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LG G7 ThinQ: caprichado em quase tudo

Topo de linha, LG G7 ThinQ agrada pelo alto desempenho e pela qualidade da tela, mas câmeras com "IA" e bateria não empolgam

Por
14/11/2018 às 16h32
8.6

Prós

  • Desempenho para dar e vender
  • A tela é um painel LCD de ótima qualidade
  • Acabamento bem construído

Contras

  • Eu esperava mais das câmeras
  • A autonomia da bateria é, no máximo, ok
LG G7 ThinQ

O LG G7 ThinQ foi lançado com a intrépida missão de fazer frente ao Galaxy S9, ao iPhone X e a vários outros topos de linha mundo afora. O desafio aqui é enorme, pois pelo menos desde 2016, quando o smartphone modular G5 fracassou, a LG parece estar perdida nesse segmento.

Será que o G7 representa a volta por cima? Poder de fogo o aparelho tem. As especificações incluem processador Snapdragon 845, câmera dupla na traseira com “inteligência artificial” e uma tela de 6,1 polegadas com o sempre polêmico notch. A bateria, no entanto, tem 3.000 mAh. É o suficiente?

Eu testei o LG G7 ThinQ por duas semanas. Conto tudo o que eu descobri sobre desempenho, duração da bateria, qualidade das câmeras e outras características nas próximas linhas.

Em vídeo

Design

O LG G7 tem um corpo de metal que o torna bastante robusto. Por outro lado, não traz nenhum traço estético rebuscado. Na verdade, o visual do celular é bastante sóbrio. A preocupação da LG com relação ao design está visivelmente voltada a aspectos funcionais. Isso é bom: alguns deslizes do passado foram corrigidos nesse processo.

O LG G7 ThinQ traz certificado IP68 para proteção contra água e poeira

O LG G7 ThinQ traz certificado IP68 para proteção contra água e poeira

Um deles é o botão liga / desliga, agora posicionado isoladamente na lateral direita. No LG G6, esse botão ficava integrado ao leitor de digitais, lá na traseira. Não é uma posição necessariamente ruim, mas a lateral direita é uma área muito mais conveniente.

Mas o aspecto que mais me agradou é o da pegada. Dos smartphones que eu testei em 2018, o LG G7 é, provavelmente, o que mais bem se encaixou nas minhas mãos. Mérito das curvaturas. Nas laterais, elas não são simétricas, mas ovaladas, por assim dizer. Esse detalhe faz os dedos ficarem posicionados com firmeza.

LG G7 ThinQ

A traseira é de vidro, material que geralmente tem duas finalidades: deixar o smartphone com um aspecto brilhante bem bonito e se estraçalhar dramaticamente ao cair no chão. Mas, por incrível que pareça, o vidro traseiro do LG G7 ThinQ tem boa aderência e, portanto, o aparelho não escorrega facilmente das mãos. E se escorregar, bom, ainda há uma pequena chance de sobrevivência: a traseira é reforçada com Gorilla Glass 5.

Na lateral esquerda há três botões. Dois correspondem aos controles de volume. O terceiro serve, por padrão, para acionar o Google Assistente. Não me pareceu útil, pelo contrário: várias vezes eu o apertei por engano na intenção de baixar o som.

LG G7 ThinQ

A LG comentou sobre permitir que esse botão seja reprogramado para outras tarefas, mas este review foi finalizado sem que essa função tivesse sido liberada. Pelo menos é possível desativá-lo.

Para os audiófilos de plantão, boa notícia: a conexão de 3,5 mm para fones de ouvido foi mantida no LG G7 ThinQ. Ela fica na parte inferior, ao lado da porta USB-C e do alto-falante externo.

LG G7 ThinQ

Já para quem faz questão de usar dois SIM cards, fica o alerta: a bandeja do G7, localizado na lateral superior, é híbrida. Isso significa que só é possível usar dois SIM cards ou um SIM card mais um microSD de até 2 TB. Não dá para contar com os três chips ao mesmo tempo.

Tela

São 6,1 polegadas de tamanho, proporção 19,5:9 e 3120×1440 pixels de resolução em uma tela que aproveita quase todo o espaço frontal. O quase é consequência do notch, que abriga a câmera frontal, sensores e o alto-falante de chamadas. A borda inferior também tem sua parcela de culpa, pois é mais expressiva que as demais.

Essa borda embaixo da tela deve desagradar a quem esperava por mais simetria na parte frontal do LG G7 ThinQ. Mas, provavelmente, ela existe para abrigar alguns componentes do painel IPS LCD do modelo.

LG G7 ThinQ

Painéis desse tipo às vezes causam desconfiança por serem associados a telas de baixa qualidade, mas não é o caso aqui. A tela do G7 exibe cores vívidas, tem pouca perda de tonalidade quando observada de ângulos variados e proporciona um nível altíssimo de brilho, podendo chegar a 1.000 nits quando o Bright Boost é ativado: esse modo deixa o brilho acima do limite padrão por até três minutos.

Para você ter ideia, eu não tive dificuldades para enxergar o conteúdo do visor nem mesmo estando na rua em um dia bem claro. Além disso, o ajuste automático é surpreendentemente rápido e preciso.

LG G7 ThinQ

Com notch

LG G7 ThinQ

Sem notch. Ou quase isso.

Nem tudo é perfeito. O LCD faz o preto não ser realmente profundo. Não é um problema grave, mas, dependendo do ângulo de visão, você vai conseguir notar a silhueta do notch se desativá-lo (ou seja, se deixar as áreas ao lado do entalhe apagadas).

Talvez você também irá estranhar o Display Always On: essa função exibe horas e outras informações quando o aparelho está bloqueado, só que acaba deixando a tela toda ligada, ainda que com um nível de brilho bem fraco.

Mas, de modo geral, esses detalhes são pequenos perto da ótima experiência de uso proporcionada pela tela. Assistir a vídeos ou jogar foram atividades que eu executei aqui com gosto. E ainda dá para refinar mais: é possível ajustar a temperatura das cores nas configurações do smartphone. Essa possibilidade nos leva ao próximo tópico.

Software

Na minha opinião, a tela aparece como um dos pontos fortes do LG G7 ThinQ. Já o software, como o ponto mais surpreendente, graças às suas numerosas opções de configuração.

O sistema operacional é o Android 8.0 Oreo rodando uma interface um pouco mais bem cuidada visualmente e organizada que a do LG G6. Gostei muito de acessar a área de configurações e encontrar as opções divididas em abas: Rede, Som, Tela e Geral.

LG G7 ThinQ

Dentro de cada uma delas, há vários parâmetros que podem ser configurados. Só para dar um exemplo, Em Tela, você pode diminuir a resolução da tela, ocultar o notch, escolher um padrão de cor conforme a atividade (filme, esportes, games, entre outros) e por aí vai.

Adicionar muitos recursos de software é um risco porque pode deixar a interface pesada ou instável, mas, felizmente, eu não notei esses problemas aqui.

LG G7 ThinQ

Configurações de tela

Também há um bom conjunto de apps próprios, como o Gravador de Áudio, o LG Health e, como grande destaque, o Galeria: além de exibir fotos e álbuns de modo bem organizado, o aplicativo pode gerar colagens ou até vídeos com as imagens.

Tem mais: o Galeria consegue organizar as fotos por etiquetas, automaticamente. Eu notei um ou outro errinho nessa classificação, mas, eu diria que o índice de acertos ficou acima de 90%.

O app Galeria

O app Galeria

De acordo com a LG, a classificação automática de fotos é uma das várias funções de inteligência artificial (IA) implementadas no G7, com a maior delas estando relacionadas às câmeras. Vamos a elas, então.

Câmeras

As duas câmeras traseiras do LG G7 ThinQ têm sensor de 16 megapixels, mas uma traz lente “super grande angular” de 107 graus e abertura f/1,9, enquanto a outra é f/1,6. Eu gosto dessa abordagem, pois você pode escolher a câmera mais adequada em cada circunstância. Se você quiser registrar uma paisagem, por exemplo, a grande angular tende ser a melhor opção.

LG G7 ThinQ

Mas o que a LG mais faz questão de ressaltar são os tais recursos de IA. Virou moda. O que não falta hoje é smartphone auxiliado por inteligência artificial. Em boa parte dos casos, trata-se meramente de algum recurso de software avançado. Seja lá como for, a LG afirma que o G7 é capaz de reconhecer objetos via IA para aplicar a configuração de cena mais apropriada.

Nos meus testes, esse modo reconheceu objetos ou cenas como ruas, flores, plantas, animais e prédios corretamente. Mas também errou bastante. Um ventilador ao lado da minha mesa foi identificado como instrumento musical (?!).

Na prática, não é nada muito impressionante. O que esse modo fez, na maior parte do tempo, é apenas aumentar a saturação das cores nas fotos. Falando nisso, o modo de IA ativa uma função chamada Super Brilho que deixa a cena até quatro vezes mais clara em condições de baixa luminosidade. Funciona, mas se o nível de luz for muito baixo, vai rolar uma perda de definição agressiva.

Em condições favoráveis, as fotos apresentam ótimo nível de nitidez e pouquíssimo ruído. O modo HDR cumpre o seu dever com louvor, deixando áreas de sombra em evidência, mas sem afetar as partes claras. Ou quase: às vezes, as fotos com HDR saem com saturação excessiva.

Foto registrada com o LG G7 ThinQ
Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Com a grande angular

Foto registrada com o LG G7 ThinQ
Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Com a grande angular

Foto registrada com o LG G7 ThinQ
Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Com a grande angular

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Macro, com o modo IA

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Com a grande angular e modo IA

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Sem HDR

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Com HDR

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Grande angular, sem HDR

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Grande angular, com HDR

À noite, o G7 tenta compensar os ruídos no pós-processamento. Os resultados não ficam ruins, mas, de novo, perde-se em definição. Além disso, o tempo de disparo frequentemente aumenta, razão pela qual acaba não sendo difícil registrar imagens borradas.

Sim, você pode usar as câmeras traseiras para fazer fotos com fundo desfocado (modo Retrato). Esse modo funciona bem e permite até que o desfoque seja ajustado depois que a foto tiver sido tirada, mas não é perfeito: alguns detalhes, como orelhas em pessoas ou folhas em flores podem ficar erroneamente desfocados.

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Modo IA, pouquíssima luz

Foto registrada com o LG G7 ThinQ

Fundo desfocado no nível máximo

A câmera frontal, com seus 8 megapixels e abertura f/1,9, ficou aquém do que eu esperava para um celular topo de linha. Ela não é ruim. Mas o pós-processamento é meio falho. Nas selfies, partes do meu rosto ficaram com aspecto liso e outras não. Além disso, o modo retrato aqui é feito apenas por software, por isso, erros como cabelo ou orelha desfocados acabam sendo frequentes.

Selfie registrada com o LG G7 ThinQ

A minha orelha direita “esfumaçou”

Selfie registrada com o LG G7 ThinQ

Aqui, parte do cenário ao fundo em torno da mesma orelha ficou sem desfoque (o que a LG tem contra a minha orelha?)

Ah, também dá para usar a câmera frontal para desbloqueio via reconhecimento facial. O procedimento é preciso e funciona mesmo quando as condições de luz não são muito favoráveis. Apesar disso, preferi o desbloqueio via impressão digital por ser um pouco mais rápido.

Hardware e bateria

O Zenfone 5Z e o Xperia XZ2 Compact são dois smartphones com processador Snapdragon 845 que eu tive a chance de testar neste ano. Ambos fizeram bonito no desempenho. O LG G7 ThinQ tem o mesmo chip e traz 4 GB de RAM. Isso quer dizer que ele também capricha na performance? Felizmente, sim.

Durante os testes, eu não percebi travamentos, lentidões ou fechamentos inesperados de apps. Só o aplicativo de câmera me pareceu um tanto demorado nas respostas, mas tudo aponta para um problema de software. Em multitarefa, o aparelho é consistente. Você pode deixar apps como o Spotify rodando em segundo plano sem se preocupar, bem com alternar entre aplicativos abertos rapidamente.

A GPU Adreno 630 que complementa o Snapdragon 845 lida com jogos pesados sem pestanejar. Em Asphalt 9, por exemplo, coloquei as configurações gráficas no máximo e, mesmo assim, não notei queda na taxa de frames.

O Snapdragon 845 também se destaca por ser um chip que consegue fazer um bom controle do consumo de energia. Ainda bem, pois desconfio que a bateria do G7, com seus 3.000 mAh de capacidade, teria resultado pífio se não fosse por isso.

Desempenho no AnTuTu 7.1.0, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.3.0

Desempenho no AnTuTu 7.1.0, 3DMark 2.0 e Geekbench 4.3.0

No dia de testes, rodei três horas de vídeo com brilho em nível alto, joguei Asphalt 9 por 40 minutos, acessei redes sociais e web por uma hora e meia, ouvi música no Spotify via alto-falante pelo mesmo período de tempo e finalizei com uma chamada de 10 minutos.

Comecei os testes de manhã, com a bateria em 100%, e concluí o último por volta das 21:00. Depois disso, a bateria ainda tinha 29% de carga. Não chega a ser uma porcentagem ruim, mas ela indica que não é muito difícil terminar o dia completamente sem carga.

O alto-falante foi uma grata surpresa, tudo por conta de um recurso que a LG batizou de Boombox. Estamos falando de uma técnica que usa o espaço interno do smartphone como uma câmara de ressonância que, como resultado, aprofunda os graves.

Funciona! Tudo o que você tem que fazer é deixar o smartphone sobre uma superfície sólida. O som acaba ficando mais alto, mas sem estourar, e os graves ficam realmente reforçados, embora não tanto quanto em caixas de som.

Curti bastante esse efeito. Mas, no quesito áudio, a experiência é ainda mais interessante se você usar fones de ouvido: o G7 traz suporte ao padrão DTS:X, que gera um efeito de som tridimensional, além de ter compatibilidade com a tecnologia Hi-Fi Quad DAC (para fones compatíveis).

Conclusão

A gente está diante de um smartphone caprichado. Se é assim, por que o LG G7 ThinQ não se transformou em um fenômeno de vendas ou é figura fácil em listas de desejo? Provavelmente, por conta de uma estratégia ruim de posicionamento de mercado.

Apesar de o G7 ter um acabamento agradável (a despeito da minha fobia com traseiras de vidro), ostentar uma tela LCD deveras agradável, ter um software bem cuidado, não decepcionar no desempenho e oferecer câmeras decentes (embora não excelentes), ele perde na maioria desses aspectos quando comparado ao Galaxy S9 ou S9+, por exemplo.

LG G7 ThinQ

Você sabe, o topo de linha da Samsung é o principal rival do LG G7, pelo menos no Brasil. O modelo da LG foi lançado por aqui com preço oficial de R$ 3.999, mas já é possível encontrá-lo por cerca de R$ 3.000. O problema é que o Galaxy S9 está praticamente na mesma faixa de preço (e não é difícil encontrá-lo por menos em promoções) e, bom, vale mais a pena que o G7.

Eu só vejo uma alternativa para a LG: adotar uma política de preços mais agressiva. A companhia também pode investir parar tornar a sua principal linha high-end mais avançada tecnicamente, mas esse é um desafio para as próximas gerações. Um desafio enorme: além de enfrentar a Samsung, a LG precisa encarar o crescimento acelerado das marcas chinesas, que também estão investindo em sofisticação.

Não que a LG não esteja tentando. O G7 ThinQ avançou em relação ao LG G6 e, na maioria dos aspectos, cumpre bem o seu papel. Mas, por ficar abaixo de outros topos de linha em certos aspectos, só vai ser um bom negócio com um desconto generoso. Do contrário, dar uma boa olhada no que a concorrência oferece antes de fechar a compra continua sendo uma decisão sábia.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh com carregamento sem fio e Quick Charge 4+;
  • Câmeras: 16 + 16 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 5.0, USB-C, NFC, rádio FM;
  • Dimensões: 153,2×71,9×7,9 mm;
  • GPU: Adreno 630;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 64 GB (51 GB livres);
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 162 gramas;
  • Plataforma: Android 8.0 Oreo;
  • Processador: octa-core Snapdragon 845 de 2,8 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 6,1 polegadas com resolução de 3120×1440 pixels e proteção Gorilla Glass 5.

Notas Individuais

Design
8
Tela
9
Software
8
Câmera
8
Desempenho
10
Bateria
8
Conectividade
9