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Facebook reconhece que redes sociais podem afetar a democracia

E quer descobrir em quanto

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2 anos atrás

Como resolução de ano novo, Mark Zuckerberg se comprometeu a “consertar o Facebook” em 2018. Aparentemente, os esforços para isso já começaram. A rede social já havia falado em fazer o feed de notícias exibir mais posts de amigos e familiares. Agora, o Facebook promete avaliar os riscos que traz para a democracia e aplicar soluções.

Não é preciso ser cientista político para saber que as redes sociais podem ter impacto sobre eleições e discussões políticas em geral. O que surpreende aqui é que, ainda que indiretamente, o Facebook reconheceu publicamente a possibilidade de o seu serviço ser prejudicial à democracia.

Facebook - democracia

Isso não quer dizer que a companhia tenha tentado apoiar partidos, movimentos sociais, decisões políticas ou qualquer coisa do tipo. O problema está, basicamente, nos mecanismos criados para manter o usuário o maior tempo possível dentro da rede social. Para isso, os algoritmos do Facebook analisam o comportamento da pessoa para dar prioridade ao conteúdo que a agrada.

A publicidade direcionada é apontada como outro problema sério: o Facebook parece ter melhorado esse aspecto, mas até pouco atrás, falhava em filtrar anúncios de cunho político potencialmente perigosos.

Ao longo do tempo, ficou claro que esses mecanismos podem ser explorados para disseminar notícias falsas — por conta do tom frequentemente alarmante — ou dificultar o acesso a informações que levantam questionamentos ou opiniões diferentes, pois o feed de notícias prioriza aquilo que corresponde aos likes e interações do usuário em situações anteriores.

No meio de 2017, Margrethe Vestager, comissária antitruste da União Europeia, chegou a considerar o Facebook uma ameaça à democracia justamente por dividir as pessoas em “bolhas”, não dando espaço para debates substanciais.

As eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016 são o exemplo mais emblemático. Vários grupos de engajamento político e social acreditam que notícias falsas ajudaram Donald Trump a ser eleito, ainda que não esteja claro qual a magnitude dessa influência. Na ocasião, o Facebook não foi convincente nas afirmações de que teria tomado medidas para combater conteúdo falso.

Em um texto publicado na segunda-feira (22), Samidh Chakrabarti, líder de engajamento cívico no Facebook, declarou que o serviço demorou a “reconhecer como agentes nocivos estavam abusando da plataforma”. Agora, a companhia trabalha para evitar o problema e tenta descobrir qual a nível de influência que as redes sociais podem ter sobre eleições.

Mark Zuckerberg - people first

Começa pelas diversas medidas adotadas ou em teste para combater notícias falsas. A mais recente visa identificar e destacar fontes confiáveis com base no feedback dos usuários.

O Facebook também pretende tornar páginas de cunho político mais transparentes. Para tanto, vai exigir que as entidades responsáveis por elas confirmem suas identidades para deixar claro ao usuário quais organizações estão por trás daquele conteúdo ou anúncio.

As medidas de transparência têm relação com a interferência externa, outro problema a ser combatido. Chakrabarti destaca uma investigação do Facebook que descobriu que organizações russas criaram mais de 80 mil postagens sobre as eleições dos Estados Unidos em 2016 que, juntas, alcançaram 126 milhões de norte-americanos.

Mas o próprio Facebook reconhece que esta é uma “luta eterna”. Primeiro porque a desinformação é promovida nas redes sociais por profissionais que certamente irão adotar novas estratégias. Segundo porque é da natureza das pessoas compartilhar somente aquilo que confirma as suas crenças.