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Kaspersky vai dar acesso a código-fonte para provar que não faz espionagem

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23/10/2017 às 14h46
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A Kaspersky Lab vem sendo vista por autoridades dos Estados Unidos como uma facilitadora de ações de espionagem do governo russo, não importa se de modo intencional ou não. Para pôr fim à desconfiança e evitar que seu nome fique ainda mais manchado, a companhia anunciou um programa de transparência global. A iniciativa inclui acesso ao código-fonte de seus softwares e recompensas generosas para quem descobrir falhas graves neles.

Não é de hoje que autoridades norte-americanas olham torto para a Kaspersky. No mês passado, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos chegou até a solicitar que as demais agências do governo deixassem de utilizar os serviços da empresa dentro de 90 dias.

Kaspersky Lab

Aparentemente, a decisão teve como base um problema que veio à tona dias depois: a de que hackers ligados ao governo russo teriam usado uma brecha em um antivírus da Kaspersky para espionar um funcionário da NSA e, assim, roubar dados confidenciais da agência.

Nenhuma prova de que a Kaspersky teve envolvimento no ataque foi divulgada. Um bug poderia ter facilitado o trabalho dos invasores, mas também não há informações sobre isso. Mesmo assim, o episódio deixou a imagem da companhia bastante prejudicada. O fato de a sede da Kaspersky ficar em Moscou só piorou as coisas.

Com o programa de transparência, a empresa quer reconquistar a confiança perdida nas últimas semanas e deixar claro que não participa de nenhuma ação de espionagem ou qualquer atividade parecida.

Para tanto, o programa terá várias fases. Na primeira, a companhia se compromete a abrir uma revisão independente — conduzida por uma auditoria externa — de código-fonte até o primeiro trimestre de 2018. Depois, haverá uma avaliação independente de processos de desenvolvimento, para checagem da integridade dos softwares.

Kaspersky

Provavelmente, a etapa mais importante é a que criará, até 2020, três centros de transparência, uma na Ásia, outra na Europa e a terceira, obviamente, nos Estados Unidos. Neles, parceiros de confiança e entidades governamentais poderão, entre outras atividades, tratar de problemas de segurança de maneira direta e acessar revisões do código-fonte dos softwares da Kaspersky.

É uma decisão audaciosa, mas que não surpreende. Eugene Kaspersky, CEO da companhia, já havia falado em disponibilizar o código-fonte dos softwares às autoridades norte-americanas para provar que a Kaspersky não tem participação em atividades ilegais.

Como também existe a possibilidade de invasores explorarem brechas de segurança, o programa de transparência vai incluir ainda recompensas de até US$ 100 mil para pesquisadores de segurança independentes que encontrarem falhas graves nos softwares da Kaspersky até o final de 2017.

Essas ações vão servir para acalmar os ânimos das autoridades norte-americanas? Não dá para saber. Mas o programa deve deixar clientes — corporativos, principalmente — e parceiros comerciais mais tranquilos. Dadas as circunstâncias, certamente isso é o que mais interessa à Kaspersky.

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  • Marcos Vinícius

    o mais impressionante pra mim é a possibilidade da NAS ter usado algum dia Kaspersky…bizarro.

    • Né? Acho que tudo deu errado (pros EUA) a partir daí.
      O resto foi só consequência.

  • Jose X.

    ridículo esse negócio, tá mais que na cara que é motivação política…pra quem não sabe, EUA pratica uma política de sanções econômicas contra a Rússia, e obriga seus parceiros europeus a fazerem o mesmo…isso sem contar que só a NSA deve ter um orçamento anual maior que a maioria dos países do mundo…

  • Junior Sousa

    Desde que toda a montanha de informações sobre espionagem dos EUA vieram à tona, muitas delas afirmavam que eles olhavam torto para a Kaspersky justamente pelo antivirus ser uma pedra no sapato para espionar. Acho que todo esse “hype” é apenas jogo da NSA e FBI pra descredibilizar a Kaspersky. Até porque, pelas atitudes da empresa de liberar o código-fonte e passar por auditorias externas, só mostram que “quem não deve, não teme”, e nem se acovarda.

  • Alisson Silva

    Se os Estados Unidos diz que um determinado antivírus espiona, use-o, pois provavelmente é uma barreira eficaz contra espionagem.

  • E ainda teve youtuber fanfarrão fazendo sensacionalismo dizendo para desinstalar o Kaspesky hahaha. A parada é dos EUA com os russos como sempre.
    Voltando a matéria, agora quero ver o FBI fazerem o mesmo. Não vai acontecer, mas, a Kaspersky ganhou mais uns pontos de confiança comigo.

    • Emerson Almeida

      Sem dúvida. Troquei minha fidelidade de anos com a McAfee pelo Bitdefender mas logo resolvi experimentar o Kaspersky. Ficava com o olho torto por conta da russofobia mas não há melhor sistema de proteção no mercado.

  • Emerson Almeida

    Como assim, “imagem ficar mais manchada”? Deve ser o melhor sistema de segurança para PC na atualidade. Deve ser porque ela não concorda em colocar backdoors para os preguiçosos da NSA e FBI espionarem.

  • Icaro Souza

    Quem garante que a Kaspersky roda uma versão diferente em ” usuários alvos “. Como o antivírus é pago ela tem os dados de pagamentos, dados que podem ser usado pra executa uma versão de spy na maquina alvo

  • SR 71 Pássaro Preto

    Agora refleti que nem tudo na Rússia é corrupto. Ótima atitude da Kaspersky.

  • Lobo Solitário

    Medo…

    E agora que ela vai disponibilizar o código-fonte e abrir esses centros de transparências, quem garante que agora sim não começará a ter backdoors e o caray a quatro nos produtos da Kaspersky?