Em 1999, o órgão americano FDA (equivalente à Anvisa) solicitou estudos sobre os potenciais efeitos da radiação emitida pelos celulares. Na época, ainda sabíamos pouco se esses dispositivos poderiam afetar a saúde humana.

O NTP (Programa Nacional de Toxicologia) divulgou seus resultados preliminares este mês. Celulares causam câncer? “Vimos efeitos positivos e negativos” em ratos e camundongos, diz o pesquisador sênior John Bucher — mas nada definitivo, ou que possa ser aplicado diretamente para humanos.

Em dois estudos, ratos e camundongos foram expostos à radiação de radiofrequência de 10 em 10 minutos, 9 horas por dia, todo dia. Cada um deles passava pelo teste durante até dois anos — seu período normal de vida.

Os ratos foram expostos a radiação entre 1,5 e 6 watts por quilograma de peso corporal. Enquanto isso, os camundongos receberam de 2,5 a 10 W/kg. A quantidade máxima de exposição permitida para humanos é de 1,5 W/kg.

Bucher lembra que os roedores foram expostos a muito mais radiação do que humanos ao celular. “Ou seja, essas descobertas não devem ser diretamente extrapoladas para o uso humano de celulares”, diz ele em comunicado.

Resultados

Ratos machos expostos aos níveis mais altos de radiação tiveram maior incidência de tumores malignos no tecido que cobre os nervos no coração. Isso não se aplica para as fêmeas, nem para os camundongos.

Os ratos machos e fêmeas expostos à radiação tinham maior propensão à cardiomiopatia, doença que causa danos ao tecido cardíaco. No entanto, os camundongos não foram afetados.

Além disso, ratos e camundongos expostos à radiação desenvolveram mais tumores no cérebro, próstata, fígado, pâncreas, glândula pituitária e glândula adrenal. Os pesquisadores não conseguiram concluir se a radiação era responsável.

Os filhotes de ratos nasceram com peso mais baixo quando suas mães eram expostas a altos níveis de radiação durante a gravidez. No entanto, eles cresciam até o tamanho normal.

E curiosamente, os ratos expostos à radiação viviam mais tempo do que os outros no grupo de controle. Talvez a radiação reduza a inflamação, ou talvez seja apenas uma coincidência.

Foto por Daniel Reche/Pixabay

O que isso significa?

Bucher diz que “os estudos não vão muito mais longe do que tínhamos divulgado anteriormente, e eu não alterei a maneira como uso o celular”.

Otis Brawley, diretor médico e científico da American Cancer Society, parece concordar. “A evidência de uma associação entre celulares e câncer é fraca, e até agora, não vimos um risco maior de câncer nas pessoas”, diz ele em comunicado. “Mas se você está preocupado com esses dados sobre animais, use um fone de ouvido.”

Jeffrey Shuren, da FDA, diz em comunicado que “os limites atuais de segurança para a radiação celular permanecem aceitáveis ​​para proteger a saúde pública”. Ele acrescenta: “mesmo com o uso diário frequente pela grande maioria dos adultos, não vimos um aumento em tumores cerebrais”.

O relatório — que custou US$ 25 milhões para ser realizado — será analisado por cientistas de fora do NTP no final de março.

Vale lembrar que três grandes estudos epidemiológicos, envolvendo dezenas de milhares de usuários de celulares em 13 países, não encontraram nenhuma conexão entre o uso do celular e câncer. Eles foram publicados entre 2007 e 2013.

Com informações: LA Times, Washington Post.

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Renan
O fato de que radiação aumenta as chances de contrair câncer não estava em análise. Isso já foi comprovado por diversos estudos. Temos até exemplos bastante conhecidos como o desastre de Chernobyl. O desafio do estudo foi colocar à prova a afirmação de agências reguladoras de que os níveis de radiação máximos de celulares são inofensivos. O estudo não provou que a afirmação está correta, apenas não conseguiu demonstrar que está errada.
CtbaBr©
Concordo, mas ainda assim é preocupante, pois evidência que acima de certos limites existe um risco, nesse aspecto o estudo foi muito importante.
Renan
A evidência seria fraca para os níveis de radiação dos celulares. Os efeitos mais graves foram causados a ratos expostos a radiação muito mais elevada a de celulares.
Renan
Quem procura evidências de que está certo sempre vai encontrar. O ideal é procurar evidências de que está errado. Leva menos tempo pra atualizar ideias equivocadas.
CtbaBr©
Na verdade eu não considerei nada, apenas citei que "Eu achei os resultados bastante preocupantes". Apesar da conclusão ser que "a evidência é fraca!"
Guilherme Andrade
Sim, estudo.
Guilherme Andrade
Você esqueceu de considerar o nível elevado de radiação a qual eles foram expostos, o tempo de exposição e o fato de não apresentar uma correlação consistente entre as doenças e os testes. Tudo isso fica evidente no decorrer do texto.
Felipe Silva
Queria ver fazerem um estudo deixando ratos perto das ERB que tem uma potencia muito mais alta, e comparar com ratos em um ambiente protegido de toda radiação eletromagnética artificial.
Vitor Gyn
Desculpa, mas sua mãe é neurótica... kkk
Ítalo Menezes
se minha mãe lesse essa notícia ela diria "esses estudos são todos manipulados por grandes corporações que não querem ter prejuízo"
Vinicius Wagner
Benéfico acredito que não seja....mas também acho que os malefícios não são significativos.
CtbaBr©
Bem... "ratos e camundongos expostos à radiação desenvolveram mais tumores no cérebro, próstata, fígado, pâncreas, glândula pituitária e glândula adrenal."... Isso é preocupante!
S Y N T H W A V E + L O V E R
''Estudo''.
Cássio Amaral
Agora falta um estudo mais abrangente mostrando que aparelhos celulares não causam interferência nos equipamentos de comunicação de aeronaves...
ditom
Os resultados são bastante consistentes com sua preocupação. Ou não.
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