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Engenheiro demitido do Google abre queixa trabalhista em polêmica sobre diversidade

Felipe Ventura Por

O engenheiro James Damore escreveu um manifesto de dez páginas criticando as políticas de diversidade do Google. Ele diz que mulheres estão menos presentes nas áreas tecnológicas devido a diferenças psicológicas naturais, e que programas de inclusão são discriminatórios.

Damore foi rapidamente demitido, segundo ele, por “perpetuar estereótipos de gênero”. Sundar Pichai, CEO do Google, diz que o desligamento ocorreu porque “partes do documento violam o código de conduta”. O engenheiro prometeu reagir, e assim o fez.

Foto por Zeyi Fan/Flickr

Segundo o Business Insider, Damore abriu uma queixa contra o Google em 7 de agosto no Conselho Nacional de Relações de Trabalho (NLRB). Ela ainda não está disponível online na íntegra, mas é classificada como “declarações coercivas (ameaças, promessas de benefícios, etc.)”.

Ou seja, a polêmica deve continuar nos tribunais — e Damore tem alguma chance de ganhar. A Wired explica que a Califórnia adota a regra trabalhista “at-will”, ou seja, empresas nesse estado (como o Google) podem demitir funcionários sem justa causa nem aviso prévio.

No entanto, uma lei federal proíbe que funcionários sejam dispensados por abrirem uma acusação no NLRB. E Damore diz que apresentou sua queixa antes da demissão.

Além disso, uma lei da Califórnia impede empresas de retaliar contra funcionários que se queixam de condições de trabalho ilegais. Damore acredita que seu manifesto está protegido por essa lei, porque discutia um tratamento supostamente desigual dos googlers.

No manifesto, o engenheiro diz que o viés à esquerda do Google “criou uma monocultura do politicamente correto que mantém seu controle ao coagir os dissidentes ao silêncio”. Damore acredita que a empresa deveria reduzir sua empatia em relação à diversidade, sendo objetiva ao analisar custos e benefícios; e também deixar de alienar a minoria conservadora dos funcionários.

Pichai respondeu em uma carta aos funcionários: “sugerir que colegas têm características que os tornam menos adequados biologicamente ao trabalho é ofensivo e não aceitável”. Danielle Brown, vice-presidente de diversidade no Google, diz que “estamos inequívocos em nossa crença de que a diversidade e a inclusão são fundamentais para o nosso sucesso como uma empresa”.

Com informações: Business Insider, Wired, The Verge.

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Rafael Gil
Eu concordo com a sua afirmação, mas se você pode ser demitido por se expressar então você não está totalmente seguro, como a diretora deu a entender que estaria. O meu "medo" é começar assim, e daqui a pouco estão demitindo, digamos, quem votou no Trump, com o discurso de que o Trump não representa os ideais da empresa e se você votou nele é porque concorda e então não pode trabalhar aqui. Já pensou no problemão que isso ia ser? Vendo as notícias recentes sobre o caso, me parece que ele foi com o pé na porta justamente pra chamar atenção. Me parece ter sido de caso pensado.
Matheus Gonçalves
Novamente, você tem total liberdade de se expressar. Mas não de fazê-lo sem consequências. Ele vacilou ao fazer com o pé na porta e tapa na cara. Sem ponderar sobre possíveis fatores sociais envolvidos e toda a benfeitoria dos programas de diversidade de gênero.
Matheus Gonçalves
E a opinião dele foi ouvida. Inclusive isso desencadeou várias coisas dentro da empresa. O discurso de diversidade se dá relacionado a diversidade de gênero, de raça, de amparo a minorias. Não tem absolutamente nada a ver com aceitar opiniões sem consequências. Sem contar o agravante que ele violou regras do estatuto interno, cara.
Rafael Gil
deve ter sido daqui (último parágrafo): http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/ativistas-alt-right-propoe-boicote-ao-google-apos-demissao-de-engenheiro-que-criticou-diversidade.ghtml Chega a ser engraçado (se for verdade, claro) ela dizer isso depois de demitir o cara, rsrs.
Sergio H. F.
Do autor de Fahrenheit 451: Ainda na versão em brochura, lançada em 1979, Bradbury escreveu uma nova coda para o livro contendo vários comentários sobre a censura e sua relação com o romance. A coda está presente na versão de 1987, que ainda é impressa. “Há mais de um jeito de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas por aí com caixa de fósforos. Cada minoria, seja batista, unitária, irlandesa, italiana, octagenária, zen-Budista, sionista, adventista, feminista, republicana, homossexual, quadrangular, acha que tem o direito, ou o dever, de dosar o querosene e acender o fogo. O chefe do corpo de bombeiros, capitão Beatty, em meu romance Fahrenheit 451, descreve como os livros foram queimados primeiramente pelas minorias, rasgando uma página ou duas. Depois disso, quando os livros já estiverem vazios e as cabeças fechadas, a livraria fechará para sempre."
Sergio H. F.
Também não pode falar mal do regime, ou do reich ou do Maduro, é a mesma lógica. Alguém diz determinadas opiniões são incorretas ou ofensivas e que apenas o pensamento dominante pode ser exercido
Sergio H. F.
Destaque para "on average". Infelizmente ele cometeu o crime de ter uma opinião diversa e foi devidamente patrulhado. Parecem aquelas patrulhas que tinham no filme Fahrenheit 451.
Benício Pereira
"Women, on average, have more: [...] Openness directed towards feelings and aesthetics rather than ideas. [...] Neuroticism (higher anxiety, lower stress tolerance).This may contribute to the higher levels of anxiety women report on Googlegeist and to the lower number of women in high stress jobs." O fato de ele dizer que na média isso acontece não exclui a sua responsabilidade.
Jack Silsan
A única forma de seleção que deve importar no ambiente profissional é a competência.
joaofla123
Só haverá igualdade quando grupos que são historicamente desprivilegiados, conquistarem o espaço e status que nunca tiveram por conta de preconceito ou machismo. E isso só será resolvido quando esses grupos tiverem mais oportunidades de crescer e relação aos demais. A empresa quer no mínimo a cultura de oportunidades iguais, e as pessoas ainda acham que isso está errado.
Sergio H. F.
Realmente acho que o que vc falou contraria sua própria premissa. Ele não fez discurso, ele fez uma analise, fundamentada em textos científicos, dentro do ambiente supostamente apropriado, dando sugestões de como melhorar. O Google infelizmente é um ambiente inóspito para diversidade de pensamento: existem listas negras de funcionários que não adotam a cartilha do politicamente correto, quem não usar pronomes neutros é advertido, quem votou em Trump e declarou o voto foi excluído ou demitido. Então a questão política aí não foi dele, nem discurso, mas sim algo que está ocorrendo dentro do vale do silício como um todo, a intolerância ao pensamento diverso e esse sim é um grande mal.
Sergio H. F.
Ele não falou isso... Ele disse que homens TENDEM a p.ex. realizar uma tarefa por vez e mulheres TENDEM a realizar multitarefas, etc Ele estava pensando um pouco fora do padrão para analisar que a falta de mulheres em determinados setores PODERIA estar relacionada a diferenças intrínsecas entre homens e mulheres, e não à falta de oportunidade e que talvez o Google estivesse abordando a situação de forma errada e que, por isso esses índices de desigualdade não estavam diminuindo, apesar das politicas inclusivas. Ele em seu longo e fundamentado texto pretendia a maior INCLUSÃO desses grupos, apontando o erro e sugerindo soluções, observando que existem características diferentes, na MÉDIA entre homens e mulheres. Ele não falou em nenhum momento que as mulheres ou um determinado grupo não consegue realizar alguma tarefa, apenas que tendem a preferir outras e nisso ele não foi preconceituoso nem estava errado. Infelizmente esse tipo de patrulha censora mimizenta é o novo padrão. Falar o óbvio hoje em dia virou motivo de briga: homens e mulheres são diferentes, possuem gostos diferentes, abordam as questões da vida e do dia dia de forma diferente dos homens na MÉDIA (o que significa dizer que existem mulheres e homens com características do outro grupo, mas não constituem a maioria). Os publicitários sabem bem disso, pois conseguem direcionar produtos para diversos públicos: homens, mulheres, homens jovens, mulheres adultas e com filhos, etc, porque esses grupos possuem características e preferências diferentes, logo negar tal fato é, em minha opinião apenas a censura pura e simples. Mas, infelizmente é uma discussão inócua e veremos cada vez mais fenômenos como a "minoria silenciosa" que elegeu Trump, que pode eleger o Bolsonaro e que se voltará contra essa patrulha, como uma panela que a pressão aumenta de forma silenciosa mas um dia explode.
Ricardo - Vaz Lobo
Pelo que eu entendi do caso Flint, o que julgava era o direito de publicar a revista e não o conteúdo dela. Agora, dentro da minha vastíssima ignorância jurídica, tem um “hate speech” embutido na parada. Cairá no mesmo ponto?
Gaba
Eu concordo com voce sobre a empresa ter sua propria cultura e regras... Mas a diversidade nao deveria incluir todos os tipos de pessoas e opinioes?... Deixar conservadores de lado, apenas porque tem opinioes diferentes nao vai contra o proprio discurso de diversidade?
Benício Pereira
Se acham que o meu ponto de vista é algo difícil de entender, experimentem se colocar no lugar de quem foi ofendido/a. Vocês acham que é certo dizer que nós, homens, somos inaptos a fazer alguma coisa pelo simples fato de sermos homens? Não sei quanto a vocês, mas eu jamais aceitaria isso.
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