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O que é microLED, a próxima grande tecnologia de telas

Veja os benefícios de uma TV que tem display microLED (ou mLED) e quais as diferenças para o OLED e LCD

Jean Prado Por
TB Responde

A tecnologia microLED (também chamada de mLED) está em evidência ultimamente: na CES 2018, a Samsung anunciou uma das primeiras TVs com painel microLED, enquanto rumores indicam que a Apple aumentou o investimento na tecnologia e pretende usá-las no iPhone em algum momento.

Mas o que é exatamente essa tecnologia? Não, não é só um nome comercial: é uma evolução do OLED, que combina o melhor das telas OLED e LCD, que são usadas nos smartphones hoje. Entenda por que ela é tão promissora:

Como o microLED funciona

Antes de seguir para o microLED, é preciso entender que um display LED tem esse nome porque é sigla em inglês para diodos emissores de luz. No OLED, o O se refere a uma camada de semicondutores orgânicos que fazem cada pixel emitir sua própria luz nas cores primárias (vermelho, verde e azul), que normalmente é mais vívida que as telas LCD comuns. Além disso, os pretos são representados simplesmente por um pixel apagado, o que o torna bem preciso.

É uma boa característica, tanto que está presente nas telas comerciais mais bonitas e com alta precisão de cor. O problema é que esses componentes orgânicos precisam ser acompanhados de uma camada polarizadora e outra camada de encapsulamento. Você não precisa entender o que elas fazem, só precisa entender que, quanto maior o número de camadas, mais grosso é o painel e menos flexível é o seu uso.

No microLED, essas camadas, junto com os semicondutores orgânicos, são descartadas. No lugar, o painel retoma a camada inorgânica de nitreto de gálio (GaN) que é usada nos displays LED, mas, usa LEDs extremamente pequenos, de 100 micrômetros (µm) ou menos, do tamanho de um fio de cabelo e menores que um grão de areia.

Quais os benefícios de um painel microLED?

Com o uso de uma camada inorgânica e LEDs menores, os displays microLED, em comparação com o OLED, podem ser mais brilhantes e têm uma vida útil maior e são bem menos suscetíveis a burn-in ou perda de luminosidade com o tempo, o que costuma acontecer nos displays OLED com o envelhecimento do painel pelo desgaste do material orgânico. Como o microLED usa material inorgânico, fica na vantagem.

Além disso, com painéis menores, a qualidade da imagem e o tempo de resposta também são menores. Em comparação com os displays LCD, os benefícios do OLED, como a eficiência energética e o excelente contraste, continuam presentes.

Outra vantagem da tecnologia microLED é que ela elimina a limitação do OLED de tamanhos ou formatos de tela. Como os LEDs são bem pequenos, fica mais fácil de implementá-los em displays flexíveis ou transparentes.

Tá, mas por que o microLED ainda é pouco usado?

Se o microLED é tão bom, por que ainda não está em todo lugar? Como toda tecnologia nova, ainda é muito caro produzir um painel microLED — na CES 2018, a Samsung disse que a The Wall será vendida por "um preço consistente com as tecnologias modernas", ou seja, você precisará vender sua casa para comprar uma dessas.

O que mais encarece o processo a tecnologia é a dificuldade de fabricação, que deve ser minuciosa. Os milhões de LEDs devem ser cuidadosamente unidos e soldados no painel, mas devido ao tamanho microscópico de cada LED esse processo é bem complexo.

No começo, os displays microLED podem aparecer em smartwatches ou em telas menores, para depois serem escalados para smartphones — um processo que pode demorar de três a cinco anos para a Apple. De qualquer forma, a tecnologia é bem promissora e parece ser a próxima evolução para os displays.

Com informações: LEDinside, Android Authority e Wired. Imagens: LEDinside.

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AlvoErrado2
O grande problema é que as telas atuais são apenas um monte de pequenas telas coladas juntas, se chegar muito perto ( 2 metros ou menos) dá para perceber claramente as bordas.
Macgyver Freitas
Esse padrão vermelho, amarelo e azul que agente aprende na escola funciona muito bem pra pintura, porem numa tela as cores não são reais, são só três cores e o que muda é a intensidade de cada subpixel, e com resolução o bastante se tem a ilusão de varias cores. Nossos olhos tem 3 tipos de células (os cones) para enxergar cores, pra vermelho, verde e azul, então para enganar nossos olhos nada melhor do que cada pixel exibir uma das cores que agente enxerga
angelobio
Em combinações aditivas de cores, usa-se verde (cor secundária) e não amarelo.
angelobio
As cores primárias são: vermelho, AMARELO e azul. Verde é cor secundária, resultado da mistura entre amarelo e azul.
Trovalds
Não tem preço porque a tecnologia ainda não pode ser comercializada (referindo-me a que eu postei aí em cima). Pelo que entendi a tecnologia ainda é relativamente instável. Leia-se: pode pegar fogo do nada.
Krosna Terrestre
Ou seja, tela de MLED só no Note 12...
Arthur Doyle
solo nuno compre un buen teléfono inteligente - http://www.chinaprice.es/ph...
Gabriel P B
faltou a questão do preço ai, provavelmente muitas baterias já suprem isso tudo, mas são inviáveis pelo preço de produção.
Rmavalli
Meu Moto G4+ se fico 1min numa conversa do WhatsApp com o brilho acima de 1/3 já começa a marcar a tela, e pra sumir leva uns 3 ou 4 minutos.No caso das OLED o Burn-in que vocês se referem é permanente ou seria só essa retenção temporária igual no meu LCD?
Veritas
Ótimo artigo! Parabéns.E não duvidem da Apple: a empresa tem grana suficiente e um setor de P&D que faz milagres.Ela dá mancadas, claro que dá... como qualquer empresa. Mas ninguém pode dizer que ela não acerta... e muuuuuuuuuuitas vezes.
Macgyver Freitas
Minha única dúvida era sobre o tempo de resposta, bom saber q é ainda melhor q na OLED. Acho q o mLED é mesmo superior em todos os aspectos, só vão faltar o preço, se chegar custando o preço das OLED atuais já tá ok, e quando ficar uns 3,5k fica dentro do q posso pagar, acho q ainda leva uns 5 anos pra isso
Macgyver Freitas
Tem o lance da deterioração do pixel azul, ai pagar caro pela melhor imagem e ela ficar a amarelada com o tempo é zoado
Trovalds
Projeto tem vários. Mas todos esbarraram no seguinte (um ou vários):- Longevidade;- Tamanho;- Retenção;- Segurança.A tecnologia tem que ser perfeita nesses 4 quesitos pra poder seguir adiante.A mais promissora seria o Lítio metálico, mas: http://www.technologyreview...
Renata Porfirio
Ambas em determinadas condições (quase extremas) apresentam burn-in, esse defeito é iminente em telas OLED, mas com um uso comum, você iria estragar o celular antes de aparecer um burn-in.Teve um teste recentemente que mediu o tempo que as telas do iPhone X e Galaxy S8 levam para apresentar esse defeito, não me lembro o resultado, mas ambos demoraram um longo tempo para apresentar o problema, no geral, poucas pessoas sofrem com esse problema, mas eles podem sim acontecer, não existe tela OLED no mercado imune a esse problema!
Glauco
Quais são os problemas das telas do S8 e do Pixel? Estou por fora ...
Glauco
O problema é que essas TVs de hoje em dia raramente duram tanto tempo, sempre da problema em algum componente da placa mãe e o conserto é quase o preço de uma nova, então a chance de vc usar uma TV OLED até aparecer problema na tela é mínima.
Bacon
Rápido? Uma OLED deve ter vida útil de uns 10 anos. Ninguém vai ficar com uma TV por tanto tempo hoje em dia.Provavelmente algum chip ou mobo vai estragar antes do painel se deteriorar.OLED já começaram a baratear e os novos paineis da LG só apresentam retenção temporaria de imageim, quase nunca dão burn-in de verdade. Ainda possuem auto healing programável, pra apagar as retenções.Único problema atual das OLED é o brilho, que atualmente ta na casa dos 1000nits com painel wRGB.
Bacon
Tecnicamente não existe burn-in nas OLED atuais. Existe retenção temporária.Os novos paineis da LG possuem auto healing nesse sentido. A imagem fica retida por cerca de 1 minuto e depois some. Raramente alguém vai perceber isso. Ao meu ver OLED só tem problema com energia ( que não é tao alto assim ) e o brilho que é baixo.
Felipe Insfran
Obrigado, Tecnoblog! Até que enfim um artigo que explicasse o que é o tal microLED e não apenas falasse que a Apple estava investindo bilhões na tecnologia.
Alexandre Salau
Rápido quanto? Se não me engano, a deterioração do componente azul (que é o problemático) começa a ser perceptível depois de umas 20 mil horas de uso. Isso daria uns 2 anos e meio com o painel ligado 24 horas por dia mostrando um branco 100% de brilho.
Fernando Marcante
Acabando com o burn-in por mim é perfeito.
CtbaBr©
E enfim teremos telas de LED de fato, Por enquanto o preço ainda é inviável, mas o OLED também sempre me pareceu uma "gambiarra difícil", com o tempo acredito que essa dificuldade em produzir as telas de microLED sejam superadas e o preço caia!
Leandro Nascimento
E desenvolver baterias melhores, nada né...
Yago Oliveira
O jeito vai ser obter uma TV OLED mesmo. As com essa tela aí vão demorar para eu conseguir comprar.