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Moto E5 Play: a vez do Android Go na Motorola

Moto E5 Play é o primeiro Android Go da Motorola no Brasil, mas preço oficial de R$ 799 pode prejudicar proposta do modelo

Por
06/09/2018 às 17h18
8

Prós

  • A autonomia da bateria até que convence
  • Acabamento externo proporciona boa pegada

Contras

  • Merecia uma tela melhor
  • Câmeras boas, mas inconsistentes às vezes
Moto E5 Play

O Moto E5 Play é o primeiro smartphone da Motorola lançado no Brasil com base no Android Go — essencialmente, uma versão do sistema operacional que possui recursos otimizados para smartphones com hardware bem básico. É o caso aqui: o aparelho mostrado neste review tem chip Snapdragon 425 e apenas 1 GB de RAM.

A intenção do Google com o Android Go é louvável: oferecer uma experiência minimamente decente de uso da plataforma em celulares com especificações fraquinhas e, portanto, mais baratos. Ou relativamente baratos, pois o preço oficial do Moto E5 Play é de R$ 799.

Será que esse valor é justo? O Moto E5 Play consegue mesmo oferecer uma boa experiência por conta do Android Go? Como é a duração da bateria e o desempenho no cotidiano? Para encontrar essas respostas, eu usei o aparelho por alguns dias. Relato as minhas percepções nas próximas linhas.

Em vídeo

Design

É interessante como o Moto E5 Play encaixa bem nas mãos. Não tanto pela traseira que, apesar de ter uma superfície fosca, é um bocado escorregadia. É mais por conta da ligeira curvatura perto das laterais, que facilita a pegada. A leveza também ajuda: são só 145 gramas.

Moto E5 Play

A tampa é de um plástico fininho, mas não chega a transmitir sensação de fragilidade. E ela tem uma característica cada vez mais rara: é removível. Você precisa desencaixá-la para inserir o microSD e os dois SIM cards (no padrão nano-SIM). Se, por algum motivo, você precisar remover a bateria, também é possível fazê-lo.

Moto E5 Play

Dá para perceber de longe que este é um aparelho da Motorola por causa do círculo que abriga a câmera na traseira — já é uma marca registrada da linha Moto. E, sim, ela é elevada em relação à tampa, mas muito discretamente. A mais simples das capinhas já é capaz de nivelar a altura e, assim, evitar que o círculo seja arranhado no contato com uma superfície.

Yep, tem conexão para fones de ouvido no Moto E5 Play

Yep, tem conexão para fones de ouvido no Moto E5 Play

Já o leitor de impressões digitais fica em situação oposta à da câmera: o círculo do sensor tem profundidade, mais do que a média. A vantagem disso é que você consegue localizar o leitor rapidamente. O componente funciona bem, desbloqueando o celular rapidamente.

Eu só não gostei da porta micro-USB. Tecnicamente, não há nada de errado com ela. Porém, como a indústria está padronizando os smartphones com porta USB-C, seria interessante que essa tendência fosse seguida aqui. Entendo, porém, que o uso de micro-USB ajuda a reduzir custos.

 Moto E5 Play

Tela

Temos aqui um painel IPS LCD de 5,3 polegadas e proporção 18:9, mas já vou adiantando: provavelmente, a tela é o ponto mais negativo do E5 Play. É verdade que este é um smartphone de entrada, mesmo assim, ele merecia uma tela melhorzinha.

O painel até que exibe cores com saturação decente, mas para por aí. Os problemas começam com a resolução: temos 960×480 pixels em uma tela que, como você já sabe, tem 5,3 polegadas. Você pode não perceber os pixels facilmente aqui, mas é notável que a baixa resolução faz as informações visuais perderem detalhes, ainda que discretamente.

Moto E5 Play

Além disso, a visualização sob ângulos variados é ruim. Basta mover um pouquinho o smartphone da sua frente para você não conseguir perceber detalhes por conta da perda de tonalidades. O brilho máximo também não é dos mais fortes: enxergar as informações da tela na rua em um dia claro é um desafio.

Pelo menos essa é uma tela que não gasta muita energia, característica importante para um celular que tem bateria de 2.100 mAh. Mas falaremos desse componente mais para frente.

Câmeras

Não dá para esperar câmeras incríveis em um smartphone com proposta econômica, mas, dentro da sua categoria, até que o Moto E5 Play se sai bem.

Moto E5 Play

A câmera traseira tem um sensor único de 8 megapixels, foco automático e abertura f/2,0. O conjunto gera fotos com coloração decente e baixo nível de ruídos em condições de boa iluminação, como deve ser. Em contrapartida, dá para perceber uma ligeira perda de definição em certos pontos e algumas aberrações cromáticas. Nada muito grave, porém.

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Se você achar que determinada foto está sem vivacidade ou precisa de mais detalhamento, pode recorrer ao HDR — ele vem configurado como automático no app de câmera, mas você pode ativá-lo permanentemente ou desativá-lo. O modo funciona bem, mas não é perfeito. Nas fotos em ambiente aberto, por exemplo, ele pode clarear certos pontos, mas escurecer outros na tentativa de compensar a claridade. Note, no comparativo abaixo, como o céu fica meio “poluído” no HDR:

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Com HDR

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Com HDR

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Com HDR

Vá para um ambiente escuro ou fechado e você verá a situação ficar ruim. Nessas condições, as fotos perdem mais definição do que deveriam. Além disso, você precisa segurar o smartphone com firmeza para fazer as fotos, pois é fácil elas saírem tremidas por conta da demora do disparo.

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Com HDR

Foto registrada com o Moto E5 Play
Foto registrada com o Moto E5 Play

Com HDR

Na frente, a câmera traz um sensor de 5 megapixels e abertura f/2,2. Tal como na traseira, o conjunto é decente se considerarmos a categoria do smartphone. Há alguma perda de detalhamento no pós-processamento, mas, de modo geral, as selfies agradam.

Você só precisa tomar cuidado porque, ocasionalmente, a foto pode sair bastante estourada. Mas basta tentar de novo e fica tudo certo, o que me fez desconfiar de um bug no ajuste automático que, como tal, pode ser corrigido em futuras atualizações de software.

Selfie registrada com o Moto E5 Play

Fail!

Selfie feita com o Moto E5 Play

Bem “menos pior”

Um detalhe que merece menção: apesar de os sensores serem simples, o aplicativo de câmera tem um modo manual que permite que você ajuste ISO ou balanço de branco, por exemplo. A contradição aqui é que, por conta das limitações da tela, você pode ter dificuldades para avaliar se os ajustes manuais geram os efeitos esperados na imagem.

Software

O Android Go não é uma versão “light” do sistema operacional. O que torna a plataforma otimizada para smartphones de entrada é, basicamente, a adoção de funcionalidades e aplicativos leves que, como tal, ocupam pouco espaço de armazenamento e não exigem muito processamento. Mas o sistema operacional em si — no caso do E5 Play, o Android 8.1 Oreo — não passa por nenhuma grande transformação.

Moto E5 Play

Os apps Go são bem leves mesmo e, dependendo do que fazem, também ajudam a poupar dados. O YouTube Go, por exemplo, indica a quantidade de dados que vai ser gasta se você visualizar vídeos com qualidade baixa, padrão ou alta. E você ainda tem a opção de baixar conteúdo para vê-lo offline.

Faz sentido que essas funcionalidades existam porque muitos usuários que compõem o público-alvo do Android Go só acessam a internet por meio de conexões móveis com pacotes bastante limitados. As informações mostradas pelo YouTube Go ajudam a evitar que um vídeo estoure a franquia de dados.

YouTube Go, Maps Go e o ótimo Files Go

YouTube Go, Maps Go e o ótimo Files Go

Por serem leves, os aplicativos Go priorizam funcionalidades essenciais. O Files Go é um gerenciador de arquivos ágil e fácil de usar. O mais leve é o Maps Go, pelo simples fato de ele ser, na verdade, um atalho para a versão web do Google Maps. Já o Gmail Go é notável por ter praticamente os mesmos recursos da versão normal do aplicativo.

Desempenho e bateria

Processador quad-core Snapdragon 425 de 1,4 GHz, GPU Adreno 308, 1 GB de RAM e 16 GB de espaço interno para dados expansíveis com microSD de até 256 GB. Essa é a configuração básica do Moto E5 Play. Ela dá conta do recado? Depende.

O Google criou o Android Go justamente para oferecer um pacote de aplicativos leves o suficiente para rodar em smartphones básicos. Os aplicativos Go realmente se comportam bem. Não travam, não fecham sozinhos e não demoram para abrir, ainda que você possa notar uma travadinha aqui, outra ali.

Você pode instalar qualquer outro aplicativo no E5 Play, não há restrição quanto a isso. Porém, “sofrências” não serão raras entre aqueles que não são otimizados. A experiência com o jogo Unkilled, por exemplo, foi bem ruim, como esperado: a taxa de frames por segundo cai bastante, mesmo com gráficos mínimos.

Desempenho no AnTuTu 7.1.0, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.2.3

Desempenho no AnTuTu 7.1.0, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.2.3

A lógica aqui, óbvia a essa altura, é a de priorizar aplicativos leves. É por esse motivo que, quando aberto, o Google Play exibe em destaque apps como Facebook Lite, Twitter Lite, Telegram e Opera Mini. Todos são levinhos, tanto no processamento quanto no espaço para armazenamento, consequentemente, rodam com alguma desenvoltura no E5 Play.

Temos uma bateria de 2.100 mAh aqui. Essa capacidade soa como uma afronta até para um smartphone basicão. Apesar disso, ela até que apresentou uma autonomia de respeito, provavelmente porque a tela não é gastona e os apps, leves que são, não exigem muito processamento.

No dia de testes, executei três horas de vídeo com brilho máximo na tela, usei Instagram, Facebook Lite e Chrome por cerca de uma hora e meia, executei música via Spotify por uma hora, joguei (ou tentei jogar) Unkilled por 15 minutos e fiz uma chamada de 10 minutos. Comecei pela manhã e fui fazendo os testes ao longo do dia. Por volta das 22:00, a bateria estava com 55% de carga. Bom, né?

Um detalhe que quase passa despercebido é que o Moto E5 Play suporta recarga rápida. Mas o carregador que acompanha o aparelho é comum. Com ele, o tempo de recarga de 18% para 100% foi de 1h40min, aproximadamente.

Alto-falante logo acima da tela

Alto-falante logo acima da tela

Eis uma característica não muito comum: o aparelho tem apenas um alto-falante, que serve tanto para escutar ligações quanto como saída de áudio convencional. O volume máximo é alto e não distorce com facilidade, mas, como você deve saber, a experiência é sempre mais rica com fones de ouvido.

Conclusão

Existe uma enormidade de pessoas que, por razões socioeconômicas, só têm acesso a smartphones antigos ou com especificações de entrada. O Android Go foi criado justamente para melhorar a experiência na plataforma pelos usuários que dependem desses dispositivos.

É por isso que um aparelho como o Moto E5 Play faz sentido. Ele oferece um conjunto básico de recursos, mas suficiente para atender aos grupos que não podem pagar por um celular mais avançado.

Do ponto de vista de um usuário mais familiarizado com a tecnologia, um smartphone Android com apenas um 1 GB de RAM e uma tela tão limitada causa arrepios hoje em dia. Mas, para quem tem um orçamento mais restritivo ou só precisa do smartphone para tarefas bem básicas, o Moto E5 Play pode ser uma boa pedida: essa pessoa não vai ficar tecnologicamente desamparada, digamos assim.

Moto E5 Play

O problema é que o Android Go também pede boa relação custo-benefício, mas esse detalhe foi “esquecido” aqui: relembrando, o preço oficial do Moto E5 Play é de R$ 799. É um valor mais baixo do que o da maioria dos smartphones lançados no Brasil em 2018, mas elevado para as especificações do modelo.

Por conta disso, é inevitável não recomendar um aparelho de geração anterior, mesmo que isso implique em desembolsar alguns reais a mais. Smartphones como Galaxy J5 Pro e Moto G5, só para dar alguns exemplos, já podem ser encontrados na faixa dos R$ 800 ou até menos.

São modelos de 2017, mas que acabam sendo mais interessantes que o E5 Play nas especificações. E se você faz questão de usar aplicativos Go, sem problemas. Parte deles está disponível no Google Play para praticamente qualquer aparelho:

Antes de encerrarmos, uma observação importante: nos Estados Unidos, existe um Moto E5 Play com mais memória RAM (2 GB), tela HD de 5,2 polegadas e bateria de 2.800 mAh, mas sem Android Go. A Motorola poderia ter adotado denominações diferentes para evitar confusão? Poderia.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 2.100 mAh;
  • Câmera: 8 megapixels (traseira), 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, GLONASS, Bluetooth 4.2 LE, micro-USB, rádio FM;
  • Dimensões: 147,9 x 71,2 x 9,2 mm;
  • GPU: Mali-T720 MP2;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 256 GB;
  • Memória interna: 16 GB (12 GB livres);
  • Memória RAM: 1 GB;
  • Peso: 145 gramas;
  • Plataforma: Android 8.1 Oreo;
  • Processador: quad-core Snapdragon 425 de 1,4 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, luminosidade, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD 5,3 de polegadas com resolução de 960×480 pixels (201 PPI).

Notas Individuais

Design
8
Tela
7
Software
9
Câmera
7
Desempenho
8
Bateria
9
Conectividade
8