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Apple está no caminho certo com o iPad

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Chegou. Um mês depois de seu desembarque nas prateleiras norte-americanas o Tecnoblog finalmente colocou suas mãos no tão falado iPad, criação mais recente de Steve Jobs que é a atual estrela mais brilhante dos produtos da constelação da maçã. Depois de tanto falatório a respeito do aparelho, a hora da verdade: será que ele é tudo isso mesmo?

Acessando o TB de um iPad.

Acessando o TB de um iPad.


Mas antes, um pouco de história. Quando a Asus inaugurou o segmento dos netbooks com seu EeePC, não foram poucos os que se encantaram com a possibilidade de ter uma companhia digital de baixo custo feita unicamente para navegar pela web, mesmo que isso significasse lidar com um hardware de capacidade limitada, alguma distribuição simplificada do Linux e uma tela de apenas 7 ou 9 polegadas.

Mas o sucesso inicial cobrou caro dos pequenos computadores, os desviando de sua proposta inicial de simplicidade e os transformando em entediantes notebooks pequenos – com direito a luxos inicialmente impensáveis como amplos discos rígidos, fartas quantidades de memória RAM e invariavelmente, Windows XP – mais ao gosto dos consumidores comuns.

Apesar de ser radicalmente mais sofisticado do que qualquer netbook, o tal do iPad guarda uma série de semelhanças ideológicas com os primeiros representantes da classe, como sua vocação natural para a internet e a tentativa de facilitar ao máximo a vida do usuário. E isso é muito. Mas além disso o novo gadget é uma experiência diferente da que estamos acostumados a ter em notebooks, netbooks, desktops e até mesmo em smartphones.

iPad e família.

iPad e família.

Num primeiro contato o iPad passa a impressão de ser um sólido bloco de alumínio com uma camada de vidro escuro em uma de suas faces, com aparência mais resistente do que poderia se imaginar o vendo apenas em fotografias. Como era de se esperar, seu acabamento está no mesmo nível do visto na atual geração dos Macbook Pro, sem qualquer sinal de rebarbas ou falta de cuidado em sua produção. Sua silhueta é esguia, impressão reforçada por suas bordas finas que discretamente vão “engordando” até seu centro, a exemplo do que a empresa já faz no Macbook Air.

Uma vez ligado, todas as atenções obviamente vão para sua tela de 10 polegadas. Brilhante, com cores vivas e excelente contraste, muitas vezes ela passa a impressão de ter mais do que os 1024 x 768 pixels anunciados. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o iPhone OS irá se sentir em casa no iPad, já que todos seus comandos, atalhos e navegação são essencialmente os mesmos. Tremendamente diferente, sim, é a disposição do processador Apple A4. Todas as apps foram abertas em tempo real e sempre foram executadas sem qualquer sinal de preguiça, incluindo vídeos em alta definição e o jogo Real Race Simulator, que tem gráficos que fariam o Nintendo Wii corar de vergonha. Ainda assim, sua bateria foi um dos grandes destaque do teste, tendo apenas 3% de sua carga consumidos durante pouco mais de uma hora.

O iPad tem mais ou menos o tamanho de um netbook, mas é mais fino.

O iPad tem mais ou menos o tamanho de um netbook, mas é mais fino.

Alvo de diversas dúvidas, seu teclado virtual causa algum estranhamento num primeiro contato, mas minutos depois já é possível se escrever textos com relativa agilidade graças a suas teclas grandes e bem espaçadas. O único senão fica por conta do sistema de acentuação do iPhone OS, que “esconde” os acentos dentro das letras e apenas os exibe depois de alguns segundos, o que retarda um pouco a digitação. Curiosamente, a Apple parece iniciar uma revolução involuntária ao não determinar que existe uma posição correta para usar seu tablet, o que na prática faz seus usuários literalmente se virarem à procura de uma posição confortável. Apesar de leve, segurá-lo nas mãos é cansativo depois de um tempo e simplesmente colocá-lo numa mesa dificulta a leitura. O que inicialmente parece ser uma desvantagem no final das contas é uma característica que só aumenta a intimidade do dono com seu aparelho. No mínimo, curioso.

Quanto aos defeitos, há pouco a se dizer. Além da já conhecida falta de suporte a multitarefas e ausência de um plugin do Adobe Flash, é bom lembrar que sua tela não é oleofóbica e não demora para ficar emporcalhada durante o uso.

Os que dizem que o iPad não passa de um iPod Touch tamanho família talvez estejam corretos, mas aqui vale uma consideração: depois de um test-drive com o tablet, usar o pequeno tocador se tornou uma experiência frustante e limitadora, sobretudo por conta das dimensões tímidas de sua tela. Não resta dúvidas que a Apple está no caminho correto com seu novo aparelho. Agora é esperar as cartadas de suas rivais.