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Nokia desiste de câmera para realidade virtual e demite 310 funcionários

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10/10/2017 às 13h37
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Depois de vender a sua divisão de dispositivos móveis para a Microsoft, a Nokia passou a se dedicar, prioritariamente, ao setor de telecomunicações e ao desenvolvimento de tecnologias. A câmera de realidade virtual Ozo era um desses projetos. Era, assim mesmo, no passado: a companhia desistiu do equipamento e, por conta disso, vai demitir mais de 300 funcionários.

Nokia Ozo

A Ozo não era uma câmera qualquer. O dispositivo contava com oito sensores de alta resolução distribuídos em uma espécie de globo que, juntos, geravam imagens em 360 graus. Um conjunto de oito microfones tratava de capturar o áudio do ambiente para deixar tudo o mais real possível, permitindo, por exemplo, que o usuário tivesse noção da distância de determinado som.

Depois, bastava colocar o conteúdo gerado em uma aplicação de realidade virtual. Uma loja poderia usar o equipamento para promover visitas virtuais ao interior de uma de suas unidades, por exemplo. A Ozo foi desenvolvida desde o início para atividades profissionais. O preço já deixava isso claro: US$ 60 mil (na época do lançamento, pelo menos).

O que deu errado? Na parte técnica, nada. O vídeo abaixo dá uma boa noção do que a câmera era capaz de fazer. O problema, de acordo com a Nokia, é que o mercado de realidade virtual se desenvolve muito lentamente.

A gente sabe que isso é verdade. Aplicações do tipo até são interessantes, mas, para a maioria dos usuários, não passam de mera curiosidade. Entretanto, o preço cobrado pela Ozo também serviu para esfriar os ânimos, muito provavelmente.

Como consequência, a Nokia pretende se dedicar a segmentos mais rentáveis a partir de agora. Um deles é o mercado de tecnologias para saúde, que tem crescido no mundo todo. O licenciamento de patentes está mantido, assim como o de marca: a parceria com a HMD Global para uso do nome Nokia em celulares (o mais recente é o Nokia 8) continua firme e forte.

Nokia Ozo

Essa mudança de rumos tem uma parte bastante negativa: a Nokia Technologies, divisão responsável pela Ozo, vai perder 310 de seus 1090 empregados que atuam nos Estados Unidos, Reino Unido e Finlândia. A divisão Nokia Networks, que cuida de telecomunicações, não será afetada pelo corte.

As empresas que adquiriram uma câmera Ozo continuarão recebendo suporte.

Com informações: TechCrunch

  • Henrique Seraph

    Faz sentido. A Nokia criou uma arma potente mas com poucos usuários. Mesmo assim, ótimo projeto

  • Amoroso

    Produto de nicho não interessa mais,queremos vender para o maior número de pessoas possível.

    Essa é a realidade da indústria de hoje.

    Correção: Algumas poucas indústrias ainda acreditam no setor de nicho.Exemplo: Disco vinil.

    • Ligeiro

      A questão também aqui é o quanto de custo-benefício o nicho gera.

      Disco de vinil, salvo engano, não tem tanto problema de royality de patente (imagino). Então para produzir um vinil, é barato pois você não paga pelo simples fato de estar fazendo um disco de vinil, que antes estava sobre patente. Só paga o que realmente usou para fazer o disco: os equipamentos, a matéria prima, e no caso, o direito autoral da música gravada.

      Coisas relativamente novas em invenção, como sistemas de imersão 360 graus, salvo engano, tem patentes e tecnologias ainda não tão divulgadas. O resultado é o que vemos aí – quando a economia não vai bem, e se vê que o nicho em questão não tem rotatividade ou gente com capital para investir, então é deixado de lado.

      Celulares até hoje são caros por causa disto também – são inúmeras patentes dentro do valor de venda de um celular, do processador até a tecnologia de telecomunicação usada – isso muitas vezes é mencionado em sites como o próprio Tecnoblog.

      • Amoroso

        Quando você fala que a economia não vai bem e que celulares são caros,me parece que está usando o Brasil como exemplo.Isso não faz sentido.Se a Nokia paga milhões em royalties,ela também recebe outros milhões.A questão é que o mercado desse produto ainda é pequeno(a própria Nokia disse,leia o texto) e essa indústria não aceita mais vender para poucos(nicho),ela quer vender milhões de unidades.Vivemos numa época em que essas multinacionais querem maximizar o lucro(nada contra) e mercado de nicho não agrada elas.

        A questão do vinil foi apenas um exemplo de como ainda existem indústrias que investem no setor de nicho.

        Acredito que acontecerá a mesma coisa com essas geladeiras conectadas.Resta saber se a indústria vai desistir dela também ou ela se contentará em vender para um público de nicho.

        • Ligeiro

          Se até nos Estados Unidos se reclama de celulares nos patamares de 800-1000 dólares, tu vÊ o problema 😉

  • Mago Erudito®

    Sei lá, o Fantástico – O Show da Vida está investindo PESADO nessa tecnologia incrível de imersão.

    Pena que transmitem as imagens para as TVs 2D normais das pessoas e fica horroroso.

  • Tomaz Diniz

    Nossa,eles podiam vender para outra empresa dar continuidade..esse segmento se tratando de usuário final é muito restrito mas se tratando de grandes produções cinematográficas é ideal,o jaunt tá aí como referência. Então por que não produzir-la para grandes produções… É uma pena… Mas a filmagem 360 e 180 agora só conseguiram suceder se suportarem profundidade 3d depth,se não tem isto então é uma câmera atrasada.. pois pelo que vejo é o contrário do que a Nokia da como desculpas, o mercado de realidade virtual cresce muito,e eles acabaram ficando ultrapassados por investirem na qualidade mas não em novas funcionalidades. Assim claro não retiro o que disse lá em cima de ser um produto de categoria restrita,mas sempre tem gente atrás querendo comprar…se não foi rentável é por que não agradou…para agradar não basta vender o que todos vendem,tem que ir além do que esperam do seu produto.