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Elon Musk e líderes de inteligência artificial pedem à ONU que armas robóticas sejam proibidas

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21/08/2017 às 12h31
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Elon Musk não estava de brincadeira quando disse, no mês passado, que a inteligência artificial precisa ser regulamentada antes que ela traga problemas para nós. O empresário faz parte de um grupo com mais de 100 líderes de companhias especializadas no assunto que enviou uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo que a entidade proíba o desenvolvimento de robôs de guerra.

Já vimos armas robóticas se transformando em ameaça à humanidade, mas nos cinemas. O assunto foi retratado numerosas vezes nos estúdios de Hollywood, com O Exterminador do Futuro sendo o exemplo mais emblemático, provavelmente.

Elon Musk

Elon Musk

Mas, para 116 líderes (incluindo Elon Musk) em inteligência artificial, robótica e afins, o risco de equipamentos avançados de combate saírem do controle e causarem grandes estragos é real. Essas máquinas não são formadas necessariamente por robôs com aspecto humanoide, como costumamos imaginar, mas por drones, embarcações não tripuladas, disparadores móveis de mísseis e assim por diante.

Os principais exércitos do mundo — com destaque para as forças militares dos Estados Unidos — trabalham há algum tempo no desenvolvimento de tecnologias que permitirão que máquinas ataquem inimigos de modo eficaz, mas sem intervenção humana.

É o caso, por exemplo, do caça não tripulado X-47B, que pode ser reabastecido no ar e decolar de porta-aviões. Essa aeronave está praticamente aposentada, mas a sua tecnologia deverá ser empregada em outros modelos, como o sucessor X-47C, a ser fabricado em 2018.

Outro exemplo é o Sea Hunter, embarcação com cerca de 40 metros de comprimento que pode se deslocar por mais de 18 mil quilômetros de maneira autônoma. O navio ainda está em testes, mas vem sendo preparado para cumprir missões sem a presença de militares a bordo.

Para os líderes, é aí que mora o perigo. Eles temem, por exemplo, o risco de a inteligência das máquinas decidir erroneamente que determinado território deve ser atacado. O alvo pode entender o ataque como uma decisão deliberada daquele exército e, então, revidar. Aí o caos começa de vez.

Note que não estamos falando de uma revolta das máquinas para destruir a humanidade, tal como Hollywood retrata, mas de uma decisão indevida oriunda de limitações, falhas ou invasões ao sistema que controla as máquinas.

O Exterminador do Futuro

O grupo adverte que o desenvolvimento da inteligência artificial está avançando tanto que é questão de anos — e não décadas — para as armas robóticas estarem prontos para combater. Os líderes pedem que a ONU proíba a criação desse tipo de tecnologia antes que seja tarde: “não teremos tempo suficiente para intervir; quando essa Caixa de Pandora for aberta, será difícil fechá-la”, alertam.

Exagero? Pode até ser, mas o assunto começa a chamar atenção das autoridades. A carta foi publicada durante a abertura do IJCAI, congresso sobre inteligência artificial que está sendo realizado na Austrália. Mas a ideia inicial era dar o alerta em um encontro na ONU que discutiria o uso de armas autônomas letais nesta segunda-feira (21). Só não foi porque o evento foi adiado para novembro.

Além de Elon Musk, outro nome que se destaca no grupo de 116 líderes é o de Mustafa Suleyman, cofundador da Deepmind, companhia adquirida pelo Google que, hoje, atua como a divisão de inteligência artificial da Alphabet.

Com informações: The Guardian

Mitos e verdades sobre a IA

Existe uma certa afobação na comunidade em torno da Inteligência Artificial. E isso tem acontecido principalmente porque a ideia de máquinas inteligentes gera muita mídia, além de ser um prato cheio para filmes e séries de ficção científica.

Mas a IA ainda está longe de se tornar um ser autônomo, que pensa como um ser humano. O que temos hoje são várias IAs restritas, desenvolvidas para tarefas específicas. Esse é o tema do Tecnocast 064. Dá o play e vem com a gente!

  • Islan Oliveira

    Aí alguns países fazem um acordo de não ter armas robóticas enquanto outras tacam o foda-se para isso. No final, dá merda do mesmo jeito. ¯_(ツ)_/¯

    • Regulamentar não é e nunca será a solução. Se o país realmente quiser, ele vai mesmo com uma suposta “regulamentação”… :/

      • Qual seria uma possível solução, então?

        • Então, se trata de um assunto bem complexo. Mas, tenho convicção que regulamentar é o mesmo que nada, pois não se trata de uma solução, apenas uma tentativa de restringir ou limitar algo. No entanto, devem existir outras soluções mais efetivas a médio e longo prazo, pois essa não é o caso.

  • David

    Queria saber desde quando as grandes potências militares acatam proibições da ONU.

  • Ricardo – Vaz Lobo

    Antes da ONU tomar alguma providência concreta (se tomar…) três ou quatro países espertos desenvolvem a tecnologia, criam seus trooper-bots e não deixam mais ninguém entrar pro clubinho.

  • Renan

    Armamentos autônomos podem ser mais nocivos do que armas de destruição em massa. Diferentemente de bombas biológicas e nucleares, um robô autônomo pode ser usado mais de uma vez enquanto puder ser recarregado com mais munições. Sem falar na redução de custo com pagamento de salários dos robôs que substituírem soldados.

    Agora pense nisso tudo nas mãos de terroristas.

    • CtbaBr©

      Sem contar que os robôs poderão portar armas de destruição em massa, tanto biológica como química, alem dos explosivos é claro!
      Mas sera quase impossível parar isso, algum país acabara desenvolvendo a tecnologia, mesmo sendo proibido pelos outros!

  • luiz

    Não sei como a ONU vai operacionalizar essa proposta.