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Facebook contrata especialista do Google para criar chips próprios

Shahriar Rabii é um engenheiro que ajudou o Google a desenvolver vários chips e, agora, vai fazer o mesmo no Facebook

O Facebook vai desenvolver chips próprios, cedo ou tarde. Pelo menos é o que sugere o movimento mais recente: neste mês, a companhia contratou Shahriar Rabii para ser vice-presidente da sua divisão de semicondutores. Estamos falando do engenheiro que liderou o desenvolvimento de chips dentro do Google, incluindo o Visual Core, projetado para lidar com processamento de imagens na linha Pixel 2.

É compreensível que gigantes como Apple, Google e Samsung trabalhem em chips próprios para diferenciar seus dispositivos ou diminuir a dependência de companhias como Qualcomm e Intel. Mas o interesse do Facebook causa estranheza: em que, exatamente, a companhia quer empregar um chip próprio?

Provavelmente, o objetivo não é desenvolver um chip, mas vários, cada um para uma finalidade específica. Começa com o processamento de informações dentro de casa. O Facebook tem mais de 2 bilhões de usuários e, portanto, gera quantidades monstruosas de dados todos os dias. Chips próprios podem tornar os datacenters da companhia mais otimizados no processamento dessas informações.

Pode parecer um plano utópico, mas, atualmente, o Facebook utiliza estruturas de processamento baseadas em chips de terceiros, incluindo GPUs da Nvidia. Com tecnologia própria, a companhia pode desenvolver hardware para tarefas muito específicas, como treinar algoritmos de inteligência artificial. O Google já faz algo parecido com o Tensor Processing Unit (TPU), circuito criado especificamente para aprendizagem de máquina.

Mas o Facebook também vem trabalhando com hardware para consumo, vale lembrar. Divisões como Building 8 estão desenvolvendo dispositivos para um futuro relativamente próximo. Um alto-falante inteligente estaria entre eles.

Por sua vez, a divisão Oculus já disponibiliza equipamentos para realidade virtual. É aqui que encontramos um exemplo de dispositivo que pode se beneficiar de um chip próprio do Facebook: o Oculus Go, headset sem fio baseado no processador Snapdragon 821, da Qualcomm.

Oculus Go

Note que o Oculus Go usa um chip pensado originalmente para smartphones. É possível que versões futuras do headset tenham mais desempenho ou consumo otimizado de energia, por exemplo, se tiverem um processador desenvolvido especificamente para realidade virtual.

Como o Facebook não fala sobre o assunto, não há informações sobre quais projetos Shahriar Rabii liderará inicialmente. Mas, como a companhia está atrás de rivais como Amazon, Google e Apple no segmento de dispositivos inteligentes, é de se presumir que o engenheiro trate essa área com mais prioridade.

O Google não comentou a saída de Shahriar Rabii.

Com informações: Bloomberg.