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Google desiste de concorrer por contrato de US$ 10 bilhões do Pentágono

Empresa diz que seus princípios éticos não se alinham às exigências do Departamento de Defesa

Paulo Higa Por

O Google confirmou na segunda-feira (8) que desistiu de concorrer por um contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para fornecer serviços de nuvem por US$ 10 bilhões. O motivo? As exigências do Pentágono não se alinhavam aos princípios éticos do Google com relação à inteligência artificial, disse a empresa em comunicado.

Google + cérebro

A concorrência seria feita para o Joint Enterprise Defense Infraestructure (JEDI), um projeto que consiste em combater os Sith, digo, modernizar a infraestrutura de computação do Pentágono e adequá-la a um mundo com internet das coisas, inteligência artificial e big data. O contrato define um fornecedor único e é considerado “enorme”, mesmo para os padrões do governo americano.

À Bloomberg, o Google declarou que “não poderíamos assegurar que isso se alinharia aos nossos princípios de inteligência artificial e, segundo, determinamos que havia partes do contrato que estavam fora do escopo com nossas certificações atuais do governo”. A empresa tem certificação provisória para lidar com dados do governo com segurança moderada, enquanto Amazon e Microsoft detém autorizações mais amplas.

O Google não disse quais exigências conflitam com os princípios éticos da empresa, mas publicou em junho uma série de diretrizes que seguiria na inteligência artificial. Uma delas estabelece que não é permitido desenvolver “armas ou outras tecnologias cuja principal finalidade ou implementação é causar ou diretamente facilitar ferimento às pessoas”, nem “tecnologias que coletam ou usam informações para vigilância”.

Aqui, vale lembrar que o Google sofre críticas de funcionários e de senadores dos Estados Unidos por supostamente estar desenvolvendo um motor de busca para o mercado chinês que atenderia às exigências de censura do governo local, como nota o TechCrunch. A companhia havia descontinuado seu buscador na China em 2010 devido às tentativas do governo de limitar a liberdade de expressão na internet.

Google Cloud Compute Engine

A empresa também fez críticas à decisão do governo de escolher uma única empresa para todo o projeto: “Se o contrato do JEDI estivesse aberto a vários fornecedores, teríamos enviado uma solução atraente para partes dele. O Google Cloud acredita que uma abordagem com várias nuvens é do interesse das agências governamentais, porque permite que elas escolham a nuvem certa para a carga de trabalho certa”.

Com a desistência do Google, o contrato do JEDI continuará sendo disputado pelas concorrentes. A expectativa é que ele seja obtido pela Amazon, que já é responsável pela nuvem privada da Agência Central de Inteligência (CIA), mas a Microsoft, a IBM e a Oracle também devem entrar no páreo.

Comentários

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richardsonvix

Ah tá, mas fazer parceria por debaixo dos panos com o governo da China para desenvolver o Dragonfly pode, não pode?

Tudo para entrar no mercado lucrativo da China.

Jairo ☠️

Bem observado

Trovalds

Divagando a respeito: não é ganhar dinheiro e sim o receio de algumas de suas tecnologias que eles já aplicam em seus produtos serem obrigadas a se tornarem exclusividade do pentágono. O Google não vai fazer nada totalmente novo só pra eles, apenas adaptaria o que já existe pra realidade do contrato.

Jairo ☠️

Parece que o alphabet não gosta de ganhar dinheiro , a Amazon agradece

Paçaro

Achei BEM arriscado um contrato desse com um fornecedor só. Beirando a loucura, praticamente.

Mickão

"A concorrência seria feita para o Joint Enterprise Defense Infraestructure (JEDI), um projeto que consiste em combater os Sith..."

Higa mitando na hora certa, como sempre hahahaha.

Trovalds

Concorrência: quanto menos, melhor. Sabe como é o mercado.

Douglas Souza Luz

Tecnicamente o google coleta dados pra publicidade, não pra vigilancia. Mas da pra discordar dessa afirmação tranquilamente hahaha.

Trovalds

Uma delas estabelece que não é permitido desenvolver (...) “tecnologias que coletam ou usam informações para vigilância”.

Mas o Google já não faz isso?

E, claro, como identificar um texto do Paulo Higa sem mesmo bater o olho em quem é o autor: consiste em combater os Sith. Melhor editor não há e quem discordar cobrado será.