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Padrão de DRM para vídeos na web é aprovado e preocupa especialistas

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10/07/2017 às 18h14
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O W3C, órgão que regulamenta os padrões técnicos da web, aprovou um mecanismo de DRM (Digital Rights Management) para vídeos. Isso significa que serviços online não precisarão exigir que, por exemplo, extensões sejam instaladas com o intuito de coibir a pirataria. Mas o assunto é polêmico: especialistas de entidades como a Electronic Frontier Foundation (EFF) acreditam que os usuários poderão ser prejudicados com o novo mecanismo.

É essencial que serviços como Netflix e Amazon Prime Video garantam aos distribuidores que o conteúdo disponibilizado aos usuários seja protegido, tanto quanto possível. Também é importante ter o mesmo cuidado com conteúdo próprio, é óbvio.

DRM (Imagem por EFF)

De nome Encrypted Media Extensions (EME), o novo padrão visa facilitar essa proteção nos navegadores. A ideia é que você só consiga acessar os vídeos disponibilizados respeitando as condições impostas pelos serviços. Você não conseguirá, por exemplo, baixar o vídeo, a não ser que use um mecanismo do fornecedor para esse fim (ou que você recorra a uma ferramenta que consiga burlar a proteção).

Por um lado, isso é bom. Como o EME é atrelado diretamente ao HTML5, você não precisará mesmo instalar plugins e afins. Além disso, os serviços online terão menos esforços para proteger o conteúdo. Mas a EFF argumenta que, da forma como o padrão foi definido, pessoas e organizações que burlam o DRM por razões legítimas serão injustamente penalizadas.

A entidade dá como exemplo o trabalho de pessoas que baixam e analisam vídeos para gerar legendas adequadas para indivíduos que não escutam ou descrição em áudio para quem tem problemas sérios de visão. Ou, então, o trabalho de voluntários que usam ferramentas para encontrar cenas com efeito de luz estroboscópica que, como tal, podem afetar usuários com epilepsia.

Outro dos vários pontos criticados é que, junto ao EME, não há padrão universal para descodificação de conteúdo. As companhias responsáveis pelos principais navegadores do mercado têm soluções para esse fim, mas empresas menores que quiserem explorar esse nicho poderão ter dificuldades para obtê-las.

Tim Berners-Lee (Imagem por Wikipedia)

Tim Berners-Lee

O próprio Tim Berners-Lee — “pai da web” e principal voz do W3C — tratou de rebater esses e outros argumentos. Ele defende a ideia de que o EME, na verdade, é benéfico por ser compatível com padrões de acessibilidade. Além disso, Berners-Lee afirma que os usuários estarão mais seguros: além de plugins de terceiros não serem necessários, os próprios navegadores terão mais controle sobre o fluxo de informações, aumentando a privacidade.

De modo geral, Berners-Lee acredita que o EME é viável por ser mais abrangente do que outras soluções de DRM existentes. É como se ele quisesse dizer que é melhor ter algo assim do que nenhuma proteção oficial.

Inicialmente, o EME não afetará a forma como consumimos vídeos na web. Mas a EFF teme que, em um futuro próximo, o padrão traga complicações para quem faz uso legítimo de conteúdo com DRM. Por isso, a entidade decidiu resistir: o padrão foi aprovado, mas ainda não está pronto para implementação. O plano, agora, é continuar apelando para que o W3C reveja os pontos criticados.

Só não vai ser uma tarefa fácil. A definição do padrão vem sendo debatida há cinco anos, sempre com argumentos contrários. Por conta disso, um eventual senso de urgência para finalizar de vez o assunto pode acabar sendo uma barreira importante para a EFF.

Com informações: The Verge

  • Adriano

    Se por um lado facilita, por outro traz algumas complicações no entanto, sabemos exatamente a quem essas medidas beneficiam.

    • Eu alteraria o final da sua frase… sabemos exatamente a quem essas medidas atrapalham…. kkkkkk

  • Molinex

    Até hoje não vi um padrão sugerido pela w3c que prejudicasse o usuário final…
    E graças a esses padrões, temos hoje uma web aberta, e universal. Independente do navegador que você use pra acessar, e tentando substituir a necessidade de plugins externos, pra prover algum tipo de conteúdo, que na maioria dos casos, te deixa vulnerável, por algo nativo…

    Um exemplo tosco, é o Firefox, que no Linux, até um tempo atras, não reproduzia conteúdo DRM. O que te obrigava a baixar o Chrome, se quisesse ver netflix. Se fosse um padrão web aberto, embasado pela w3c, qualquer navegador reproduziria…

    E outra, se Sr Tim Berners-Lee falou, então, ponto final.

    • CtbaBr©

      E diga-se de passagem que o W3C é bem exigente, muitos até consideram eles “conservadores” demais!

      • Molinex

        Sim, e até por isso, é o único consorcio de tecnologia, que a gente pode levar a sério

    • Jonas S. Marques

      O problema é a imposição de um padrão único.

      W3C funciona, mas não é único em nada.

      Mesmo para diretrizes de usabilidade e acessibilidade existe também o A11Y, documentação menos burocrática, mais direta e mais acessível.

      • Molinex

        Mas o lance com a padronização é esse aí… Indicar uma forma de como fazer uma coisa. Se não cada um faz como acha que deve, e a gente volta pra época, onde a gente fazia uma aplicação diferente pra cada browser…
        E por isso o padrão deve ser único, e fornecido pelo consorcio que administra a web. Assim ele será seguido, o que garante que sua aplicação rode de forma satisfatória, independente do navegador…

        Agora, posso estar falando besteira, porque front end, ainda mais, voltado a acessibilidade, não é o meu forte, mas se eu não me engano, o a11y project é apenas uma fonte de documentação voltada a acessibilidade, e não um padrão de fato.
        O padrão (para web, nesse caso) continua sendo o WCAG que se encontra na versão 2.0, e é esse padrão, que os fabricantes de browsers seguem, ao desenvolverem seus produtos.
        Já o desenvolvedor de aplicativos web, deveria seguir esse padrão, para construir aplicações acessíveis. E é aí que entra o a11y project, fornecendo documentação compatível com o WCAG, ensinando tecnicas de como implementar esses conceitos…

        • Jonas S. Marques

          Então, na verdade não.
          Tanto a Wcag quanto o A11Y são diretrizes recomendadas, não há um padrão aqui, e isso gera sim um problema.
          A Wcag, por exemplo, em sua última revisão, se quer especifica um padrão pra sites produzidos com Angular, sites de Página única como temos hoje, é uma documentação feita em 2008 que se quer abrange o HTML5 em sua plenitude.
          O A11Y tem se tornado popular justamente por isso, porque engloba diretrizes mais atuais, baseadas nas novas tecnologias, direcionadas ao futuro, não ao presente como é a Wcag 2.0

          Além disso, a W3C tem parceria com o Chrome em uma série de elementos, e veja só, a acessibilidade do Chrome como um todo é lamentável.
          É usável, mas, nas mãos de um usuário leigo “Também abrangido por acessibilidade” é um caos.
          Além disso, padrões nunca são únicos. Existem sim padrões em quase todos os campos da tecnologia, mas cada padrão respeita seu limite de atuação, e acredite em mim, é bem melhor assim.
          É por isso que cada país tem seu próprio regimento de padrão de construção de sites, o do Brasil é o eMag, por exemplo.
          Ou é por isso também que existem elementos de certas linguagens compatíveis com um navegador e incompatíveis com outro, como é era o caso de Web Aria até outro dia.
          Enfim, é um debate longuíssimo mas, forçar padrões só prejudica a evolução da tecnologia como um todo.

          • Molinex

            De qualquer forma, padronização não pode ser considerada prejudicial em nenhum caso. Um padrão aberto, extensivo, e universal, garante que conversemos na mesma língua. Quando você escreve uma aplicação de uma pagina, em angular.js, geralmente você segue um padrão de designer (possivelmente o MVVM. Lembre-se design patern são universais para desenvolvimento de aplicação, e não tem nada a ver com a w3c, mas não deixa de ser um padrão), e graças ao fato de você seguir esse padrão, é que eu posso entende-lo, e seguir com o trabalho, se for necessário…

            A padronização feita pela w3c, é bem aberta, e extensível. Eles sugerem como implementar tecnologias, e mesmo assim, o desenvolvedor é livre, pra desenvolver da forma que achar que deve, e até agregar novas coisas aos padrões existentes…

            Google, Mozilla, Apache, MS, e muitas outras, estão constantemente estendendo esses padrões, com sugestões, que depois de avaliadas, e votadas, passam a fazer parte do padrão comum. Isso garante que qualquer navegador, por exemplo, tenha a capacidade (teoricamente. Tem coisas de CSS3 que ainda não foram implementadas por todos os browsers) de implementar uma nova tecnologia…

            Padrão é vida…

          • Jonas S. Marques

            Então, discordo novamente.
            Quando você fala de padrões, desconsidera o fato de que apenas uma estrutura padrão é necessária, todo o resto é variável.
            Eu posso escrever VOCÊ, VC, CÊ OU Vossa Mercê, todos são compreensíveis.
            A W3C não está aqui impondo um padrão estrutural, é um padrão final. É bem diferente de haver uma padronização básica.
            Tome como exemplo Firefox e Chrome:
            Ambos renderizam código HTML, ambos interpretam o CSS mas, a partir daí, o Chrome pode vir com Webkit ou Blink, e o Firefox com seu famigerado Gecko “Futuramente Quantum”. E isso altera totalmente a usabilidade e a disposição de layouts, sites e web apps.
            Se o que você disse no comentário abaixo fosse verdade, ambos usariam o mesmo motor de renderização fosse ele qual fosse, e os diferenciais ficariam por conta de menus e integrações do próprio navegador, algo limitado e a longo prazo extremamente prejudicial.
            Novamente, o problema dessa tecnologia de DRM é que ela será forçada, o que significa que todos os navegadores e sistemas terão de atuar com ela, o que significa que num futuro próximo nada de diferente vá ser produzido.

          • Molinex

            A lingua portuguesa é um padrão, universal, aberto e extensivo, por isso quando você fala: “você”, “vc”, “cê”, eu entendo… Agora se vossa mercê fala em português, e eu falo em alemão, ambos são padrões, mas a gente não se entenderia. Se a gente quer conversar, devemos encontrar um padrão comum, para os dois, e nesse caso, falamos em português…

            Da mesma forma, quando desenvolvemos um software, devemos seguir um padrão que seja compreensivo pra quem vai trabalhar nele. pra existir uma comunicação, e cada um poder fazer partes diferentes, de um mesmo sistema…

            Se estamos falando de aplicações para web, nada mais natural, que esses padrões sejam estabelecidos por quem inventou, e mantem a web da forma que conhecemos. Nesse caso a W3C…

            Padrões são regras de como as coisas devem ser feitas, mas o Tim Berners-Lee não vai pegar na sua mão, e escrever um motor de renderização com você. Ele vai te dizer o que você deve implementar, para estar de acordo com o padrão, e daí pra frente é com você. Você implementa da forma que achar que deve. Por isso temos o blink, o gecko, webkit, e EdgeHTML…
            As empresas sabem o que tem que implementar, pois esta lá nos padrões da w3c, e cada uma implementa do seu jeito. É obvio, que se cada uma faz sua implementação, o resultado tende a ser ligeiramente diferente, mas quando você escreve “border-radius: 50%”, todo navegador reconhece, e sabe que você quer arredondar as bordas. Isso porque eles seguem um padrão…
            Quando você vê um “::-webkit-scroll”, é algo que ainda não se encontra padronizado, e por isso não funcionara em todos os navegadores… Hoje só encontramos essas propriedades especiais, em novas features, que ainda estão em estágios experimentais, e podem fazer parte do padrão ou não. Antigamente você encontrava em tudo, e era obrigado a desenvolver uma aplicação para cada browser, tanto no que tange css, como js…

            No começo quando não existia padrão, aí sim era o caos. Hoje tá uma maravilha. Mamão com açúcar…

          • Jonas S. Marques

            Destaco o trecho retirado do post:

            Outro dos vários pontos criticados é que, junto ao EME, não há padrão universal para descodificação de conteúdo. As companhias responsáveis pelos principais navegadores do mercado têm soluções para esse fim, mas empresas menores que quiserem explorar esse nicho poderão ter dificuldades para obtê-las.

            ´
            É como se eu e você decidíssemos começar a falar em alemão no meio do Brasil. Quem sabe o idioma ou tem compreensão linguística estrutural vai entender, quem não tem acesso a isso vai ficar de fora da conversa. E aí cada vez mais vai ser apenas a nossa conversa, até que não haja mais ninguém querendo conversar.
            É justamente esse o meu ponto.

          • Molinex

            Entendi. Mas por exemplo, hoje o DRM, esta na mão da provedora de conteúdo, e de uma (ou mais) parceira pra exibir esse conteúdo…

            Por exemplo, a Netflix tem o conteúdo, ela cria um pluguin pra criptografar e impedir o download desse conteúdo, pra proteger os direitos de uso dela. E depois ela escolhe onde disponibilizar esse conteúdo. No caso do Linux, só rodava no chrome até um tempo atras. depois, quando o firefox teve acesso a esse plugin, pra rodar conteúdo DRM, você ainda era obrigado a fazer uma gambiarra pra mudar o user-agent do navegador, com uma extensão, para se passar por chrome…
            Ou seja, a segregação é maior, pois a tecnologia esta na mão de algumas empresas, e parceiros escolhidos por elas…

            Da forma que a w3c esta propondo, eles vão especificar um padrão aberto, nisso todos os navegadores vão poder implementar, e a proteção do conteúdo caberá aos navegadores. Se você tiver um conteúdo no seu site, poderá protege-lo, assim como a Netflix, faz com seus filmes e series, e não vai correr o risco de ver seu conteúdo em sites de terceiro, sem sua autorização, além do que, pro desenvolvedor de aplicações pra web, isso será pratico e indolor…
            E pra quem é apenas usuário, poderá ver o conteúdo do navegador que quiser…

            Só quem pode sair perdendo com isso, é quem esta ganhando alguma coisa, da forma como as coisas estão agora. Pode ser que a netflix ganhasse um dinheiro por fora da google, pra permitir que seu conteúdo (em navegadores), só rodasse no Chrome…
            Com os novos padrões, acaba esse lance de exclusividade…

  • Antonio Araújo

    Só vai servir pra deixar mal otimizado. Hoje em dia qualquer software e hardware faz captura de tela

    • Lucas Carvalho

      O objetivo não é impossibilitar o download, mas sim dificultar.

  • Não sei se essa novidade afeta algo nesse assunto, mas espero que possibilite os streamings como Netflix a suportar mais sistemas operacionais e navegadores. Atualmente, é impossível obter 1080p na Netflix utilizando Linux, não importa o navefador. A maioria do conteúdo roda em 720p, porém ainda tem uma parte que só vai até 480p.

    E se não estou enganado, até no Windows 10 só é possível obter 1080p utilizando o aplicativo ou o Edge, outros navagedores somente até 720p. E tudo isso por causa dessa tecnologia de DRM.

    • ochateador

      A exclusividade do edge em rodar em fullHD ou 4k é porque a microsoft pagou por isso…

  • Jonas S. Marques

    Um padrão único, é assim que todos começam.
    É aguardar e torcer para que o projeto não passe no estado atual.

  • Abraão Caldas

    Sei não, mas essas desculpas da EFF foram bem esfarrapadas … é tipo o pessoal que diz que só usa torrent para baixar iso do ubuntu… sei…

    • Cássio Amaral

      Huhauahua, eu também acho hipocrisia o povo dizer que só usa cliente de BitTorrent pra baixar iso de Linux, aí mente xD

  • Cássio Amaral

    Xiiii, já estou vendo eu não poder mais baixar vídeos do Youtube usando o JDownloader2.