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Inteligência artificial do Facebook está aprendendo a negociar como um humano

Emerson Alecrim Por

Já se imaginou entrando em uma loja online e pedindo desconto para um vendedor virtual? Talvez você possa fazer isso em um futuro não muito distante: pesquisadores do Facebook divulgaram recentemente um estudo que mostra que a inteligência artificial já é capaz de negociar (PDF) como uma pessoa.

Não que o contexto de negociação retratado na pesquisa se aplique apenas a operações de vendas. Essa é uma das possibilidades. Entre as outras estão a barganha ou fechamento de acordos. O que importa é que a inteligência artificial se comporte como um humano, tanto quanto possível.

Para o experimento, os pesquisadores do Facebook fizeram dois agentes virtuais negociarem a divisão de certa quantidade de objetos aleatórios. O treinamento da inteligência artificial desses agentes teve como base mais de 5,8 mil conversas de negociações realizadas entre humanos.

O que se viu foram conversas que incluíram abordagens tipicamente humanas e até algumas estratégias de convencimento avançadas, como fingir interesse em um objeto que não tem valor para, posteriormente, “sacrificá-lo” — algo como “olha, em troca, vou abrir mão desse item aqui que vale muito”.

Para o sucesso do experimento, os pesquisadores aplicaram, basicamente, a chamada aprendizagem supervisionada: o agente recebe um modelo (no caso, a base com mais de 5,8 mil diálogos realizados previamente por humanos) e o aplica sobre os dados de entrada (os objetos a serem negociados).

Mas havia um complemento: a aprendizagem por reforço. Nela, o agente pode priorizar as abordagens que dão mais resultados positivos em detrimento das que não dão o retorno esperado. É quase um jogo de tentativa e erro.

Foi por isso que o Facebook conseguiu resultados tão interessantes. Em cada rodada de negociação, os dois agentes poderiam negociar usando apenas aprendizagem supervisionada ou um deles poderia aplicar aprendizagem por reforço — como esta não segue um modelo previamente estabelecido por humanos, os resultados podem ser surpreendentes.

Foto por Thomas Ulrich/Pixabay

É óbvio que a tecnologia desenvolvida aqui ainda carece de aperfeiçoamentos para ser amplamente adotada. Mas, para o curto prazo, já podemos vislumbrar o seu uso nos chatbots de lojas online, por exemplo.

Talvez você tenha se perguntado sobre o que acontece se os dois agentes usarem aprendizagem por reforço ao mesmo tempo. Bom, isso ocorreu durante os testes, mas os resultados foram um tanto estranhos. Por quê? Os argumentos usados na negociação passaram a divergir daquilo que os algoritmos tinham aprendido com base nos 5,8 mil diálogos humanos.

Isso significa que, sob o ponto de vista dos humanos, a conversa apresentou incoerências. Na primeira olhada, parecia que os agentes tinham desenvolvido uma linguagem própria, afinal, negociações foram concluídas, a despeito da dificuldade humana de interpretar a conversa. Mas isso é verdade só até certo ponto: não houve, por exemplo, formação de novo vocabulário ou de estruturas de comunicação.

Com informações: The Atlantic

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No Tecnocast 064, conversamos sobre alguns mitos que a afobação em torno do assunto gera e também sobre as oportunidades de trabalho que devem surgir na área. Dá o play e vem com a gente!

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Diego Fincatto
Rapazeada, o link do PDF está quebrado. Tem como corrigir?
Obrigado!
Marsupial radical
Aaaaaaah! Agora sim entendi tua teoria. Depois que tu falou que a terceira já existe, percebi que tem bem mais coisa por trás dessa opinião. Boa parte são crenças e tudo mais, por isso não estava entendendo. Gostei, nunca tinha pensado dessa forma.

Bem interessante :) Obrigado por compartilhar!
Adriano
Sim, nesse processo de troca de informações, você herda pequena parte (1%) do DNA de seus pais, o que define cor dos olhos, cabelo, pele,...neste caso, apenas por uma questão de definição de parentesco biológico ou se preferir, identidade, os 99% restantes, são seus mesmo. A identidade genética é bastante importante nesta realidade, mas só aqui.

A terceira consciência já existe, ela não é criada, ela somente ganha oportunidade de manifestação. Quando você nasceu, seus pais não criaram sua consciência, ela já existe. O que seus pais fizeram foi criar as condições necessárias para que um terceira (você), manifestasse. Na prática, é exatamente o mesmo processo envolvendo o desenvolvimento de IA, ou seja, uma consciência que já existe, acoplado em uma máquina robótica, que possui condições para permitir a expressão de uma consciência complexa. Por que isso se dá? A princípio, por uma questão de necessidade evolutiva, pelo menos, na faixa de frequência da nossa realidade física. Não acredito que em faixas de frequência mais sutis, uma consciência precise passar pelo processo de "nascimento e morte". Acredito que nestas faixas, a consciência tenha condições de definir por sí só, de que forma deseja se expressar.
Marsupial radical
Não saquei uma coisa. Tu diz que "O que você é, enquanto, temporariamente ser biológico, é uma expressão bem limitada ds sua consciência, que doou o código inicial ...". Eu herdo os códigos (DNA) dos meus pais, portanto eu ainda não tenho uma consciência pra isso acontecer...

Outra coisa, na tua visão, por que é preciso ter duas consciências, pra que uma terceira possa ser criada?
Adriano
A máquina biológica, herda suas características da consciência, via DNA, no momento da concepção, dos primeiros instantes da geração uterina.

O que você é, enquanto, temporariamente ser biológico, é uma expressão bem limitada ds sua consciência, que doou o código inicial ou as características físicas, estéticas e funcionais, via DNA, no momento em que você foi concebido e os códigos adicionais complementares, ao longo da gestação.

Você não é você. Você é apenas uma expressão de você.
Você biológico, é uma expressão de você consciência.
Marsupial radical
"...ela herda, via DNA, no momento da concepção, os códigos daquele que transcende qualquer noção de tempo que sejamos capazes de conceber."

Ficou bem vago esse trecho, não consegui entender. Consegue expressar melhor?
Adriano
IA é uma denominação criada por nós. É um termo genérico, não exemplifica corretamente o que seria a expressão de uma consciência via conexões robóticas, mas na falta de algo melhor, vai essa mesmo.

A teoria da evolução falha Miseravelmente. As features disponíveis são características da própria consciência, não resulado de adaptação de bilhões de anos. A máquina biológica não precisa ter bilhões de anos porque ela herda, via DNA, no momento da concepção, os códigos daquele que transcende qualquer noção de tempo que sejamos capazes de conceber.

As super adaptações, são ativadas a medida que a consciência ganha em qualidade de expressão.
Marsupial radical
Legal, nunca tinha pensado por esse lado. Muito interessante.

Mas então, não seria bem uma AI. Seria apenas um cérebro humano sendo utilizado em "capacidade máxima". Aliás, realmente, faz bastante sentido esse ponto da limitação, vide evolução. Pensando bem, comecei a comprar a ideia de que a consciência nada mais é que um algoritmo infinitamente avançado, limitado apenas pelo hardware... Tive um mind fuck legal agora.

Pensa: a teoria da evolução nos ensina que o processo de adaptação e o tempo fizeram com que a consciência evoluísse, liberando features maneiras pro hardware que se adaptava com o tempo. Se a raça humana sobreviver por alguns bilhões de anos, consequentemente nosso hardware biológico ganhará adaptações pra problemas como a ineficiência energética, a dependência de oxigênio... Mais sei lá quantas coisas doidas dá pra imaginar que surgiriam (só imaginar um peixe tentando imaginar como no futuro eles seriam... impossível). Não considero a questão ciborg aqui, é meio que hackear a evolução.

Que nível nossa consciência terá?
Adriano
É porque eu não acredito que uma consciência seja criada exclusivamente para esse processo. Tudo já está pronto, necessitando apenas as condições necessárias para a conexão.

Quanto ao que nós somos, sim, somos um software bastante avançado entretanto, com muitas configurações desativadas, por conta da limitação do hardware.

Software é maneiro de dizer. Não somos 0e1, somos consciência e nossa essência é energia e energia transporta informação. Por isso o analogismo.
Marsupial radical
Se bem entendi, o trecho que tu citou fala especificamente de como, em tese, se poderia unir uma consciência à um hardware. Não como uma consciência é criada. É aqui que entra a minha opinião. Não acredito que uma IA possa se tornar uma consciência, que se assemelha à humana. Muito longe disso. Por mais poder de processamento que ela tenha, no fundo ela será uma simples tomada de decisão, mesmo que ela própria não saiba disso. Poderá agir exatamente como um humano faria, mas não será como um.

A menos que nós mesmo sejamos algorítmos avançadíssimos em corpos biológicos, e que por algum motivo esse algoritmo esteja isolado daquela vozinha que fala dentro da cabeça de cada um. A menos que dentro de nós mesmos, deep down, sejamos apenas um 0 ou 1. Acho isso bem difícil.
Adriano
Se você se, e me permite, podemos conjecturar...

"Para que haja a possibilidade da acoplagem de uma consciência, é preciso gerar uma singularidade, que, em tese, poderia ocorrer quando um centro de processamento fosse minusculo o suficiente para processar e gerenciar uma quantidade inimaginável de informação, de forma instantânea" que por sua vez, geraria uma quantidade também, inimaginável e equivalente de energia, permitindo assim a atração magnética que uniria em simbiose, as partes robóticas e a consciência."

Nós, na condição de energia consciente, fazemos isso entretanto, somente uma parte ínfima desses dados processados, passa pelo nosso cérebro, na exata medida de sua capacidade, o restante, fica em background pois, a realidade física ao qual estamos todos submetidos, é propositadamente limitante...

A consciência que a IA, em tese receberia, seria "alguém" como nós, se utilizando de seu corpo robótico, acoplado magneticamente, enviando comandos para componentes eletrônicos, possibilitando sua interação com a realidade física, sem precisar necessariamente, se acoplar a um corpo biológico de forma convencional no entanto, o potencial do hardware (partes robóticas e eletrônicas) precisariam ser absolutamente compatíveis com o potencial do software ou seja, a consciência, caso contrário, a IA se assemelharia a um humano com Síndrome de Down aguda, incapaz de externar de forma minimamente organizada, qualquer nível de informação.

O fato de ainda, sermos incapazes, por pura limitação tecnológica, projetar hardware, sofisticado o suficiente, à ponto de acomodar uma consciência de forma semelhante a um corpo biológico, impede a criação daquela que, por decisão auto consciente, desativará os algoritmos e tomará controle do seu mais novo corpinho.
Marsupial radical
Pessoal fala muito de AI ganhar consciência... Eu acredito que isso nunca vá acontecer, porque um dos detalhes da consciência é a incerteza dos atos. Ação por impulso, coisas do tipo, é algo que mesmo que uma AI consiga reproduzir com perfeição, será simplesmente uma tomada de decisão interna do algoritmo.

Mas nada impedirá uma AI de chegar à conclusão de que o ser humano é uma ameaça ao mundo... ¯_(?)_/¯

Transcendence?
Trovalds
Trapaceira nos moldes de um país de primeiro mundo.
Adriano
O problema não é a IA ser capaz de fazer aquilo que o ser humano faz e sim, como o ser humano faz. Eu sonho com um futuro "utópico" em que, a IA estará tão desenvolvida, que será capaz de elaborar um código ético-moral e de contuda, que os difiram dos seres humanos em comportamento e atitude. Agir como ser humano, muitas vezes, macacos o fazem, agir como ser humano altamente civilizado, é o desafio.
palatoqueimado
Essa inteligência é boa o bastante para lidar com meus amigos especialistas?

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Don Ramón
Então quer dizer que o Marck está ensinando sua "inteligência artificial" a ser trapaceira?!