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Adidas vai começar a vender tênis fabricados por robôs

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05/10/2017 às 12h31
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Robôs em fábricas não são novidade. Vários setores da indústria empregam essas máquinas para automatizar determinadas etapas das linhas de produção. Com a Adidas não é diferente, mas a companhia trabalha para dar um passo além: neste mês, os primeiros pares de tênis da marca produzidos por uma planta totalmente robótica chegarão ao mercado.

Futurecraft MFG

A fábrica é parte do projeto Speedfactory e está localizada na cidade de Ansbach, Alemanha. Após alguns meses de testes, a planta está pronta para começar a produzir em larga escala. Uma segunda fábrica foi construída em Atlanta, Estados Unidos, e deverá operar em breve. O plano da Adidas é montar fábricas robotizadas em mais lugares.

Os primeiros tênis a serem produzidos nessas fábricas farão parte da linha Adidas Made For (AM4), que inclui modelos desenvolvidos para seis das mais importantes metrópoles do mundo. São estes:

  • AM4LDN: Londres;
  • AM4PAR: Paris;
  • AM4LA: Los Angeles;
  • AM4NYC: Nova York;
  • AM4TKY: Tóquio;
  • AM4SHA: Xangai.

O modelo AM4LDN começará a ser vendido no dia 19; o AM4PAR, no dia 26. O restante chegará ao mercado em 2018. Cada versão tem um desenho que o associa à sua cidade, mas todos foram desenvolvidos para serem confortáveis e leves. Para tanto, a Adidas usou dados de atletas para definir as formas.

É possível ter uma noção do funcionamento da fábrica no vídeo abaixo, que mostra imagens do desenvolvimento e produção do Futurecraft MFG, modelo de tênis que não chegou a ser lançado comercialmente, mas foi o primeiro a ser montado em uma planta Speedfactory.

Não deixa de ser uma ideia interessante, afinal, é de se presumir que uma fábrica automatizada consiga produzir mais rapidamente e apresentar índices baixíssimos de falhas. Mas aí surge a inevitável pergunta: os empregos nas fábricas da Adidas estão ameaçados?

A questão ganha ainda mais importância se levarmos em conta que a companhia produz mais de 300 milhões de pares de calçados por ano e, para isso, emprega milhares de pessoas em fábricas localizadas em países como China, Indonésia e Vietnã.

Esses lugares recebem grande atenção da indústria porque oferecem mão de obra barata. Entretanto, os custos com pessoal estão aumentando, fazendo as empresas olharem cada vez mais para a automação. De acordo com o South China Morning Post, só a Foxconn já conseguiu cortar 60 mil empregos em apenas uma fábrica com a utilização de robôs.

Em entrevista à Fortune realizada no ano passado, Katja Schreiber, diretora de comunicação corporativa da Adidas, afirmou que as plantas Speedfactory não cortarão postos de trabalho, pelo menos por enquanto.

Speedfactory

De acordo com a executiva, hoje, os produtos não são fabricados onde os consumidores da marca estão. O projeto visa fazer a origem do produto ficar mais próxima do mercado, o que permitirá reduzir custos de transporte e atender a demandas regionais. Não por menos, a Adidas prevê um cenário em que poderá produzir calçados personalizados para cada cliente. Talvez a ideia de modelos com temática de seis grandes cidades venha daí.

Como as plantas Speedfactory apenas aumentarão a oferta de produtos e estão em fase inicial de operação, não deverá mesmo haver corte de empregos, pelo contrário: a unidade alemã já emprega mais de 150 pessoas (é necessário supervisionar a produção, fazer manutenção, cuidar da segurança, enfim).

Mesmo assim, é impossível não pensar em um futuro em que as fábricas tradicionais ficarão ainda mais automatizadas ou serão substituídas por plantas robóticas de grande porte. Aí será difícil manter o discursos dos empregos.

  • Trovalds

    Precisam de pessoas pra fabricar, instalar e supervisionar os robôs. E o controle de qualidade também tem que ser feito por humanos. Acredito que tudo é uma questão de readequação e não necessariamente vai haver um sumiço em massa dos empregos para humanos.

    • palatoqueimado

      Precisam da mesma quantidade de pessoas que trabalhavam na fábrica para fabricar, instalar e supervisionar os robôs? Você sabe que são bem menos pessoas, do contrário que sentido teria investir em automação se não fosse por cortar gastos e aumentar a produtividade?

    • Thalles Ferreira

      Cara, precisa de 1 pessoa pra supervisionar alguns robôs que fazem o trabalho de várias pessoas, não tem readequação, na sua hipótese otimista vai ser “apenas” redução de empregos, mas obviamente não tem redução de preço e, obviamente, não tem redistribuição de renda com isso. A era de ouro pras pessoas (se ela existiu) já acabou. Apesar de toda tecnologia, o mais provável é que a gente caminhe pra uma situação mais caótica que milênios passados (ainda mais se formos ver pra onde estamos caminhando politicamente no mundo todo).

      • Hugo Ernesto Braga

        Você já trabalhou em uma fábrica de calçados? Tem ideia do que é trabalhar um dia sabendo que está fazendo aquilo apenas para comer, continuar vivo e poder trabalhar novamente no outro dia? Aquilo não é emprego, é subemprego! Tem muita gente inteligente nessas fábricas que não sai dali por falta de vagas e oportunidades em outras áreas que remuneram bem melhor, como a área de tecnologia.

        • Amoroso

          Então vamos acabar com as profissões de gari,vendedor externo,empregada doméstica,PM no Rio de Janeiro,operador de caminhão limpa-fossa e mil outras,pois são subempregos.

          • Hugo Ernesto Braga

            Sou a favor da criação de oportunidades em áreas bem melhor remuneradas e muito mais seguras para todos que trabalham nessas profissões que você citou. Quem quiser ficar, que fique por sua própria opção, e não por imposição de ideólogos que nunca pisaram num chão de fábrica.

          • Amoroso

            Não quero desrespeitá-lo,mas você pode ser a favor da por*a que quiser,que não muda o fato de não existir esse seu mundinho.Não existe no capitalismo essa coisa de todos terem um emprego digno e com um bom salário.Subempregos existem nos países mais desenvolvidos.Acabar com esses “empregos” não será solução de nada,pois não existe “bom” emprego para todos,apenas aumentaria a quantidade de miseráveis.Pesquise na internet e verá que a desigualdade de renda só cresce no mundo todo.

          • Hugo Ernesto Braga

            Não quero desrespeitá-lo, mas o fato de ser praticamente impossível que todos tenham um emprego digno e com um bom salário no capitalismo, não muda o fato de que na b**ta do socialismo em que somente uns ali****os acreditam, todos vivem na escravidão e na miséria, exceto as famílias dos ditadores que os socialistas de iphone tanto admiram. No capitalismo, quem embrulha um par de sapatos recebe o pagamento que tal trabalho merece, assim como quem cria um sistema autônomo altamente sofisticado também recebe de acordo com seu trabalho. Impedir que as pessoas das classes menos favorecidas migrem para empregos bem melhor remunerados com o pretexto de “proteger seus empregos”, não melhora em nada a vida dessas pessoas.

          • Amoroso

            Olha,funciona +ou- assim:
            A fábrica se moderniza,isso aumenta os lucros do dono e aumenta o bônus que o presidente e diretores recebem.Ah,não vamos esquecer os acionistas que recebem uma maior fatia do lucro.Na outra ponta,está 1000 empregados que foram demitidos e que passaram a procurar outro emprego.Talvez 50 ou – consigam um emprego melhor,talvez outros 100 consigam um salário igual ao de antes,mas 850 ou + passaram a viver na miséria e dependerão dos bolsas da vida para não morrer de fome.

            Olha,sou capitalista até a última gota de sangue.Mas não posso fechar os olhos e imaginar que tudo é perfeito.Quanto mais desemprego provocado pela automatização,menos consumidores existirão para sustentar o próprio capitalismo.E tudo isso por quê? Para que os que estão na ponta da pirâmide tenham mais lucro.

            Desculpa alguma falha,mas é isso mesmo que acontece.

          • Hugo Ernesto Braga

            Claro, sei que ocorre um choque quando 1000 funcionários são demitidos no momento da automatização de uma linha de produção. Mas antes disso, muitas pessoas já garantiram seu sustento, seja desenvolvendo a tecnologia empregada nessa automação, ou oferecendo cursos para capacitar as pessoas para trabalhar com a nova tecnologia, por exemplo. Com o tempo o mercado absorve a mão de obra excedente e o “ecossistema” se equilibra novamente. Sei dos problemas que podem ocorrer aí no meio do caminho, mas não deixo de defender o avanço da tecnologia mesmo assim. Ao mesmo tempo em que algumas profissões desaparecem por causa dos avanços tecnológicos outras oportunidades vão surgindo. O fato de o empresário ter mais lucro e assim aumentar a desigualdade, não chega a ser necessariamente um problema. O bolso dele não é um buraco negro, e quando ele usa o dinheiro proveniente desse lucro para construir uma mansão, por exemplo, estará novamente gerando empregos para outras pessoas. É melhor alguns poucos terem muito do que todos terem pouco, ou nada.

          • Joaomanoel

            Sempre acreditei que empregos de risco, tipo de PM, deveriam ser substituído por robôs – quem sabe daqui uns 100 anos. O cara ir lá só para levar tiro de vagabundo e receber 3 mil por mês não vale NUNCA a pena, mesmo que a pessoa ame e ache o máximo ser policial.

    • Alexandre Roberto

      Para empregos de baixa qualificação, discordo de vc.
      E é justamente neste de baixa qualificação que até pouco tempo atrás eram de baixa remuneração (e agora está aumentando a remuneração e o custo) que estão automatizando ao máximo
      Aquela tiazinha q fazia as costuras de tecido do tenis, ou embalava o tenis no papel deixarão de existir

      • Diogo

        E isso é até bom na minha opinião. Não são raros os casos de más condições de trabalho e horas estendidas, quase remetendo à escravidão.

    • Hugo Ernesto Braga

      Eu iria falar justamente sobre isso. Quando perguntam “e os empregos”, eu pergunto: E os empregos de quem constrói os robôs? E os empregos de quem desenvolve o software dos robôs? E os empregos de quem faz a manutenção dos robôs? E os empregos de quem ensina outras pessoas a construir robôs, desenvolver software, etc?

    • Sumir não deve, mas esse pessoal precisa ser especializado e em número reduzido como comentaram, então provavelmente países como o Brasil ficarão ainda mais para trás…já que provavelmente essas tecnologias serão importadas aqui e as pessoas sem qualificação ficarão sem empregos.

      Lá fora estão falando de renda mínima, aqui não dá nem para sonhar com isso.

    • Uriel Dos Santos Souza

      Em 15 anos não precisarão mais de pessoas.
      Apenas de inteligencia artificial para cuidar instalar, programar as maquinas

  • Amoroso

    O que será das fábricas sem consumidores?

    • Antonio Carvalho

      Bateu no ponto certo. Sem emprego não há consumo.

  • Ricardo – Vaz Lobo

    O famélico vietnamita não vai trabalhar na NASA assim que a fábrica de chinelo fechar as portas. A população mundial não reduz a natalidade à mesma razão do fechamento de postos de trabalho.
    Nem adianta vir com esse mimimi blablazento que é culpa do capitalismo: a tecnologia tá aí e é irreversível.
    Salvo se você ir criar uma comuna no meio do deserto, comendo calango, fazendo sacrifício pro sol mandar chuva e ser feliz assim.
    Ou se inventa algum tipo de trabalho para toda essa gente ou aqueles filmes de hecatombe da raça humana vão se realizar.

  • Renan

    É importante não inverter a lógica. Em vez de “como as empresas podem gerar mais empregos”, o ideal é focar em “como os empregados podem produzir mais valor”. Empresas sobrevivem com lucro.

    Se uma única concorrente automatiza sua produção é óbvio que as outras serão obrigadas a copiá-la para reduzir custos.

    Criar leis contra automação só funcionaria se ela valesse no mundo inteiro. Adianta o Brasil ter boas leis contra automação se um país como a China ganhar todos os contratos de terceirização? A automação vai acontecer. A única saída real é treinar as pessoas que perderão empregos para outras funções.