O Facebook vem tentando há meses combater a praga das notícias falsas, mas até agora não conseguiu nenhuma solução satisfatória. A ideia mais recente, a de perguntar para o usuário se ele confia na fonte da notícia que está sendo acessada, vai aumentar a lista de tentativas fracassadas. Pelo menos é o que os primeiros testes sugerem.

Facebook - smartphone

Não é difícil entender: o plano do Facebook é obter feedback com base em um questionário. O problema é que, se as perguntas forem de difícil assimilação pelo público em geral, o retorno será baixo; se simples demais, o resultado provavelmente será de pouco valor por conta da quantidade insuficiente de dados.

Alex Kantrowitz, jornalista do BuzzFeed, descobriu que o Facebook acabou optando pelo questionário simples. Simples até demais. São apenas duas perguntas (em tradução livre): “você reconhece os seguintes sites? (sim, não)” e “o quanto você confia em cada um desses domínios? (totalmente, muito, um pouco, muito pouco, nem um pouco)”.

Um representante do Facebook confirmou que, pelo menos por enquanto, esse é o único questionário existente. A companhia também confirmou que as perguntas foram elaboradas por ela, não por uma empresa independente que, como tal, talvez conseguiria montar algo mais preciso.

Não dá para confiar em um questionário tão “genérico” porque o leitor pode simplesmente classificar a fonte da notícia como não confiável por não concordar com o que é abordado ali, mesmo que não haja inconsistências. O mesmo vale para fontes duvidosas, mas avaliadas positivamente por defender determinadas ideias.

A maior preocupação é a de que o feedback impreciso acabe prejudicando a classificação de veículos ou artigos legítimos no ranking do feed de notícias, problema que pode afetar principalmente publicações sobre temas políticos.

Outro temor diz respeito ao risco de manipulação. Embora o Facebook tenha dado a entender que vai adotar medidas para coibir bots ou ações coordenadas de usuários, não está claro como o mecanismo será protegido.

Mas há uma luz no fim do túnel. Como o Facebook reconheceu recentemente que as redes sociais podem influenciar na democracia, é de se esperar que a companhia esteja atenta às limitações do questionário e trate de aprimorar as perguntas antes de efetivamente colocá-las na rede social. Ou que simplesmente desista da ideia.

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Wellington Gabriel de Borba
Ainda mais nesses tempos em que a Globo é a acusada de golpismo e de ser esquerdopata na mesma notícia.
Cobalto
Eu não tenho como confiar numa empresa que o nome sugere que a terra não seja plana.
CtbaBr©
Eu te positivei pela sinceridade!
Fabio Nakagawa
"jornalista do BuzzFeed" num artigo sofre fake news, seria cômico se não fosse trágico
Renan
Com esse ou outros critérios, ajudaria bastante se o Facebook fosse transparente quanto ao ranking dos sites de notícias acompanhado dos motivos.
Gertrudes, a Lhama Morta

A única maneira de fazer o pessoal parar de compartilhar fake news no Facebook é tirar a opção de postar ou compartilhar algo.

Gertrudes, a Lhama
A única maneira de fazer o pessoal parar de compartilhar fake news no Facebook é tirar a opção de postar ou compartilhar algo.
Gertrudes, a Lhama Morta

Te dei downvote porque não gosto de gente polarizada e imediatista.

Gertrudes, a Lhama
Te dei downvote porque não gosto de gente polarizada e imediatista.
Marcogro®
Facebook... Ter uma conta e esporadicamente saber de um parente distante, visitar uma página de algo que você curte, OK! Agora sentar na frente do PC/Celular... E ficar atualizando post diariamente, às vezes por horas... Não é natural, muito menos normal... Procure um médico.
CtbaBr©
Essa questão é complexa, depende da objetividade dos questionamentos e da boa fé de quem responde. Mas a principio acho que o mais importante é diferenciar claramente o: - Eu discordo dessa matéria. do: - Esta matéria é falsa.
CtbaBr©
Parece absurdo, mas é verdade. Estamos muito polarizados e imediatistas!
Marcus Araújo
Fake news é também um fenômeno cultural. Entendo que isso tudo surgiu e ganhou proporções, de forma até razoável, porque todo mundo sabe, independentemente de ideologia, que os grandes meios de imprensa são sim tendenciosos, embora afirmem que não sejam (e isso não é uma crítica porque é natural que sejam, não existe mídia imparcial). Nos EUA acho até que há uma transparência maior porque todo mundo sabe qual a linha editorial das publicações, e eles fazem questão disso. Aqui temos uma imprensa que faz papel de isentona sempre a favor do Brasil, ou temos umas mídias de esquerda bem descaradas, ou umas mídias "alternativas" de direita bem delirantes. Dito isso, não acho que a solução passe também pela propagação de sites duvidosos ligados à movimentos ainda mais duvidosos, mas sim pelo discernimento crítico mesmo, de buscar outras fontes que tragam outros olhares, e nesse processo claro que a tradição do veículo deve pesar (quem sempre divulgou fake news nem deveria ser levado a sério, para início de conversa). Agora todo mundo quer viver numa bolha e chamando quem divulga uma matéria negativa sobre Fulano como fake news. E o pior: criando e promovendo ainda mais fake news. A única solução pra isso acho que seria o Facebook desativar de vez a promoção de conteúdos que podem agradar aquele usuário. Romper a bolha já seria meio caminho andado.
Lucas Santos
E foi bom incluir o termo anti-Globo, porque atualmente surgiu a afirmação de que a Globo é de esquerda(pela programação digamos, liberal), enquanto os de esquerda afirmam o inverso. Fora os conspiracionistas kkkk
Dayman Novaes
Acho que chegaram a diminuir o alcance também, além de penalizarem tirando a monetização desses sites: https://tecnoblog.net/203598/google-facebook-noticias-falsas/ Tentaram também mostrar na "sugestões de notícias" notícias com fact-check que desmentem a primeira: https://tecnoblog.net/220412/facebook-links-contra-noticias-falsas/ o que pareceu uma ótima solução, mas também não sei se deu certo.
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