As notícias falsas conseguem se alastrar pela internet a uma velocidade alarmante, especialmente através de redes sociais como o Facebook. Alguns países estão preocupados que isso tenha um impacto nas eleições, e vêm propondo regras para combatê-las.

No Brasil, um grupo de trabalho vai desenvolver formas de combater as “fake news”. Ele será composto por membros da Polícia Federal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Ministério Público Federal.

Foto por ilanwet/Pixabay

Ainda há poucos detalhes sobre o novo grupo. No Twitter, a FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais) diz que as atividades vão começar “nos próximos dias em Brasília”.

A ideia está preocupando alguns especialistas. Francisco Brito Cruz, diretor do instituto de pesquisa Internetlab, diz à Agência Brasil: “essa medida joga para a Justiça Criminal uma tarefa ingrata de definir o que é verdade e de colocar uma pena em que está dizendo alguma coisa, por mais que ela seja perigosa ou odiosa. Se isso se torna regra, pode virar um instrumento de controle do discurso”.

A criação do grupo foi exigida pelo próximo presidente do TSE, Luiz Fux. O atual presidente do tribunal, Gilmar Mendes, já formou um conselho consultivo para pesquisar a influência da internet nas eleições, em especial das notícias falsas.

Além disso, a Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 6.812/2017 para tornar crime o compartilhamento ou divulgação de informações falsas na internet. Ele prevê detenção de 2 a 8 meses e multa.

Polarização e WhatsApp

O Brasil é particularmente suscetível a notícias falsas por dois motivos: a polarização política e o domínio do WhatsApp. Este é o diagnóstico de Claire Wardle, diretora da agência First Draft, que fez checagem de fatos nas eleições da França e do Reino Unido.

“Quando se tem eleitores polarizados, as pessoas querem se conectar com outras que compartilham a mesma visão de mundo”, diz Wardle à Bloomberg. “A resposta emocional a essas questões é tão forte que elas ficam muito menos propensas a serem críticas”.

Tai Nalon, diretora da agência Aos Fatos, acredita que o WhatsApp é um fator mais preocupante que o próprio Facebook. “É uma caixa preta. Você não sabe quantas pessoas foram atingidas pela informação, nem onde ela se originou. Não há como rastreá-la”, diz ela à Bloomberg.

A França também cogita medidas para limitar as fake news. O presidente Emmanuel Macron pretende apresentar uma lei que permitirá remover conteúdo falso ou bloquear sites durante as eleições.

Com informações: Agência Brasil, Bloomberg.

Não acredite em seus olhos

Quem é culpado pela disseminação de notícias falsas na internet: as pessoas que compartilham tudo sem checar a veracidade das informações ou as empresas de tecnologia? Facebook e Google estão desenvolvendo tecnologias para que a verdade volte a reinar, seja com algoritmos de inteligência artificial, seja com a ajuda de humanos que fazem trabalhos independentes de verificação de fatos.

Debatemos o assunto no Tecnocast 059. Dá o play e vem com a gente!

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Marcio Vianna
CENSURA agora se chama "Combate à Fake News". É o Governo Ilegítimo pedalando para o Povo!
Lucas Blassioli
Incrível como o pessoal vê força tarefa para evitar desinformação como uma coisa ruim. Parece que certos eleitores estão com medo de seu candidato de estimação perder.
CtbaBr©
Nem defendi, nem ataquei, apenas constatei!
Maria Santa
Acho que me perdi na interpretação aqui. Não entendi se você está defendendo ou acusando o Estado. Nisso agora eu digo: reitero o que eu escrevi no último comentário.
CtbaBr©
Repetindo novamente... "Reitero o que disse, você (cidadão) não tem o direito de discernir, mesmo sendo capaz de faze-lo." Logo não cabe esse seu questionamento... Se você acha que um ser humano é livre de discernir, sem problemas, continue o sendo. ?Pois eu afirmei o contrario? Obvio que muitos são capazes de discernir, afinal se não fossem, um juiz não poderia faze-lo, afinal ele é um cidadão e humano, como todos!
Maria Santa
Se você acha que um ser humano é livre de discernir, sem problemas, continue o sendo. O julgamento individual geralmente é mais simplório, e também o mais intolerável, em relação ao julgamento analítico. É nessas que recaí a questão das decisões próprias. Uma pessoa pode ser livre para cometer qualquer tipo de crime básico - roubar, furtar, assassinar. Mas ao mesmo tempo, se ela é pega em flagrante, dependendo da comunidade onde ela se encontra, o resultado será a condenação dela imediata pela própria população - isso significa linchamento, execuções públicas e grupos de extermínio. Podemos dizer que no fundo, o Brasil ainda tem um pouco disto. No entanto, se o julgamento individual caí no crivo de uma notícia bem contada, uma informação repassada como "fato verídico", isso pode transformar o julgamento individual em uma execução de caso, aí indo parar em linchamentos que não eram para acontecer por exemplo. Você como pessoa é capaz de julgar o que é bom ou ruim para si e para seu arredor. O problema é a questão de você julgar para a comunidade se é bom ou ruim. Teoricamente, o Estado seria por exemplo a relação que nós dois temos em uma comunidade. Conversamos juntos para chegar a acordos. Ou chamamos um terceiro para ajudar a entrar em acordos onde não há consensos. Ponto. Isso simplificando. O Estado é eco de nossas atitudes, culturas e vivências. Ele o é corrupto pois nós o somos. As decisões do Estado podem parecer perfeitas para alguns, mas quem é realmente uma pessoa estadista sabe que o Estado nunca será perfeito, no entanto, é a melhor das opções para contar como balança de equilíbrio. Até porque pessoas em um Estado teoricamente estudaram e vivenciaram casos para analisar melhor o que pode ser feito a cada um destes. Mas se para você e muitos outro não o é, não tem problema. Não estamos em uma ditadura. Aja como lhe melhor convir, mas lembre-se que há sempre formas de restringir as atitudes alheias, mesmo que não seja de forma estatal.
Maria Santa
Ou seja, 80% de quem comenta aqui :V
CtbaBr©
Reitero o que disse, você (cidadão) não tem o direito de discernir, mesmo sendo capaz de faze-lo. Se você presenciar um assassinato ou roubo, ainda assim o autor sera um "suspeito" até que um juiz o declare assassino ou ladrão. Ou seja, somos tratados pelo Estado como inaptos ao discernimento, sendo assim, como poderei saber se algo realmente aconteceu ou não?
CtbaBr©
O dia em que o Estado me garantir o direito constitucional de poder me expressar livremente, eu deixarei de usar um nick! Porem de um modo geral, quem usa um nick esta assumindo esse fato, apenas esta omitindo sua identidade, não mentindo sobre ela. Pior são aqueles que usam nomes e imagens fictícias (fakes), o que se caracteriza por falsidade ideologística, passível de punição em quase todo mundo!
Marcvs Antonivs
Basta acabarem com as páginas do Movimento Brazil (com Z) Lixo que tudo se resolve.
Maria Santa
Então vamos para a prática! Para começar, todo mundo parando de usar pseudônimo e usar nome real para comentar. Qualquer coisa, vamos pedir para o Disqus criar um sistema biométrico de identificação. Pronto. Se a gente não é o exemplo, quem o será?
Maria Santa
Flagrante delito é "suspeito" até a ratificação da culpa pelo juíz ou outra autoridade. Esse é ponto. É um mecanismo para evitar que uma culpa se transforme em uma punição indevida. Pois muitas vezes um flagrante delito na verdade é a continuação de uma situação anterior que culiminou no flagrante. Por exemplo: uma mulher que matou o ex companheiro foi presa por flagrante. Mas ao analisar a história dela, testemunhas e provas, colocou-a como inocente, pois puxou no histórico que ela tinha uma medida protetiva para manter o ex-companheiro longe dela, mas este não respeitou e por mais que ela exigisse da polícia alguma forma de proteção, a polícia não ajudava (Polícia Catarinense, diga-se de passagem). Edit: o caso em questão: http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/11/ele-foi-o-inferno-da-minha-vida-diz-mulher-absolvida-por-matar-o-ex-namorado-em-florianopolis-8358313.html
CtbaBr©
Cara, é como eu disse, no discurso sempre funciona bem, na pratica não! A principio eu não sou contra, mas "estou cético"!
G. Croft
Mas então fica nessa de "se fizer vai dar errado" e "se não fizer uma eleição pode ser influenciada". Não sei o que é pior. Já vimos que nos EUA as eleições foram influenciadas por "fake news" e no Reino Unido um plebiscito também foi, gerando consequências gravíssimas.
CtbaBr©
Na retórica... Perfeito. Mas todos sabemos que nessa nossa realidade invertida chamada "braziu", o obvio nunca é tão obvio!
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