft e Twitter — para combater o problema. Um fórum internacional deverá ser criado para permitir que tecnologias desenvolvidas para esse fim sejam compartilhadas, inclusive com pequenas empresas.

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  • Jack Silsan

    As que mais me parecem efetivas são a desativação de compartilhamento e o redirecionamento para vídeos anti-extremismo.

  • Adriano

    O Google tem um “mapa” completo de quem somos, com base nas buscas que fazemos na internet, e ao mesmo tempo, toda essa dificuldade de identificar conteúdo dentro de uma única plataforma?
    Fica aqui a reflexão.

    • Robson

      E ao mesmo tempo diz que tudo isso e analisado apenas por algoritmos, sem identificação publica do usuário

      Talvez a dificuldade prove que eles estiveram falando a verdade sobre privacidade esse tempo todo. E uma coisa é saber o que você ou eu pesquisa e acessa, outra coisa é saber o que x²²² usuários fazem em conjunto, considerando a provavel alta rotatividade no meio, é discurso de ódio ou não. E não pode ser apenas por palavra-chave, porque se fosse, a web brasileira ficaria praticamente muda, pelo menos quando se trata de politica, futebol, dinheiro, preconceitos, etc

      • Adriano

        Boa👍🏻

  • Felipe

    As ideias parecem ótimas, lógico que ainda vai precisar de alguns ajustes, mas parece que já pode diminuir o problema.
    Só quero ver agora quem vai ser o primeiro a falar que o Google persegue as ideias dele, que não da liberdade, que censura, que é esquerdista, que o Lula ta dominando o YouTube, que só tem espaço pra vídeo muçulmano, que branco hétero ta sendo perseguido, que são todos contra a família de bem e bla bla bla

  • O problema do YouTube é que ele não tem um concorrente à altura, então isso deixa o Google confortável pra só mexer os pauzinhos quando dá ruim.

  • MacielLucas

    Tadinho do Nando Moura.

    • Deilan Nunes

      tomara que todo mundo mude pro vimeo ou outro concorrente…

      • Anakin

        uso o vimeo também, e está longe de ser o público alvo do youtube, e ainda bem que não é haha

  • O Facebook deveria copiar a ideia também, só que numa escala 2x maior.