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Quantum Sky: tentando voos mais altos

Novo carro-chefe da Quantum tenta conquistar espaço combinando números altos no hardware com preço de R$ 1.349

Entrar numa loja no Brasil para dar uma olhada nos smartphones é uma experiência quase sempre padronizada: você encontra vários modelos, mas de meia dúzia de marcas (e olhe lá). Disputar espaço em um mercado tão concentrado é uma tarefa que beira o impossível, mas tem gente tentando. O Quantum Sky é prova disso.

O modelo foi anunciado no final de agosto como o novo carro-chefe da Quantum, marca que possui íntima ligação com a Positivo. Ele não chega a ser um topo de linha — a não ser da própria marca —, mas tem características interessantes, como tela full HD de 5,5 polegadas, 4 GB de RAM, 64 GB de espaço para dados e câmera frontal de 16 megapixels (maior que a traseira, de 13 megapixels).

Por esse conjunto, a Quantum pede R$ 1.349, preço atraente para um smartphone que a gente pode considerar um "intermediário premium". Aí o desconfiômetro fica ligado: será que o aparelho dá conta da rotina diária? Eu usei o Quantum Sky por alguns dias. A partir de agora, conto o que eu descobri.

Em vídeo

Design

O visual do Quantum Sky causa pouca ou nenhuma empolgação inicial. Não, eu não acho que o aparelho é feio, pelo contrário. Mas sabe aquela sensação de "eu já vi esse filme"?. É o caso aqui. Na primeira olhada, os cantos curvados e o botão frontal me remeteram aos smartphones da Samsung.

Só que o botão frontal, que também abriga o leitor de digitais, é ligeiramente fundo e não saltado. Com isso, imediatamente eu lembrei dos atuais smartphones da Motorola, cujos leitores seguem esse estilo. Se a gente continuar com as comparações, semelhanças vão aparecer aos montes, principalmente com relação à traseira.

O botão frontal é um leitor de digitais que funciona como o esperado, desbloqueando o aparelho sem demora (não é necessário pressioná-lo para isso)

Tudo bem. O importante é o Quantum Sky ser apresentável e transmitir sensação de robustez. Isso ele faz. Mérito justamente da traseira, que é feita de alumínio aeronáutico e tem acabamento acetinado, nas palavras da própria Quantum.

A superfície da traseira é bem confortável e não fica manchada facilmente. Em contrapartida, ela me pareceu um tanto escorregadia, embora, no evento de lançamento, a Quantum tenha frisado que o Quantum Sky não escapa fácil da mão. De fato, o aparelho não fugiu nenhuma vez dos meus dedos, mas creio que a curvatura das laterais é que contribui para a pegada ser boa.

Não é impressão: o botão Liga / Desliga tem contorno alaranjado

Neste ponto, convém destacar um detalhe: dentro da embalagem do Sky, a Quantum incluiu uma película para a tela e uma capinha transparente e flexível. É raro os fabricantes fornecerem esses itens, mesmo eles sendo muito populares no Brasil. Boa sacada da Quantum, portanto. Não costumo usar esses acessórios (você usa?), mas reconheço que a capa melhora muito a pegada.

Como a traseira não é removível, os SIM cards e o microSD são inseridos em uma bandeja na lateral esquerda do dispositivo. Mas tem um probleminha: ou você usa dois SIM cards (um nano e um micro) ou um SIM card e um microSD. Não dá para ter os três. Felizmente, o Quantum Sky tem 64 GB de espaço interno, como você já sabe. Assim, muita gente não precisará de um cartão de memória.

Tela

Do tipo IPS, a tela do Quantum Sky tem 5,5 polegadas de tamanho, resolução full HD e densidade de 401 ppi. É um visor interessante. As cores exibidas ali têm vivacidade, o preto não é profundo (obviamente), mas tem um nível de intensidade decente, e a perda de tonalidade não é agressiva sob ângulos variados de visualização.

Os níveis de brilho são ok. Você vai enxergar as informações da tela enquanto passeia no parque em um dia ensolarado, por exemplo, mas talvez tenha que fazer um pouco de esforço para isso, mesmo com o brilho no máximo. Há sensor de luminosidade e ele funciona bem, fazendo ajustes automáticos em tempo hábil.

Se você olhar com atenção, perceberá que há dois pontos brancos abaixo da tela separados pelo botão Home. Eles são configuráveis e fazem as vezes dos botões Voltar e Recentes (lista os apps em segundo plano), dispensando o sistema de exibir os botões virtuais. É um detalhe interessante. Para muita gente, isso se traduz em melhor aproveitamento da tela. Pena que os pontos não ficam iluminados no escuro.

Software

Para a felicidade de quem curte um Android puro (ou quase), a Quantum nunca foi de modificar demais o sistema operacional. Com o Sky não é diferente: o modelo roda o Android 7.0 Nougat (com promessa de atualização para o Android 8.0 Oreo em algum momento) com efeitos de transição discretos e nenhuma mudança impactante na interface.

Na relação de apps pré-instalados, além daqueles do Google há apenas alguns utilitários, como calculadora, gerenciador de arquivos e o Dashcam, que transforma o celular em câmera veicular. Não há antivírus duvidosos, trial de games, enfim, nada do tipo.

Em termos de software, talvez a customização mais expressiva esteja no aplicativo de câmera, que além de recursos referentes a fotos e vídeos, tem funções para digitalização de documentos, leitura de código de barras, captura de cartões de visita, entre outros.

Câmeras

Já que eu citei o app das câmeras, vamos falar delas, começando pela traseira: ela é composta por um sensor Sony IMX258 de 13 megapixels e lente com abertura f/2,0. A própria Quantum destaca que o sensor é o mesmo que está presente no LG G6, por exemplo, mas isso não quer dizer que as câmeras dos dois smartphones têm os mesmos resultados.

O aparelho da LG ganha nas fotos. Apesar disso, a câmera traseira do Quantum Sky está longe de ser ruim, pelo menos se levarmos em conta a categoria do modelo. Em boas condições de iluminação, as cores das imagens são precisas e os níveis de ruído são baixos. Há alguma perda de definição, mas nada realmente comprometedor.

Quando a iluminação diminui (ao entardecer, por exemplo), naturalmente, as cores saem com tons mais neutros ou há um pouco menos de nitidez. Nessas circunstâncias, você pode tentar uma compensação usando HDR. Esse modo faz um bom trabalho, mas algumas vezes me forçou a repetir a foto porque a primeira saiu borrada em algum ponto.

Veja, em qualquer smartphone, o modo HDR exige que você segure o aparelho com firmeza por alguns instantes. Mas, no Sky, esses instantes me pareceram um pouco demorados ocasionalmente, fazendo as imagens terem defeitos. Não é um problema recorrente, mas ele apareceu mais vezes do que eu gostaria.

Com HDR

Com HDR

Nas fotos noturnas, não há milagres. Os ruídos e a perda de definição aparecem com vontade. O modo noturno pode ajudar, mas não vai superar as limitações.

Com modo noturno

Um detalhe curioso é que o LED inferior da câmera traseira é, na verdade, um emissor infravermelho, recurso cada vez mais raro nos smartphones. É um atributo bem-vindo, mas, cá entre nós, eu o trocaria fácil por um NFC (pois é, o Quantum Sky não tem).

O brasileiro gosta muito de selfies. É por essa razão, de acordo com a Quantum, que o Sky tem uma câmera de 16 megapixels e abertura f/2,0 ali na frente — trata-se do mesmo sensor (Samsung S5K3P3) que equipa a câmera traseira do Quantum Fly.

Gostei das selfies feitas com essa câmera. As cores são vivas, os níveis de ruído estão dentro do aceitável, o pós-processamento não te deixa com cara de boneca e o nível de detalhamento é alto. Sim, o fundo sai com menos nitidez ou, às vezes, com um aspecto borrado esquisito, mas você vai aparecer bem na foto. Há um modo de embelezamento para quem ainda quiser fazer alguns ajustes.

:]

Desempenho e bateria

Tive um momento de decepção quando, no evento de lançamento, a Quantum revelou que o Sky usa um processador MediaTek Helio P10 octa-core de 2 GHz, afinal, esse chip foi lançado em 2015. Mas, no dia a dia, o aparelho se comportou bem, ainda que em determinados momentos tenha deixado claro que é mesmo um smartphone intermediário.

Aplicativos de redes sociais, navegadores de internet (Chrome e Firefox), VLC, Netflix, YouTube, Google Maps, WhatsApp, enfim, todos os aplicativos mais comuns rodaram com dignidade — houve algum engasgo aqui e ali, mas nada fora do normal. O Quantum Sky tem 4 GB de RAM e isso fez diferença: não tive problemas com multitarefa.

Como é frequente em smartphones intermediários, o Quantum Sky conseguiu rodar jogos mais pesados, mas dentro de certos limites. Need For Speed No Limits e Unkilled tiveram queda na taxa de frames nas cenas mais movimentadas, mesmo com as configurações gráficas em automático. Não foi nada capaz de atrapalhar a jogatina, que fique claro, mas é algo que pode incomodar os jogadores mais detalhistas. A GPU é uma Mali-T860 MP2.

Pontuação no AnTuTu 6.2.7, Geekbench 4.1.1 e 3DMark

A bateria, com seus 4.010 mAh, não decepciona, mas também não empolga. Para testá-la, rodei o filme O Poderoso Chefão (2h57min) via Netflix e brilho máximo na tela, joguei Need For Speed No Limits e Unkilled por cerca de 20 minutos cada, naveguei na web e usei apps de redes sociais por uma hora, escutei música por streaming também por uma hora e fiz uma ligação de 10 minutos.

Executei essas tarefas ao longo de um dia. De noite, o Sky registrada 41% de carga (de 100%). É um número ruim? Não, não é. Significa que você pode passar o dia todo com o aparelho longe da tomada que ainda vai ter carga à noite. Só que não é nada muito diferente do que aparelhos com baterias menores oferecem.

O tempo de recarga de 5% para 100% com carregador que acompanha o modelo foi de quase duas horas.

Parece USB-C, mas é micro-USB mesmo

Aproveitei o teste de bateria para avaliar o áudio externo, que fica à direita da porta USB (apesar dos furinhos, o lado esquerdo não tem alto-falante). O volume máximo está dentro da média, o som é claro e não há distorções.

Mas a experiência fica melhor com fones de ouvido, é óbvio. O Sky é acompanhado de fones intra-auriculares com microfone. Não são os mais avançados do mercado, mas reproduzem médios e graves dentro de níveis aceitáveis, por exemplo, deixando os fones de muitos smartphones por aí para trás.

Conclusão

O conjunto generoso de hardware e o preço convidativo fizeram o Quantum Sky chamar atenção assim que anunciado. Mas um detalhe acabou ofuscando as boas impressões iniciais: o aparelho é praticamente idêntico — no visual e nas especificações — a smartphones como Gionee A1 e Blu Vivo 8. Isso quer dizer que a Quantum pratica white label, ou seja, coloca a sua marca em produtos desenvolvidos por outras companhias?

A Quantum explica que não é bem assim. A companhia afirma ter trabalhado ativamente no desenvolvimento e na produção do Sky e de outros smartphones da marca, mas que parcerias foram estabelecidas com fabricantes estrangeiras para lançar esses produtos em outros países. Daí o surgimento de aparelhos "gêmeos". Essa é inclusive uma forma de angariar mais recursos financeiros e, assim, conseguir preços competitivos no Brasil.

Será? Bom, esse é o posicionamento oficial da Quantum. Diante disso, o que nos resta é saber se o Sky consegue corresponder às expectativas. Eu diria que sim: como deve ter ficado claro ao longo do review, o modelo tem performance consistente e consegue mesmo equilibrar bom preço com especificações decentes.

É óbvio que não dá para esperar dele o desempenho de um smartphone high-end, mas, por R$ 1.349 (para pagamento à vista nos canais de vendas da Quantum), o Quantum Sky consegue ser uma opção para quem procura um intermediário um pouco mais avançado, mas não está disposto a pagar o preço de um Moto Z2 Play, por exemplo.

Especificações técnicas