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MP investiga empresa brasileira que rastreia 60 milhões de celulares

Startup brasileira In Loco rastreia localização de smartphones para exibir anúncios direcionados; Ministério Público suspeita de violação de privacidade

Emerson Alecrim Por

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) anunciou, nesta semana, a instauração de um inquérito civil público para investigar a In Loco Tecnologia da Informação (PDF): o órgão quer descobrir se a startup comete abuso ao utilizar a sua tecnologia para rastrear celulares no Brasil e direcionar anúncios publicitários.

Com sede em Recife, a In Loco afirma ter a "tecnologia de localização indoor mais precisa do mercado global". Esse sistema é usado para exibir anúncios de estabelecimentos físicos ou online em dispositivos móveis tendo como referência a geolocalização da pessoa. A precisão do sistema varia entre um e três metros.

Usando smartphone

Assim, se uma pessoa estiver passando em frente a uma loja específica de um shopping, por exemplo, o celular pode exibir notificações push com uma oferta disponível ali ou um anúncio relacionado nos aplicativos integrados ao sistema.

Além de anúncios, a In Loco vende dados sobre comportamento de consumidores para outras empresas. Mais de 60 milhões de celulares estariam sendo rastreados atualmente.

De acordo com a empresa, a tecnologia é bastante precisa porque detecta e cruza diversas informações do estabelecimento visitado pelo usuário (como rede Wi-Fi), bem como dados dos sensores (como acelerômetro) e do GPS do dispositivo.

Para isso, é necessário que o smartphone tenha o software da In Loco instalado. Isso é feito por meio da integração desse software com mais de 500 aplicativos de parceiros. Entre esses apps estão o Buscapé e a Turma da Galinha Pintadinha, explica o MPDFT.

A empresa ressalta que dados pessoais que permitem que a pessoa seja identificada, como CPF, não são coletados pelo sistema. A In Loco também afirma que o usuário tem a opção de desativar as opções de localização do seu dispositivo, caso não queira ser rastreado.

Mas, para o MPDFT, isso pode não ser suficiente. O órgão tem como referência o Marco Civil da Internet, que determina que informações de localização ou identificadores eletrônicos também podem ser considerados dados pessoais.

Shopping

Por conta disso, o MPDFT enviou um ofício à In Loco (PDF) com 18 perguntas sobre a tecnologia e a própria empresa. Eis algumas delas:

  • De que forma são obtidas as geolocalizações dos proprietários dos smartphones?
  • Quantos smartphones são atualmente rastreados pela empresa?
  • Como são obtidos os dados dos perfis sociodemográficos: idade, gênero, profissão, classe social, comportamento offline, localização etc?
  • A empresa possui informações sobre a saúde dos titulares dos dados pessoais?

Em nota à imprensa, a In Loco informa que a notícia sobre o inquérito chegou quatro dias antes do prazo concedido pelo Ministério Público para responder ao ofício, mas que todas as questões serão esclarecidas até a data estabelecida.

"Reiteramos desde já que temos o compromisso integral com a absoluta legalidade de nossas operações e com a privacidade do usuário, que jamais acessamos dados de identificação pessoal e que nossa empresa e produtos são lícitos, idôneos e estão em acordo com a Legislação Brasileira e com o Marco Civil da Internet", diz outro trecho da nota.

Por meio de comunicado enviado ao Tecnoblog, o Buscapé informa que, ao contrário do que afirma o MPDFT, "não mantém vínculo ou parceria comercial com a In Loco há mais de dois anos".

Com informações: UOL Tecnologia.

Atualizado às 19:00

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#VAICORINTHIANS

Se não me engano nos aplicativos que eles embarcam o software deles, vem nos termos de uso que os dados seram coletados.

Vitor Hugo

KKKKKKKKKKKKK basicamente eles disseram: se a pessoa não tá feliz em ser rastreado e ter seus dados minerados pra anúncios localizados (e sei lá que outros fins), ela pode desligar o GPS do celular

Caleb Enyawbruce

Embutir o sistema em outros apps sem que o usuário saiba é muito errado.

robsonc

Pra mim o mais escuso foi enfiarem essa coleta de dados em aplicativos que não tem nada a ver e que a pessoa que instalou provavelmente nem estava pensando nisso, como esse da galinha pintadinha... acho isso muito errado. A pessoa pode dar permissão sem saber que seria usado pra isso e não para o jogo ou seja la o que for.

Caipiroto, o capeta caipira 😈

Acho meio complicado só um detalhe que eu percebi:

A In Loco também afirma que o usuário tem a opção de desativar as opções
de localização do seu dispositivo, caso não queira ser rastreado.

Me parece aqui que tentaram sair pela tangente, e que os apps que usam o serviço em si não oferecem opção de desligar o rastreamento. Se quiser desligar o serviço, desligue a localização como um todo, se quiser usar o GMaps, problema teu.

Pra mim não parece uma prática muito leal para com o usuário, e pior ainda, pela mesma declaração você só estaria desligando os dados fornecidos de localização. Redes WiFi conectadas, sensores e dados de uso continuariam sendo fornecidos indiferentemente da opção do usuário.

Henrique Dias

Se o usuário é devidamente alertado pelos aplicativos que utilizam esta tecnologia e os metadados(localização,site acessados, pesquisas nos buscadores) não são cruzados com dados específicos(Nome, endereço, cpf e etc.) não vejo problemas, pois em teoria a publicidade segmentada pode ser mais relevante para o usuário, mas não custa lembrar que estamos no Brasil, então já viu né....