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Tudo sobre a Vero, a rede social do momento

O serviço promete "conexões reais" e zero publicidade na plataforma. Mas é o suficiente para encarar o Facebook?

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1 ano e meio atrás

Who is on Vero? Let’s connect! Foi com essa mensagem no Twitter que eu soube da existência da Vero. Mas oportunidades não faltariam: convites para ingressar nesse serviço logo começaram a pipocar no Facebook e Instagram. É exatamente isso que você está pensando: estamos diante de uma nova rede social.

A Vero foi criada para que os usuários possam compartilhar fotos, curtir publicações de outros participantes, usar chat, recomendar músicas e por aí vai. Em termos funcionais, não há nada realmente novo em relação ao Facebook ou mesmo ao Instagram.

Como, então, a Vero se tornou a rede social do momento? Não se sabe ao certo, mas o serviço tem apelos que realmente funcionam: promessa de conexões reais com seus contatos, nenhuma publicidade e acesso gratuito ao serviço para o primeiro milhão de usuários. Vale a pena?

Uma rede social livre de anúncios publicitários

Mágica que é, a palavra “grátis” (ou equivalente) aguça os sentidos de qualquer pessoa. No caso da Vero, fazer parte do primeiro milhão de usuários talvez transmita uma sensação de privilégio, de exclusividade. Mas, peraí: para os demais usuários, o serviço será pago? Será. Pelo menos essa é a promessa.

Já é motivo suficiente para desistir da ideia, afinal, quem pagaria para usar uma rede social? Pois bem, o que os idealizadores da Vero propõem é uma plataforma focada inteiramente na experiência do usuário e, assim, livre de publicidade, bem como de algoritmos que manipulam a exibição de conteúdo ou influenciam no comportamento do participante.

Em outras palavras, A Vero promete uma plataforma em que o usuário não é o produto. Em troca, será necessário pagar. O valor da assinatura ainda não foi definido, mas o manifesto fala em uma “pequena taxa anual”. A empresa também espera ser remunerada com comissões sobre a venda de produtos divulgados na plataforma (como álbuns de música e livros).

Sim, rola até um manifesto

Ao entrar no site da Vero, não é difícil encontrar um manifesto que critica as redes sociais mais conhecidas. O documento diz que elas até começaram com a promessa de permitir comunicação constante entre usuários, mas, com o tempo, passaram a priorizar os próprios interesses.

Ainda de acordo com o manifesto, o truque delas está em alimentar uma falsa sensação de conexão, que inclui a abordagem que considera todos os contatos como amigos ou seguidores quando, na verdade, a maior parte das conexões entre usuários é rasa.

“Criamos uma rede social que permite que você seja você mesmo”. Essa é a explicação da Vero para a sua proposta de negócio baseada em assinatura. Por não haver publicidade, o foco fica inteiramente nas funcionalidades para o usuário. “Você vê aquilo que foi compartilhado com você, quando foi compartilhado com você”.

Vero para iOS

No manifesto, a Vero promete ainda proteger as informações do usuário e só coletar dados que são necessários para garantir uma boa experiência na plataforma e a segurança da conta.

Por exemplo, o cadastro do número de celular é requisitado para autenticação (é mais difícil falsificar telefones do que emails, diza a empresa) e para que contatos que tenham você na agenda possam saber da sua chegada na Vero e, com isso, solicitar conexão. No entanto, o número não é divulgado publicamente, tampouco repassado a terceiros.

Como o serviço da Vero funciona?

O cadastro é fácil. Baixe o app da Vero (disponível para Android e iOS) e preencha um formulário com nome, email e número de celular. Um SMS é enviado com um código de ativação. Aí é só começar a usar.

Você também será convidado a colocar uma foto e uma breve descrição (bio), embora eu tenha sido forçado a tentar inserir essas informações três vezes. O envio do código de ativação por SMS, aliás, também não funcionou de primeira. Na verdade, a própria Vero avisa em seu site sobre instabilidades na plataforma por conta do grande volume de acessos.

Vero para Android

Estava instável mesmo, pelo menos durante os testes para este post. Lembrei até do finado orkut nos seus primeiros meses de vida. Mas, quando a rede social resolve funcionar, você percebe que é fácil utilizá-la, ainda que a interface seja um pouco confusa.

Logo de cara você é estimulado a postar algum conteúdo: foto, link, lugar (checkin ou uma cidade que você deseja conhecer, por exemplo), enfim. Depois você deve compartilhar esse conteúdo com seus contatos ou parte deles. Há três categorias de contatos: amigos íntimos, amigos ou conhecidos. Há ainda um quarto grupo, o de seguidores. Escolha e publique. Os contatos que visualizarem aquele conteúdo podem então comentar ou dar like.

Na barra superior, há ícones para o dashboard (onde você tem acesso a configurações e informações da sua conta), notificações, chat e collections (agrupam os conteúdos compartilhados). Tocando no ícone da lupa, você vai se deparar com conteúdo divulgado pela Vero.

Vero para Android

Tocando no logotipo da rede social, você acessa a sua timeline. Obviamente, ali você encontra a sua e as atividades dos contatos, em ordem de publicação, sem boost ou algo do tipo. O conteúdo é organizado em um formato que lembra muito o Instagram. Não dá nem para fazer “textão”: se você quiser escrever algo, vai ter que escolher algum dos formatos de conteúdo disponíveis e então colocar algo na descrição.

É tudo realmente bem simples e de fácil compreensão. Mas, de novo, a interface pode parecer confusa no início.

Ah, pelo menos por enquanto, não há versão web.

Há espaço para mais uma rede social?

Fundada em 2015 (ou seja, a companhia não é tão nova assim), a Vero tem entre seus fundadores alguns nomes bastante peculiares, com destaque para o bilionário Ayman Hariri, filho do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri.

A família de Hariri tem um histórico de polêmicas envolvendo corrupção, mas isso não vem ao caso, não agora. No que diz respeito à Vero unicamente, os perfis dos fundadores sugerem que o serviço não terá dificuldades financeiras para manter e expandir as suas operações.

Mas isso não é suficiente. O serviço parece ter sido bem planejado (a despeito da instabilidade), tem uma proposta interessante e busca acertar onde as outras redes sociais erram. O problema é que redes dispostas a fazer frente ao Facebook e congêneres surgiram antes e, bom, caíram no ostracismo. Diaspora e Ello são bons exemplos.

Os fundadores da Vero; Ayman Hariri também ocupa o cargo de CEO

Os fundadores da Vero; Ayman Hariri também ocupa o cargo de CEO

A razão é simples: você pode até gostar da nova rede social, mas se um número realmente grande de contatos não for para lá, o Facebook continuará mantendo a sua hegemonia. É mais ou menos o que acontece entre WhatsApp e Telegram, por exemplo.

Outro fator que pesa nessa conta é a inteligência do Facebook: o serviço foi moldado de forma a fazer o usuário ficar o maior tempo possível dentro da rede social. Muita gente não percebe, mas passa o dia dando olhadinhas no Facebook. Parece coisa inocente, mas, sem essas olhadinhas, a pessoa pode ter sensação de distanciamento ou de estar perdendo alguma coisa. É por essa razão que é difícil praticar o desapego com o Facebook e outras redes.

É uma abordagem sujeita a diversos questionamentos éticos e morais, mas que funciona para o Facebook, é o que faz o serviço ser tão grande em número de usuários. Se uma rede social mais nova não conseguir criar um senso de dependência tão forte quanto, vai ser difícil derrubar Mark Zuckerberg e companhia.

Boa sorte para a Vero.