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Filecoin é um serviço de armazenamento de dados inspirado no Bitcoin

A ideia é rentabilizar o armazenamento ocioso dos computadores. Mas há percalços, como o fato de a rede ainda nem existir.

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18 semanas atrás
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Enquanto uns quebram a cabeça tentando fazer fortuna com criptomoedas, outros apostam muito dinheiro em iniciativas tecnicamente parecidas, mas com propósitos ligeiramente diferentes. É o caso do Filecoin, rede de armazenamento de dados descentralizada que se baseia no blockchain, o ingrediente principal do Bitcoin. Só tem um detalhe: na prática, a rede do Filecoin ainda não existe.

Capacidade de armazenamento ociosa

Filecoin

O blockchain funciona como um sistema de banco de dados distribuído que registra todas as transações da rede do Bitcoin (assim como de outras criptomoedas). Os dados são registrados em blocos que não podem ser apagados ou adulterados. Além disso, informações só podem ser acrescentadas para registro de novas transações por meio de um processo de validação.

As mencionadas características fazem o blockchain ser bastante confiável. Essa confiabilidade, em teoria, é o que torna o Filecoin possível: desenvolvida pela Protocol Labs, essa é uma rede cuja proposta é permitir que os usuários rentabilizem a capacidade ociosa de armazenamento de dados de seus computadores. A plataforma tem como base o IPFS (InterPlanetary File System), sistema específico para esse fim.

No Bitcoin, os mineiros (ou mineradores) são recompensados pelo processamento fornecido aos cálculos que correspondem à validação das transações. O Filecoin segue essa ideia, com a diferença básica de que as máquinas que fazem as funções de mineração devem dispor de capacidade de armazenamento.

Se no Bitcoin os mineiros ganham bitcoins, no Filecoin os mineiros ganharão filecoins, que poderão ser usadas como pagamento em transações ou trocadas em casas de câmbio por dólares, bitcoins e por aí vai.

Para os clientes que precisam de armazenamento, a estrutura do Filecoin deve se mostrar interessante por ser descentralizada e formada por numerosos nós, como em uma rede P2P. Assim, se um nó se tornar inacessível, os demais nós garantirão o acesso aos dados e a execução de operações, o que é difícil de assegurar em sistemas centralizados.

Espera-se também que os custos sejam sensivelmente menores em relação aos serviços de armazenamento tradicionais. Já a proteção dos dados será proporcionada pela criptografia e pelo blockchain da rede: a impossibilidade de alterações impede violações, assim como o processo de validação confirma cada operação realizada.

Pelo menos na teoria, a proposta do Filecoin é deveras interessante. Isso explica o fato de mais de 150 investidores — incluindo grandes nomes como Sequoia Capital e Winklevoss Capital — terem colocado, juntos, mais de US$ 52 milhões (até agora) na ideia.

É arriscado

Mas os riscos não são pequenos. A equipe responsável pelo projeto produziu vários white papers para descrever a tecnologia e, consequentemente, conquistar a confiança de investidores. Porém, como já dito, a rede em si ainda é um grande deserto. A implementação do protocolo está prevista para o quarto trimestre, mas não está claro quando a rede irá efetivamente funcionar.

Na tarde desta quinta-feira (10), os responsáveis pelo Filecoin ficaram de abrir uma ICO (Initial Coin Offering), algo similar a uma IPO (no Brasil, Oferta Pública Inicial), só que com valores em vez de ações. Esse processo pode fazer o Filecoin arrecadar ainda mais dinheiro e, eventualmente, estimular o pleno funcionamento da rede.

Filecoin - blockchain

Mas a ICO vem sendo alvo de críticas. Um dos pontos polêmicos é a “qualificação”: apenas investidores credenciados podem participar do processo, ou seja, aqueles que têm pelo menos US$ 200 mil de rendimento anual ou US$ 1 milhão de patrimônio líquido.

Há ainda a questão da concorrência. A proposta do Filecoin chama atenção, mas não é nova: há outras redes focadas em armazenamento, com destaque para a Sia (Siacoin), que funciona há pelo menos dois anos e, apesar disso, ainda tem alcance bastante limitado.

Apostar no Filecoin, portanto, não é só para quem tem bastante dinheiro: também é preciso ter baixa aversão a riscos.

Com informações: Ars Technica, TechCrunch

  • Amoeba

    Aí a pessoa é infectada por um “WannaCry” da vida e não sabe pq.

    • Devido a privacidade/segurança, os arquivos serão criptografados, então não tem risco da maquina ser infectada.

      • o q tem a ver uma coisa com a outra? não entendi. Arquivos infectados também podem ser criptografados.

  • Ideia boa na teoria e furada na pratica…

    • Furada por que? Gostaria de elaborar ou só veio comentar a toa mesmo mostrando superioridade pra inflar o próprio ego?

      • eu comento oq eu quiser, na hora q eu quiser e nao devo explicacoes pra vc ou quem quer que seja (desde q eu nao quebre as regras do site). Vc, assim como eu, tem seu direito de postar a sua opiniao. Então, maluco, vá cuidar da sua vida!!

  • Petró

    Parece com o Storj.

  • Já existe o Storj (que já funciona) voltado pro consumidor geral e a Sia (que também já funciona), como o texto mesmo chega a comentar, que é voltado para empresas (e por isso ainda tem pouco alcance, mas promete muito no futuro, pelo menos em minha opinião). Qual seria a inovação desse filecoin que já chega com anos de atraso de desenvolvimento? Me parece mais uma ICO querendo reinventar a roda… e o pior é que o mercado anda tão maluco que qualquer coisa ganha milhões de investimento.

    Edit: Me parece que a diferença pra Sia seria que esse protocolo do Filecoin usaria Proof of Storage e não POW pra mineirar. Nesse sentido pode ser uma competição interessante pra ver o que vai funcionar bem de verdade no final daqui uns anos.

  • Diego Marques