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Paradise Papers: como a Apple agiu para pagar menos impostos

Investigações põem a Apple como uma das gigantes que escaparam de bilhões de dólares em impostos com manobras engenhosas

Por
07/11/2017 às 20h36
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Paradise Papers é o nome de uma descomunal investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) e o jornal alemão Süddeutsche Zeitung que revela como dezenas de personalidades e companhias utilizaram paraísos fiscais para, sobretudo, escapar de impostos. Entre elas aparece uma das empresas mais lucrativas do mundo: a Apple.

O número de personalidades e empresas envolvidas é realmente grande. Só para dar alguns exemplos, o piloto Lewis Hamilton, a cantora Shakira, a rainha Elizabeth II e o Ministro da Fazenda do Brasil Henrique Meirelles estão entre os nomes que aparecem na investigação. Companhias como Uber, Nike e Glencore (de mineração) também. Mas o próprio ICIJ destaca o caso da Apple como um dos mais emblemáticos.

Paradise Papers

Paraíso dos papéis

A investigação tem como base 13,4 milhões de documentos que formam um volume de 1,4 TB de dados sigilosos que o jornal Süddeutsche Zeitung teve acesso. É tanta informação que mais de 380 jornalistas de 67 países participaram dos trabalhos de investigação. De certa forma, o Paradise Papers é uma continuação do escândalo Panama Papers.

No Panama Papers, o elemento central da história foi o escritório de advocacia Mossack Fonseca — de lá que os documentos vazaram. No Paradise Papers, a trama gira em torno da Appleby e Asiaciti Trust. A primeira é uma operadora de offshores fundada em 1898 nas Bermudas (apesar da similaridade do nome, a Apple não responde por ela); a segunda também lida com offshores, mas tem sede em Singapura.

Esclarecendo rapidamente, offshores são entidades jurídicas abertas em paraísos fiscais — territórios com tributação baixa ou inexistente e com regras financeiras mais brandas, favorecendo o sigilo — e, portanto, não estão sujeitas à jurisdição do país de origem dos associados.

Via de regra, offshores não são ilegais. Porém, os beneficiários devem declarar a existência de bens em paraísos fiscais. É aqui que os problemas começam: o mercado de offshores foi desenvolvido para ser o mais sigiloso possível. Há até estruturas que permitem que os bens sejam administrados sob o nome de “laranjas”.

Appleby

Como a rastreabilidade é muito difícil, numerosas empresas e pessoas físicas usam os paraísos fiscais para evitar pagamentos de impostos, financiar atividades suspeitas ou mesmo ocultar dinheiro obtido de maneira indevida.

As operações em paraísos fiscais são montadas com auxílio de escritórios especializados. Tudo é tratado com extremo sigilo, das negociações iniciais às transferências de recursos. Muito dificilmente as informações se tornam públicas, a não ser que haja vazamentos. É o que aconteceu com Appleby e Asiaciti Trust.

Um Double Irish, por favor

O Irish Car Bomb é uma bebida que mistura cerveja (frequentemente, Guinness), licor e uísque nas medidas certas. É quase um coquetel, portanto. O Double Irish também, só que, no lugar de barmen e bebidas, entra advogados e brechas na lei que permitem que uma companhia pague menos impostos. A exemplo de outras gigantes (como o Google), tudo indica que a Apple gostava muito de Double Irish.

Estamos falando de uma técnica contábil extremamente complexa, mas eficiente. Começa com o fato de que, nos Estados Unidos (e outros países), a sede fiscal de uma empresa corresponde ao local em que ela está registrada. A Irlanda, por outro lado, permite que uma empresa norte-americana seja registrada lá, mas tenha sede fiscal (isto é, seja administrada) em outro país, inclusive em um paraíso fiscal.

Para o truque funcionar, uma companhia dos Estados Unidos registra uma filial na Irlanda, mas faz a sede fiscal desta ficar em um paraíso fiscal. A filial precisa criar outra empresa no país, daí o nome Double Irish. Essa segunda empresa tem que ser administrada na Irlanda e, por disso, deve pagar impostos locais. Porém, ela pode deduzir dos impostos montantes pagos anteriormente por royalties.

Pois bem, a fase final da técnica consiste em fazer a segunda empresa receber dinheiro de operações mantidas fora dos Estados Unidos e pagar, a partir daí, royalties à filial em somas bem altas para que a dedução de imposto compense. O (pouco) dinheiro que sobra dessa operação é tributado pelo governo irlandês em 12,5%. A filial, por ter sede em um paraíso fiscal que não cobra nenhum imposto, recebe o pagamento dos royalties e não precisa descontar nada.

Bom, as investigações da ICIJ apontam que a Apple fez uso dessa tática. A sede fiscal da filial dela na Irlanda ficava nas Bahamas. O truque teria permitido à companhia pagar, durante vários anos, menos de 5% em impostos fora dos Estados Unidos. A Apple (e outras companhias) passou a ser investigada, inclusive na União Europeia. O resultado disso é que a Irlanda foi obrigada a adotar medidas para impedir o Double Irish.

Só que a história não termina aí.

Maçã no paraíso

Os documentos da Paradise Papers mostram que, em março de 2014, assessores da Apple enviaram um documento à Appleby com perguntas sobre offshore, incluindo qual jurisdição (paraíso fiscal) traria isenção de impostos à companhia. Os emails trocados entre sócios da Appleby mostram inclusive preocupação com o sigilo: “para aqueles de vocês que não estão por dentro, a Apple é extremamente sensível quanto a ser exposta”.

Trecho do documento enviado pela Apple à Appleby

Trecho do documento enviado pela Apple à Appleby

Outros documentos mostram que a Apple acabou se tornando mesmo cliente da Appleby, por assim dizer, e montou a sua operação de offshore em Jersey, ilha localizada no Canal da Mancha (entre a Inglaterra e o norte da França) — o imposto a ser pago ali é de 0%.

Antes do Double Irish ser efetivamente bloqueado, a Irlanda criou regras que teriam permitido às empresas terem tempo de adequar as suas operações para uma nova manobra contábil. Graças a isso, no início de 2015, a Apple já tinha transferido a sede fiscal de suas duas empresas na Irlanda para Jersey: Apple Sales International (ASI) e Apple Operations International (AOI).

Só para você ter noção da quantidade de dinheiro que passa por essas unidades, nos cinco anos anteriores, a ASI respondeu sozinha por mais de US$ 160 bilhões em receita, cerca de 60% do que a Apple faturou no mundo todo durante o mesmo período.

Uma terceira empresa da Apple surgiu na história: a Apple Operations Europe (AOE), que foi registrada na Irlanda em 2015. Mas por que a AOE não foi para Jersey? Entre as novas regras criadas na Irlanda está uma que oferece incentivos fiscais para empresas irlandesas que comprarem propriedades intangíveis, como marcas, softwares, tecnologias, enfim.

Não há confirmação, mas parece que a Apple aproveitou essa abertura nas regras para vender direitos de propriedades intangíveis da ASI para a AOE. Como a ASI tem sede em Jersey, a operação não teria gerado imposto a pagar, um indício de que acabar com o Double Irish não adiantou muita coisa.

Estima-se que as operações baseadas em propriedades intangíveis tenham feito cerca de € 250 bilhões entrarem na Irlanda só em 2015, valor correspondente a 26% do PIB do país naquele ano.

Em agosto de 2016, a União Europeia concluiu que o Double Irish e outras operações corresponderam a benefícios fiscais ilegais cedidos pela Irlanda à Apple. Ficou determinado que a companhia pagasse pouco mais de € 14 bilhões em impostos e correções.

Até agora, o valor não foi cobrado. No mês passado, a União Europeia declarou que vai levar a Irlanda aos tribunais por conta disso. O governo do país alega que a operação de cobrança é complicada e requer tempo.

A Apple se defende

Na segunda-feira (6), a Apple divulgou uma extensa nota referente às investigações da Paradise Papers. Nela, a companhia afirma que, em 2015, promoveu mudanças em sua estrutura corporativa para preservar seus pagamentos de impostos nos Estados Unidos, não para reduzir tributos em outro lugar.

A Apple também afirma que é a maior pagadora de impostos do mundo, tendo desembolsado mais de US$ 35 bilhões nos últimos três anos só para isso, além de outros bilhões de dólares destinados a tributos sobre propriedade, folha de pagamento e semelhantes.

“Acreditamos que todas as empresas têm a responsabilidade de pagar os impostos que devem, e estamos orgulhosos das contribuições econômicas que oferecemos aos países e comunidades onde fazemos negócios”, diz um trecho da nota.

Steve Jobs em Cork, Irlanda, em outubro de 1980

Steve Jobs em Cork, Irlanda, em outubro de 1980. Foto: Apple

Sobre a Irlanda, a companhia afirma estar no país desde 1980, quando Steve Jobs procurou uma base para expansão fora dos Estados Unidos. Hoje, a unidade instalada em Cork emprega mais de 6 mil funcionários de aproximadamente 90 nacionalidades diferentes, de acordo com o comunicado.

As mudanças para Jersey, ainda segundo a nota, devem-se às alterações tributárias promovidas pela Irlanda em 2015. O objetivo foi o de “garantir que as obrigações fiscais e os pagamentos aos Estados Unidos não fossem reduzidos”.

Com informações: ICIJ, BBC, Bloomberg, Business Insider

  • Jefferson Rodrigues

    Não vejo com maus olhos empresas e pessoas que fazem isso. Principalmente, aqui no Brasil.

    • Peacemak3R

      Sonegação tem rombo maior (mais de 400bi) contra 130 bi da corrupção no Brasil. Com impostos a coisa já é feia, imagina sem.

      • Jefferson Rodrigues

        Continuo não vendo!

  • Dane-se, imposto é roubo e tem que fazer isso mesmo.

    • Peacemak3R

      Acima, mais um que propaga esta falácia…

      Imposto é necessário em qualquer canto do mundo. Se o imposto aqui é mal administrado, desviado, são outros quinhentos e é nisso que você tem que criticar; e não fazer um comentário bostx desse.

      • Você me dá a opção de pelo menos não pagar imposto e não participar dessa farra que você quer viver ou sou obrigado a viver nesse sistema sob ameaça de violência?

        • Você pode. Só não vai poder se utilizar das estradas, das propriedades e do abastecimento.

          • Fechado. Como posso prosseguir?

          • Helmut

            Vira pra esquerda em vai direto até encontrar só mato em terreno irregular. Instale-se.

          • Por definição, toda propriedade que não tenha um proprietário de pessoa física ou jurídica é dessa organização criminosa que você tanto ama chamada Brasil.

          • Helmut

            Se alguém te cobrar imposto, continue seguindo em frente.

          • igor

            propriedades são do governo?

          • ochateador

            Propriedades são particulares, portanto pertencem a você.
            Mas você só conseguiu sua propriedade por causa das condições fornecidas pelo governo.

            Logo, para ter sua propriedade agradeça (ou amaldiçoe) o governo.

          • igor

            causa das condições fornecidas pelo governo.

            Erado, é só um processo de troca entre duas pessoas e totalmente possivel sem governo.

            belas condições; hiperinflação, regulações, imposto e taxas.

  • Fernando Oliveira

    Juízes, advogados, promotores, mídia, senadores, deputados, empresas e tanto mais quanto você possa imaginar de um jeito ou de outro também não pagam impostos quando tem a oportunidade. É assim no mundo inteiro todos os dias.

    • Wendel Rocha

      Isso porque #ImpostoÉRoubo. Quem é o escravo que vai ficar trabalhando para dar 30% da sua renda e mais 40% de imposto sobre o seu consumo em impostos. Nem no tempo do império, a escravidão foi tamanha!

      Independente disso, a matéria foi espetacular. Impressionante até o Henrique Meirelles estar na lista. Tecnoblog mandou ver.

      • Wendel Rocha

        “Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.” – Margaret Thatcher

  • Renan

    É uma merda que as empresas tenham que elaborar estratégias para buscar o local mais vantajoso para fazer negócios. Empresa tem que fazer negócios e não malabarismos tributários. Apple e outras grandes até conseguem ter um departamento jurídico para cuidar disso. Tenho pena dos pequenos empresários brasileiros que não possuem advogado de bolso e pagam a mais por ignorância. A burocracia tributária só favorece grandes empresas e advogados.

    • O Brasil é um país atravancador. Aqui é malabarismo desde quando você nasce até não poder mais.

  • Senhor Bean

    A “era da informação” se transformou na era da desinformação. Estamos poucos clicles de distância dos maiores maiores pensadores da Política da história humana. De Platão a Habermas, Centenas de milhares de aulas sobre qualquer assunto disponível no YouTube.

    O imposto amiguinhos, de forma bastante simples, faz parte do contrato social que “assinamos” ao nascer. Ele serve para garantir todo o aparato que te rodeia e que impede do estado natural te devorar. É ele que garante sua igualdade jurídica perante a sociedade. É que garante a propriedade privada. Em outras palavras, ele é a base do liberalismo.

    • Alexandre Silva

      Lembrando que imposto é necessário para a manutenção da sociedade, oq é completamente diferente é o sistema brasileiro que sufoca as possibilidades de crescimento das empresas no pais em pro de um falido estado de bem estar social fictício. Uma empresa gigante como a apple que tem lucro de 50% em cima de seus produtos e consome recursos naturais deve sim retornar a sociedade em forma de impostos.

      • Jose X.

        sistema brasileiro que sufoca as possibilidades de crescimento das empresas

        o mimimi de sempre…parece papo de empresário da FIESP, daqueles que quando a gente vê entrevista fica até com vontade de dar uma graninha pra ele

        empresário brasileiro adora a lei de Gérson, quer capitalismo sem riscos

        • Alexandre Silva

          Responda um comentário com argumentos e ideias, faça valer a sua internet!

          • Jose X.

            cara, você faz um comentário totalmente ideológico e me cobra argumentos…fala sério

        • Trovalds

          Qual sua experiência com empreendedorismo? Já que você fala com tanta propriedade do assunto, conte-nos como foi (ou é).

        • Alberto Prado

          Existe uma diferença enorme, não, enorme não. Existe uma diferença abissal entre os grandes empresários da FIESP e os micros e pequenos empresários que respondem por quase 1/3 da economia do país e emprega mais de 50% da mão de obra formal do Brasil.
          Esse empresário não ganha benefício algum do governo. Pelo contrário só leva ferro do emaranhado sistema tributário brasileiro.
          Não coloque todos os gatos no mesmo balaio.

          • Jose X.

            grande empresa tem sua própria contabilidade, pequena empresa contrata contabilidade

            é o mesmo mimimi de sempre, oh dor, oh vida, como é difícil ser empresário

            estou pra ver um único empresário, seja um bilionário da fiesp sejá o zé do boteco da esquina não reclamar de como é dura a vida de empresário

            empresário brasileiro adora a lei de Gérson, quer capitalismo sem riscos

          • Alberto Prado

            Vc sabe quanto custa pra uma empresa pequenacom 5 funcionários manter um contador? No mínimo 1300 reais por mês. Vc acha normal paga praticamente um salário e meio só pra lida com burocracia? É quase um sexto funcionário. Essa aberração só existe aqui. Qualquer outro país do G20 isso é menor.
            O único risco que o pequeno empresário não quer é da burocracia engolir o negócio dele. Só isso.

      • Senhor Bean

        O mundo não está perdido hahaha concordo em vários pontos contigo. Só acho que não podemos ser tão reducionistas com o caso brasileiro. O governo brasileiro, sobretudo no governo Lula, foi uma mãe para o empresariado. Incentivos, perdão de dívidas, crédito facilitado. Mas sim, tentou reproduzir o estado de bem estar social que vigorou na Europa e nos EUA até a década de 1970 e falhou.

        • Jose X.

          Estados Unidos nunca foi welfare state, e a maioria dos países desenvolvidos na Europa ainda são welfare state, em maior ou menor grau (assim como o Canadá na Am. do Norte)…não vou nem falar dos países nórdicos, mas na Inglaterra, por exemplo, o sistema de saúde é universalizado, e todos os casais recebem auxílio para educação dos filhos

          • Senhor Bean

            Recomendo fortemente esse artigo: Estado do Bem-Estar
            Social: Padrões e Crises (http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/fioribemestarsocial.pdf) e sobre a crise do estado de bem estar social na Europa da década de 1960/1970 recomendo o renomado A Condição Pós-Moderna do David Harvey.

          • Jose X.

            cara, você está falando de 50 anos atrás…

          • Senhor Bean

            Mais do que nunca recomendo o Harvey pra ti. É essencial entender a importância que a década de 1970 teve para o mundo e para a reorganização do capitalismo. É fundamental para entender as políticas neoliberais dos anos 1980, para entender a produção indo para a Ásia, a grande crise que assolou vários países latino-americanos nessa época, etc.

            O mundo muda pós 1970 e entender essa mudança é fundamental, independente de onde você esteja no espectro político.

            Esse autor ainda é vivo, escreve até hoje e é extremamente relevante e atual dentro das Sociais Aplicadas. Não menospreze o fato de o livro falar de 50 anos atrás, historicamente foi ontem.

          • Jose X.

            o estado de bem-estar social continua bem vivo hoje em vários países da Europa e no Canadá…é difícil de entender que exista gente que negue isso, assim como é difícil de entender como é que alguém pode dizer que os EUA foram um estado de bem-estar social

          • Senhor Bean

            Meu Jesus, lê o artigo http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/fioribemestarsocial.pdf/at_download/file

            O estado de bem estar social é um sistema falido, ele não é a resposta para as contradições do sistema de produção atual e se hoje existe resquícios dele em alguns países com população pequena e com pouca desigualdade social, ele só se sustenta porque a desigualdade no mundo é enorme. Para um sueco manter seu padrão de vida, precisa de um chinês produzindo seu iPhone com custo mínimo. Para um canadense poder abastecer seu carro sem se preocupar com o preço, precisa ter instabilidade econômica no Oriente Médio.

            Lê o artigo e me chama que vai ser um prazer debater, de verdade.

            Edit: Não tinha visto sua última frase, quando falamos hoje “estado de bem estar social” usamos para generalizar toda política de Estado que visa garantir algum acesso ou minimizar algum grave problema social. Nos EUA tivemos algumas políticas assim ao longo do século XX, como exemplo o New Deal. Mas é um conceito polissêmico e por isso eu recomendo tanto o artigo que citei

          • Jose X.

            cara, repito o que disse acima, welfare state é uma coisa que existe hoje…independentemente de questões teóricas ou ideológicas, o welfare state é uma realidade hoje nos países ricos da Europa, e quando você diz que

            o estado de bem estar social que vigorou na Europa e nos EUA até a década de 1970 e falhou

            você simplesmente não sabe do que está falando, porque ignora fatos concretos que existem hoje

    • Eu acho engraçado justamente esse povo que utiliza do argumento do contrato social com viés de crítica.
      “Eu não escolhi fazer parte disso! Não concordei com contrato nenhum! Isso é um ultraje!”
      Okay sabichão, se quer tanto viver longe desse contrato, se desfaça de todos os seus bens, saia da cidade e viva como um eremita e te vire perante a hostilidade do mundo.
      Volte daqui a um mês e me diga se isso de fato foi uma boa ideia.
      Isso é tão absurdo quanto a dizer que a gravidade não existe.

    • Wendel Rocha

      Você está completamente equivocado. Não tem nada de liberalismo nessa sua afirmação. Você fala para procurar na internet referência, mas não cita nenhuma? Que intelectualidade vossa é essa? Aqui vai uma para você ficar pensando:
      A idéia hobbesiana de estado natural “devorador” não é argumento válido para existência do Estado. Se o estado natural é destrutivo e os humanos não sabem o que fazem, são tolos, burros, ávidos apenas por seus próprios desejos, e precisam do Estado para freá-los, quem foi que, em sua concepção, o instituiu? Alienígenas para trazer paz e civilização a terra? Ora, o Estado é formado por humanos e sempre da pior espécie porque fazem uso da máquina para fazer suas vontades, isso é fato.

      Além disso, a vida e a escassez existem antes de qualquer formação do Estado. Aceitar o Estado como início, é negar qualquer direito natural e negar o próprio direito a vida.

      O nascimento, graças ao bom deus, não é condicionado a nenhuma assinatura de contrato social. A vida, propriedade e liberdade são direitos naturais que existem antes e apesar do estado.

  • Meus parabéns, Emerson ! Matéria instrutiva e bem detalhada. Enquanto outros sites que cobrem a Apple no Brasil focam seu conteúdo em iPhones, o Tecnoblog traz mais que gadgets e cia. Vai de cada querer se informar de verdade ou ficar na borda.

  • Resumindo: não é ilegal, nem imoral, nem engorda…

    • Trovalds

      Pra alguns é imoral. Ilegal não é. E engorda os bolsos dos acionistas.

      • LekyChan

        que é o proposito de toda empresa

      • Não é pecado ganhar dinheiro, rs…

  • Jonas S. Marques

    O mais triste é ver gente aqui defendendo a Apple.
    Amiguinho, se você sai da sua casa e anda nesse retângulo esburacado que chama de rua saiba que isso aí teve um custo de pavimentação. Tratores tiraram terra daí, outros tratores e betoneiras asfaltaram isso aí, tudo com imposto.
    Discutir mal uso de impostos, especialmente aqui é outra coisa bem diferente. Mas defender a Apple, uma empresa que tem a cara de pau de dizer que não faz produtos só para ricos e que cobra 1100 USD num smartphone, e que agora, sabidamente sonegou mais de dezenas de bilhões de dólares é mau-caratismo.
    IMPOSTO NÃO É ROUBO

    • igor

      não é sonegação se é legal.

      • Não tente explicar isso para os filhos do Estado… rs

        • Marcus Araújo

          Bem que não estava escrito claramente no texto “a União Europeia concluiu que o Double Irish e outras operações corresponderam a benefícios fiscais ILEGAIS cedidos pela Irlanda à Apple”.

          Mas não tente explicar isso para um ser dito alfabetizado…

          • Benefícios fiscais … Que a união européia considera ilegal… Mas não existe governo do mundo ainda, campeão… Um país pode escrever sua própria política de subsídios e aplicá-la. E assumindo que esta política vá contra as regras de um determinado bloco econômico esse país, ou se sujeita às regras ou sai, e a Irlanda – neste caso especificamente, nem se sujeita e nem sai, rs… (a Apple não tem nada a ver com isso, apenas está utilizando um subsídio que foi ofertado por um conjunto de regras de um determinado país, simples e claro como o sol do meio dia). Não tente explicar isso pra um analfabeto funcional. rs…

      • LessTech

        Legalidade e moralidade não necessariamente andam de mãos dadas. É possível andar dentro da lei e dar um dedo do meio para o contribuinte médio (leia-se pessoa física-não-milionária), que termina arcando mais com isso.

        • Imposto é imoral.

          • LessTech

            Na Suécia, não. No Brasil, sem sombra de dúvida!!!

          • Imposto é imoral em qualquer lugar. Ele ser usado melhor não o garante anistia.

          • LessTech

            Por favor, defina seu conceito de moralidade.

        • igor

          é moral e legal

          • LessTech

            Moral… depende. Fazer em si não é o problema. O problema é ter em discurso “luta contra a pobreza” ou “luta pela inclusão e distribuição de renda” e fazer uso de mecanismos para aumentar lucro por meio da diminuição de tributos.

            Claro que Brasil não é nem de longe a melhor referência em gestão de recursos oriundos de tributos, mas o mundo não se resume ao Brasil.

    • Agent Cooper

      Pois é, imposto só é roubo quando é desviado para o bolso de políticos corruptos, ou cobrado de forma injusta e abusiva como acontece aqui no Brasil. Em países como o Japão os impostos representam mais de 44% da renda dos trabalhadores e 8% sobre o consumo, mas TUDO lá funciona: saúde, educação, segurança, comércio, etc. O mesmo acontece em países da Escandinava, e potências como Reino Unido e Alemanha.
      Quando rola escândalo de sonegação nesses países, empresas e pessoas sonegadoras perdem muita credibilidade perante a população, basta ver as duras críticas a Família Real Britannica nesse mesmo caso do Paradise Papers.
      Mas aqui na selva, se alguém feito você Jonas trás a luz argumentações racionais como essa, os “economistas de boteco” formados no Facebook logo o chamam de “filhos do Estado”, “comunista”, etc.

    • Wendel Rocha

      Imposto é Roubo sim. Não tem argumento de estrada, escola, hospital que permita a moralidade da prática. Se não é voluntário, se dá cadeia e, em última instância, morte, então imposto é roubo. Não importa o uso do roubo, ainda será roubo. Leia bastiat, “a Lei” para começar a perder este amor ao estatismo e as organizações criminosas que acabam com a liberdade individual e a livre iniciativa.

      • Ricardo – Vaz Lobo

        Um debate entre “esse tal de” Bastiat e Ayn Rand seria muito interessante.

        • Wendel Rocha

          Já pensou? Debate entre Menger, Bastiat, Ayn Rand, Rothbard, Mises, Hayek e Hoppe? Seria muito interessante. lol

          • Ricardo – Vaz Lobo

            Marx servindo chá…

          • Wendel

            Marx nem pra estagiário serve. Segundo livro do Wiker, “10 livros que estragaram o mundo”:

            “Eu nunca vi alguém com uma conduta tão provocadora e intolerante. A nenhuma opinião que divergia da dele ele concedia a honra da mais mínima e honesta consideração. Ele tratava todos que o contrariavam com um desprezo abjeto; ele respondia a todo argumento que desgostava, ou com um escárnio mordaz da insondável ignorância que havia levantado aquele ponto, ou vomitando ultrajes sobre os motivos daquele que argumentou […]. Ele condenava qualquer um que ousasse contrariar a sua opinião. (Carl Schurz)”.

            Ora, um cara que é intolerante, não quer aprender e quer impor suas vontades, nem para estagiário serve. Tira Marx dessa lista aí. Nem pra serviçal essa praga presta.

            Só trouxe mais morte e destruição ao mundo.

            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2795

          • Ricardo – Vaz Lobo

            Li esse. Muito bom.

          • Ricardo – Vaz Lobo

            Fico pluto com esses caras que vem com leituras interessantes pra gente, sacanagem! Que inferno…

          • Wendel

            A equação é fácil:
            – esquerdista (estatista) + leitura interessante = lixo tendencioso
            -Acredite, eles produzem bastante lixo. A maioria considera como trabalho a produção de lixo. Sem rouanet, sem papai estado, não conseguiria se sustentar por 1 dia em um mercado livre.

            Qualquer justificativa a moralidade das atividades do Estado e dos impostos é cai na guilhotina de hume e é, portanto, uma falácia. Essa gente vomita bosta e acha que é caviar. Só na mente deles mesmo.

    • Marcus Araújo

      Concordo 100%. Brasileiro aparentemente se tornou aquele tipo de gente que bate panela por roubarem algo que alegam ser fruto de roubo (?).

      Sabe quando esse país vai mudar com essa gente? Nunca, porque na cabeça dessa gente o problema não passa verdadeiramente pela ineficiência e corrupção do Estado, que é o que deveria ser combatido, mas sim porque sentem-se injustiçados porque acham que o asfalto da rua onde andam com seus carros, o posto de vacinação, a escola pública do bairro, a universidade pública onde se formaram, tudo isso possui custo zero e brota por geração espontânea no capitalismo.

      Não dá pra se dizer contra a corrupção e achar certo o que a Apple fez, pois os impostos com certeza foram cobrados no produto para o consumidor final. Esse pessoal precisa definir melhor a bandeira que defende (se são contra a corrupção ou se são contra algumas corrupções apenas, já que aparentemente a Apple e outras empresas estão isentas quando põem no bolso aquilo que cobraram dos consumidores alegando esse custo e não repassaram a quem é de direito).

      O Estado cobrar é roubo, mas o Estado cobrar, a Apple repassar essa cobrança ao consumidor e embolsar esse valor que foi cobrado dizendo a você que iria para o Estado é certo, pois te fez de trouxa. O Brasil vai mudar com você sim, amiguinho, só que nunca.

    • O mais triste é ver outro sindicalista comentando merda

  • Wendel Rocha

    #ImpostoÉRoubo pronto e acabou.

  • Wendel Rocha

    E o imposto de importação de 60%? O que o governo protege é um cartel de empresas ruins que não são capazes de competir com mercados externos e, em troca, essas empresas dão de 35% a 50% de retorno em impostos (É formação de quadrilha ou não é?). Enquanto se continuar com essa simbiose entre tributação alta e protecionismo, o Brasil nunca será um país próspero. #ImpostoÉRoubo

  • Ricardo – Vaz Lobo

    Quanto custaria um IPhone 5 (nem falo do X…) sem essa filhadaputada toda?

  • zoiuduu .

    Achei o texto muito longo , o impacto por palavra está baixo. Aquele negócio de panama papers pode cortar que não faz falta. Opinião minha.

  • Samael Vinícius

    Apple sendo Apple, gananciosa e mau-caráter, assim como seus executivos.

  • Eu não entendo como um cara como o Henrique Meirelles terá a cara de pau de propor qualquer aumento de imposto ou qualquer sacrifício da população depois dessa.

  • Imposto é roubo. Fizeram mais que o dever deixando de financiar esse bando de safado que vive de guerras e do dinheiro roubado dos outros.

  • Filipe Lima Ferreira

    É incrível como de repente surgem tantos especialistas em contabilidade internacional num site de tecnologia…..

  • Filipe Lima Ferreira

    Incrível ver um monte de gente aqui querendo tratar questões de estado….imposto e etc…pela ótica da realidade brasileira…… Brasil é um país podre…….não tem como um brasileiro que nunca foi a um país de primeiro mundo dar qualquer opinião……