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Evernote demite funcionários e levanta dúvidas quanto ao seu futuro

54 funcionários (15% do total) do Evernote foram demitidos recentemente; empresa nega problemas financeiros, mas fala em necessidade de ajustes

Emerson Alecrim Por

Não é de hoje que o Evernote tem se esforçado para manter a viabilidade do seu negócio, mas a situação parece só ter piorado nos últimos meses: recentemente, a companhia anunciou a demissão de 54 funcionários — 15% de sua força de trabalho — para conter custos. Um pouco antes do anúncio desse corte, vários executivos já tinham deixado os seus postos. Ao que tudo indica, a empresa vive uma "espiral da morte".

Pelo menos foi essa a expressão que um funcionário cuja identidade não foi revelada usou para informar o TechCrunch da saída dos executivos, duas semanas atrás. O gatilho para essa crise, de acordo com a mesma pessoa, é a dificuldade que o Evernote tem tido para aumentar a sua base de usuários pagantes.

Evernote

O Evernote tem 225 milhões de usuários registrados em todo o mundo. A quantidade de contas pagas não foi informada pela companhia, mas a fonte ouvida pelo TechCrunch afirma que essa base se manteve estável durante os seis anos, ou seja, não cresceu de maneira significativa — se é que cresceu.

Esforços para isso não faltaram. Houve até uma medida mais drástica, digamos assim: em 2016, o Evernote limitou a modalidade gratuita (Basic) a dois dispositivos por conta. Quem quiser acessar a sua conta em mais dispositivos precisa assinar o plano Premium ou Business.

Os planos pagos oferecem uma quantidade considerável de recursos. O grande problema, provavelmente, é que o Evernote não é tão atrativo frente a outras plataformas. O Google Keep, por exemplo, tem menos funcionalidades, mas oferece uma quantidade suficiente de recursos para boa parte das pessoas e, bom, se integra ao ecossistema do Google (uma barra do serviço agora aparece na nova versão web do Gmail, só para dar um exemplo).

Chris O' Neil, ex-Google que assumiu o cargo de CEO do Evernote em 2015, publicou uma nota no blog da empresa na tentativa de acalmar os ânimos. O executivo diz que o serviço vem crescendo, mas que precisa passar por ajustes porque parte de sua estratégia não vem funcionando como o esperado.

Evernote - tablet

"Essas mudanças são projetadas para criar equipes mais focadas no cliente e nos permitir entregar experiências de produtos em maior velocidade e qualidade", diz um trecho do comunicado.

Em outra nota, este enviada a funcionários, Chris O' Neil comunica as demissões e afirma que, apesar da necessidade de ajustes, o Evernote deve fechar o ano no azul. Essa é uma boa notícia. O problema é que ela não dissipa o clima de incerteza: nas entrelinhas, há o temor de o serviço não consiga aumentar ou mesmo manter a sua relevância nos próximos anos.

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