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CEO do Google defende retorno à China após críticas de funcionários

Em reunião com funcionários, Sundar Pichai disse que o retorno do Google ainda está nos "estágios iniciais"

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43 semanas atrás

O Google está sendo obrigado a lidar com uma insatisfação interna por conta do possível retorno da empresa à China. Nesta quinta-feira (16), em uma reunião com funcionários, o CEO Sundar Pichai disse que os planos de voltar ao gigante asiático ainda estão nos “estágios iniciais”.

“Não estamos perto de lançar um buscador na China”, disse o executivo, segundo a Bloomberg. “E se faríamos ou poderíamos fazer isso, é muito pouco claro”. O cofundador Sergey Brin acompanhou Pichai e disse que o Google não está ferindo seus princípios.

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A demanda dos funcionários por mais explicações envolve o projeto batizado de Dragonfly. Revelado no início de agosto pelo The Intercept, ele censuraria os resultados de busca que não estiverem de acordo com as políticas do governo chinês.

“Nossa missão é organizar a informação do mundo”, lembrou Pichai. “A China tem um quinto da população mundial. Acho que se fôssemos fazer bem a nossa missão, temos que pensar seriamente sobre como fazer mais na China”.

Ele continuou: “eu realmente acredito que temos um impacto positivo quando nos envolvemos em todo o mundo e não vejo nenhuma razão para que isso seja diferente na China”.

Nem todos concordam com esses planos, no entanto. Assim como o que aconteceu com o projeto do Google com o Pentágono, os funcionários se posicionaram com uma petição. O texto foi assinado por cerca de 1.400 pessoas e pede supervisão sobre o projeto relacionado à China.

Gizmodo obteve a carta na íntegra e destaca a preocupação dos funcionários com “questões morais e éticas urgentes”. Eles também criticaram o fato de o assunto ter sido discutido em segredo e só vir à tona por conta da empresa.

“Nós precisamos urgentemente de mais transparência, um lugar à mesa e um compromisso de esclarecer e abrir processos: precisamos saber o que estamos construindo”. Os signatários afirmaram ainda que não possuem o necessário para “tomar decisões eticamente informadas sobre nosso trabalho, nossos projetos e nosso emprego”.

Eles chegaram a lembrar da posição de Sergey Brin em 2010, quando a empresa deixou de atuar na China. Na ocasião, ele disse que “em alguns aspectos da política do governo, particularmente no que diz respeito à censura, no que diz respeito à vigilância de dissidentes, vejo alguns sinais de totalitarismo”.

A petição demanda um modelo de revisão ética que permita a participação dos funcionários de base. Além disso, há o pedido de indicação de uma espécie de ombudsman, que poderia contribuir de forma independente em casos parecidos.

Os funcionários também defendem um plano de transparência que os permita tomar decisões éticas sobre seus trabalhos. Por fim, e talvez mais importante, que novos casos de grande preocupação sejam comunicados internamente.

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