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Foxconn é acusada de contratar ilegalmente estudantes para montar iPhone X

Estagiários supostamente trabalharam 11 horas por dia, o que é proibido na legislação chinesa

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2 anos atrás

A Foxconn, principal terceirizada da Apple, está sendo acusada de contratar estudantes de forma ilegal para montar o iPhone X. Seis chineses informaram ao Financial Times que trabalharam 11 horas por dia, enquanto o limite legal para estagiários no país é de 40 horas semanais.

Segundo o jornal, os estudantes têm entre 17 e 19 anos e disseram ser obrigados por sua escola a trabalhar durante três meses na fábrica da Foxconn em Zhengzhou, cidade chinesa. Eles fazem parte de um grupo de 3 mil alunos que foram enviados à fábrica como parte de uma “experiência profissional” e deviam completar o estágio para poder se formar.

Especialmente neste ano, a demanda sazonal por mais funcionários foi maior do que em anos anteriores, como informou um funcionário da Foxconn ao Financial Times. Nessa época de agosto a dezembro, por volta de 300 mil pessoas cuidam da fabricação dos iPhones, contra 100 mil funcionários em outros meses do ano. Estagiários normalmente são chamados por ter regime de trabalho mais flexível.

Um estudante apontou ao jornal outro problema, além das horas extras: a escola os obrigava a estagiar antes de se formar — e o serviço não tinha “nada a ver” com o que estudavam, segundo ele. O estagiário ainda disse ter que montar 1.200 câmeras do iPhone X por dia.

A cidade de Zhengzhou é uma escolha proposital da Foxconn para manter sua produção, cujo governo oferece benefícios e incentiva escolas a enviar os estudantes para trabalhar na fábrica.

Não é surpresa que as coisas tenham sido piores: o iPhone X enfrentou diversos problemas de fabricação e foi entregue só em novembro; normalmente, iPhones chegam aos consumidores em setembro. Analistas estimam que entre 2 e 3 milhões de unidades foram disponibilizadas na pré-venda, um número bem baixo quando comparado aos 78 milhões de iPhones que são vendidos em três meses pela Apple.

Procurada, a Apple afirmou ao Financial Times que os estagiários fizeram hora extra voluntariamente e foram devidamente compensados, “mas eles não deveriam ter sido permitidos de trabalhar mais”. Em comunicado, a Foxconn disse que o trabalho extra dos estagiários viola a política da empresa.